EM DEFESA DAS MULHERES NO MINISTÉRIO COM ORDENAÇÃO

Para iniciar, pedindo as devidas licenças, posto esta foto grupal, pois vejo nela uma expressão do que quero manifestar no texto que segue:

Foi com absoluta estupefação, paralisia emocional e cabal espanto na reflexão teológico-pastoral que recebi uma infeliz notícia: O Sínodo da Igreja Evangélica Luterana da Letônia votou uma resolução que veta a ordenação de mulheres para exercer a função de ministras Pastoras, retrocedendo terrivelmente na reflexão e na prática da equidade de gênero.

As mulheres ministras da IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil), coerentemente, em sororidade com as teólogas da Igreja Evangélica Luterana da Letônia, têm feito a sua manifestação também via redes sociais e demais páginas disponíveis na internet.

Eu, Marcelo Peter, Pastor luterano da IECLB, em conformidade com o que creio, prego e procuro vivenciar me uno a estas e outras mulheres na defesa da participação das Ministras Ordenadas no Ministério confiado por Deus à igreja.

O Ministério que prega a Palavra e administra os Sacramentos não pertence a homens. Igualmente, não pertence a mulheres. Ele é de Deus. Portanto, pertence única e exclusivamente a Deus. O nosso Deus confiou o Ministério à sua igreja, formada por homens e mulheres, onde os dons são reconhecidos e colocados a serviço do Evangelho.

A Bíblia relata que as mulheres foram as primeiras testemunhas do Ressuscitado a ministrar a Boa Notícia, isto é, o Evangelho (cf Lucas 24).

E, especificamente para o ambiente eclesiástico luterano, cito o reformador Martim Lutero, quando ele escreve “Como Instituir Ministros na Igreja” (Obras Selecionas 7; p. 96-7):

"[...] quer queiram, quer não, nos os obrigamos, por meio de sua própria compreensão, a admitirem que todos os cristãos e somente os cristãos, inclusive as mulheres, são sacerdotes sem tonsura ou a marca episcopal.

Pois, ao batizarmos, proferimos a vivificante Palavra de Deus, que regenera as almas e redime da morte e dos pecados, o que é incomparavelmente mais do que consagrar pão e vinho, pois é o ofício máximo da Igreja, ou seja, anunciar a Palavra de Deus.

Por isso também as mulheres exercem o legítimo sacerdócio quando batizam. Não o fazem por obra privada, mas pelo ministério eclesiástico público, que compete somente ao sacerdote. [...]

Afirmamos isso não baseados em nossa própria autoridade, mas na autoridade de Cristo, que diz na última ceia: "fazei isto em minha memória" [Lc 22,19; 1 Co 11.24] [...] Cristo disse essa palavra a todos os seus, tanto aos que estiveram presentes naquela hora quanto aos que, no futuro, fossem comer esse pão e beber esse cálice. Portanto, o que foi concedido foi concedido a todos."

Com este posicionamento teológico-pastoral expresso aqui minha máxima solidariedade às mulheres, ministras, pastoras, teólogas, lutadoras pela causa do Evangelho do Reino. Existe uma situação de marginalização, humilhação e retrocesso com esta decisão absurda e descabida ocorrida na Letônia, mas saibam: 

VOCÊS NÃO ESTÃO SÓS!
‪#‎affirmingwomensordination

Pastor Marcelo Peter
Alta Floresta – RO

Sínodo da Amazônia - IECLB

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