Paróquia de Alta Floresta em defesa das Mulheres no Ministério com Ordenação




No início da noite de hoje, 09 de junho de 2016, a Diretoria da Paróquia Luterana Caminho da Fé de Alta Floresta, Rondônia, do Sínodo da Amazônia (IECLB), juntamente com seu pastor, esteve reunida para discutir os assuntos pertinentes à caminhada da vida eclesiástica em nosso contexto.

Entendemos que não somos uma Igreja (Paróquia e Comunidades) que vive isolada. Pertencemos a uma comunhão de fé e nos unimos na esperança de ver o Reinado de Deus cada vez mais presente entre todos e todas nós. De tal maneira, não somente discutimos assuntos administrativos e deliberativos, mas refletimos sobre a vida e a caminhada da igreja enquanto corpo de Cristo.

Nossa reflexão da noite baseou-se no texto bíblico de Romanos 16. 3-16, no qual o apóstolo Paulo saúda os colaboradores e as colaboradoras ministeriais que muito contribuíram para a edificação de comunidades de fé engajadas na vivência concreta e real do Evangelho.

Fizemos esta reflexão a partir da lamentável notícia que nos veio da Igreja Evangélica Luterana na Letônia onde as mulheres foram proibidas de impetrar ao Ministério com Ordenação. Compreendemos que isto é um retrocesso histórico, teológico e prático para a vida eclesiástica.

A Paróquia Evangélica de Confissão Luterana Caminho da Fé em Alta Floresta (Rondônia), Sínodo da Amazônia, filiada à IECLB - Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; em sororidade, fraternidade e solidariedade às Pastoras e Teólogas da Igreja Evangélica Luterana da Letônia afirmando:

VOCÊS NÃO ESTÃO SÓS!

Ademar Eggert – Presidente da Paróquia; Presidente da Diretoria do Conselho Sinodal do Sínodo da Amazônia

Nelson Eri Plantikow – Vice-Presidente Paroquial

Mauro Discher – Tesoureiro Paroquial

Eunice Discher Duque – Vice-Tesoureira Paroquial

Roseli Discher – Secretária Paroquial; Presidente da Comunidade Luz no Mundo;

Emília Discher – Vice-Secretária Paroquial; Vice-Tesoureira Sinodal; Tesoureira da OASE Sinodal.

Joyce Kramer da Silva – Coordenadora do Conselho Sinodal da Juventude

Celma Eggert – Conselheira Fiscal

Admilson Ratunde – Conselheiro Fiscal

Marcelo Peter - Pastor






EM DEFESA DAS MULHERES NO MINISTÉRIO COM ORDENAÇÃO

Para iniciar, pedindo as devidas licenças, posto esta foto grupal, pois vejo nela uma expressão do que quero manifestar no texto que segue:

Foi com absoluta estupefação, paralisia emocional e cabal espanto na reflexão teológico-pastoral que recebi uma infeliz notícia: O Sínodo da Igreja Evangélica Luterana da Letônia votou uma resolução que veta a ordenação de mulheres para exercer a função de ministras Pastoras, retrocedendo terrivelmente na reflexão e na prática da equidade de gênero.

As mulheres ministras da IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil), coerentemente, em sororidade com as teólogas da Igreja Evangélica Luterana da Letônia, têm feito a sua manifestação também via redes sociais e demais páginas disponíveis na internet.

Eu, Marcelo Peter, Pastor luterano da IECLB, em conformidade com o que creio, prego e procuro vivenciar me uno a estas e outras mulheres na defesa da participação das Ministras Ordenadas no Ministério confiado por Deus à igreja.

O Ministério que prega a Palavra e administra os Sacramentos não pertence a homens. Igualmente, não pertence a mulheres. Ele é de Deus. Portanto, pertence única e exclusivamente a Deus. O nosso Deus confiou o Ministério à sua igreja, formada por homens e mulheres, onde os dons são reconhecidos e colocados a serviço do Evangelho.

A Bíblia relata que as mulheres foram as primeiras testemunhas do Ressuscitado a ministrar a Boa Notícia, isto é, o Evangelho (cf Lucas 24).

E, especificamente para o ambiente eclesiástico luterano, cito o reformador Martim Lutero, quando ele escreve “Como Instituir Ministros na Igreja” (Obras Selecionas 7; p. 96-7):

"[...] quer queiram, quer não, nos os obrigamos, por meio de sua própria compreensão, a admitirem que todos os cristãos e somente os cristãos, inclusive as mulheres, são sacerdotes sem tonsura ou a marca episcopal.

Pois, ao batizarmos, proferimos a vivificante Palavra de Deus, que regenera as almas e redime da morte e dos pecados, o que é incomparavelmente mais do que consagrar pão e vinho, pois é o ofício máximo da Igreja, ou seja, anunciar a Palavra de Deus.

Por isso também as mulheres exercem o legítimo sacerdócio quando batizam. Não o fazem por obra privada, mas pelo ministério eclesiástico público, que compete somente ao sacerdote. [...]

Afirmamos isso não baseados em nossa própria autoridade, mas na autoridade de Cristo, que diz na última ceia: "fazei isto em minha memória" [Lc 22,19; 1 Co 11.24] [...] Cristo disse essa palavra a todos os seus, tanto aos que estiveram presentes naquela hora quanto aos que, no futuro, fossem comer esse pão e beber esse cálice. Portanto, o que foi concedido foi concedido a todos."

Com este posicionamento teológico-pastoral expresso aqui minha máxima solidariedade às mulheres, ministras, pastoras, teólogas, lutadoras pela causa do Evangelho do Reino. Existe uma situação de marginalização, humilhação e retrocesso com esta decisão absurda e descabida ocorrida na Letônia, mas saibam: 

VOCÊS NÃO ESTÃO SÓS!
‪#‎affirmingwomensordination

Pastor Marcelo Peter
Alta Floresta – RO

Sínodo da Amazônia - IECLB