Igreja da Palavra que come e bebe o Corpo e Sangue de Cristo

Comentário Bíblico para o 12º Domingo após Pentecostes (Ano B)

Os Textos bíblicos previstos no Lecionário Comum Revisado da IECLB para o 12º Domingo do Tempo Após Pentecostes convidam as comunidades a refletir liturgicamente que Deus veio ao mundo e se ofertou a nós em seu filho Jesus Cristo.

Deus quer nos acompanhar em toda a nossa caminhada de vida e fé. Ele é o pão vivo que desceu do céu para nos saciar, alimentar e sanar as nossas carências. Cabe a nós, simplesmente, dizer ao Senhor da vida, ao Pão da Vida: “Queremos ser alimentados com a esperança que vem Ti, oh Senhor nosso Deus.”

Estão previstas as seguintes perícopes litúrgicas:
1ª LEITURA: Provérbios 9.1-6
SALTÉRIO: Salmo 34. 9-14
2ª LEITURA: Efésios 5.15-20
EVANGELHO: João 6. 51-58

A PRIMEIRA LEITURA (Provérbios 9.1-6) conta uma estória (fábula) de um banquete organizado por uma dama, a “senhora sabedoria” para os “simples” que precisam vencer a insensatez.
O texto leva a entender que está sendo feita uma propaganda da “sabedoria” com a finalidade de levar os “simples” a fazer uma escolha que lhes garantirá vida e felicidade.

O texto apresenta a “sabedoria” como uma dama fina, da alta sociedade, que construiu uma “casa” (v. 1) com “sete colunas”. O Nº 7, no universo cultural judaico, é o número da perfeição. A “casa” da “sabedoria” é, portanto, uma “casa” onde se pode encontrar a perfeição.

Na sua “casa”, a “sabedoria” organiza um “banquete”. Prepara comida e vinho (v. 2); ela envia as empregadas para fazer o convite por toda a cidade para que os “simples” participem do banquete festivo (v. 3).

Podemos cogitar que a “casa” da “dona sabedoria” é a escola dos “sábios” de Israel na qual se ensinava a “sabedoria”. A “comida” e o “vinho”, possivelmente, podemos compreender como o conhecimento sapiencial ensinado pelos sábios para que os discípulos pudessem ter realização nos seus feitos diários. Os “simples” são as pessoas que têm sempre o coração aberto a Deus e às suas propostas.

Conforme a proposta do texto, não devemos ser insensatos, mas seguir o caminho da vida com prudência. Não devemos nos conformar com as realidades que nos são impostas, mas buscar transformar o meio em que vivemos. O convite para a verdadeira sabedoria está feito. O banquete foi preparado. Nós temos a possibilidade de partilhar dessa mesa. Comer deste pão e beber deste vinho!

Deus nos oferece opções de vida. Podemos optar pela sabedoria de viver uma vida plena, realizada, feliz; porém podemos também escolher o contrário. Não somos marionetes nas mãos de Deus. Todavia, cabe lembrar que nossas escolhas têm consequências. A Escritura nos chama e convida a escolhermos com sabedoria, abrindo o coração para os dons de Deus.

O SALTÉRIO (Salmo 34. 9-14) traz o cerne dos ensinamentos já apresentados na 1ª Primeira Leitura, através de uma linguagem poética, bela e tão lúdica quanto a parábola antes lida. Caso o texto seja apresentado para a comunidade na NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje), esta versão facilita ainda mais, pois já vem interpretando as frases para o contexto atual.

A SEGUNDA LEITURA (Efésios 5.15-20) é um excelente complemento neste bloco dominical. Enquanto que Provérbios nos convida a escolher a Sabedoria e o Salmo nos chama a não fazer coisas más; o apóstolo Paulo, neste trecho da epístola, nos recorda que devemos permanecer na opção que fizemos por Cristo Jesus, o nosso Senhor.

Paulo relembra que devemos ser prudentes e sábios. Não devemos ser néscios e insensatos. Vivemos num tempo onde podemos nos confundir completamente e esquecer a verdadeira razão de nossa fé. Por isso, precisamos, continuamente, compreender qual é a vontade de nosso Senhor.

Assim como em Provérbios é feita uma proposta para que os “simples” façam uma escolha entre a “sabedoria” e a “insensatez”. Aqui o apóstolo Paulo tem como pano de fundo aquela conhecida história da “velha pessoa” sem Cristo e da “nova pessoa” com Cristo. Já que fizemos uma escolha em favor do Evangelho, devemos permanecer firmes nessa decisão. Os cristãos assumiram um compromisso e precisam ser coerentes com essa decisão de fé.

O EVANGELHO (João 6. 51-58), ponto central da Liturgia da Palavra nos narra Jesus reafirmando ser Ele o “pão da vida” que é dado em nosso favor. Todos nós, em fé, somos convidados a receber esse pão da vida e da salvação.

Para receber o “pão da vida”, nós, discípulos e discípulas, precisamos fazer uma escolha pessoal em favor da vida verdadeiramente cristã. Todos fomos batizados por graça e recebemos de presente a fé. Participamos da vida em Comunidade onde somos instruídos nos ensinamentos básicos da sabedoria divina. Recebemos a instrução na fé e o conhecimento da Palavra de Deus para dar testemunho em Palavra e ação. É sobre isso que estamos conversando pelos caminhos da IECLB.

Nesse sentido, como membros ativos e participativos da Igreja somos constantemente convidados a “comer a carne” e a “beber o sangue” de Jesus, isto é, a aderir à sua pessoa, a assimilar o seu projeto, a interiorizar a sua proposta. Ao participar da Santa Ceia do Senhor, o Culto Eucarístico Luterano, estamos dando testemunho desta adesão. O Sacramento da Comunhão do Altar é o momento privilegiado onde participamos do banquete do “sim” para Deus. É na Comunhão do Corpo e Sangue de Cristo que estamos testemunhando nossa adesão constante ao projeto do Reinado de Deus neste mundo entre os “simples”.

Quem participa de uma comunidade, quem fez a decisão pela verdade do Evangelho, quem quer viver a sabedoria do Evangelho (que muitas vezes parece loucura para o mundo) precisa entender uma coisa: Um dos efeitos de participar do banquete da Comunhão do Corpo e Sangue de Cristo, isto é, da Santa Ceia, da Eucaristia, (“comer a carne” e “beber o sangue” de Jesus) é ficar em união íntima, em comunhão de vida com Jesus.

Aproveitando o Tema do Ano de 2015, nós somos como os discípulos de Emaús que caminhamos lado a lado com Jesus e precisamos aprender a interiorizar a proposta do Reinado de Deus neste mundo. Cristão e Cristã é quem vive sua vida com Jesus – em união com Cristo.

Somos a Igreja da Palavra que come e bebe o corpo e sangue de Cristo. Precisamos comungar o projeto do Reinado de Deus. Ele é o nosso pão vivo. Ele é o nosso sustento diário. É neste caminho que se chega a essa vida plena e definitiva que Jesus veio nos propor. Vamos caminhar, conversar e ter comunhão com Jesus!

Pastor Marcelo Peter
Alta Floresta – Rondônia
Sínodo da Amazônia - IECLB

Água, luz e asfalto NÃO. Taxa de Coleta de Lixo SIM?

Era uma vez uma cidade muito, muito, mas muito distante. Lá longe, no início do mundo, num lugar bonito e belo chamado Rondônia. Essa cidade muito, muito, mas muito distante, tem um nome grande: “Alta Floresta d’Oeste”.

Essa tal cidade, Alta Floresta, em Rondônia, ela fica bem na fronteira com a Bolívia. Se viajarmos uns quantos quilômetros estrada e mata adentro chegaremos a um lugar paradisíaco chamado Porto Rolim, famoso entre os aficionados pela pescaria.

A cidade de Alta floresta, em si, não é muito grande, mas o município é enorme. Tem uma área de mais de 7 km². Nesse território tão vasto vivem mais ou menos 25 mil habitantes.

O município é bem novo. Tem menos de 30 anos. Ainda está na flor da idade. Se olharmos por este ângulo, deveríamos encontrar menos problemas e mais soluções. Menos dilemas e mais oportunidades. Porém, infelizmente não é isso o que vemos, sentimos e experimentamos na bela, encantadora e charmosa Alta Floresta d’Oeste, em Rondônia, na pura fronteira com a Bolívia.

Alta Floresta é uma cidade privilegiada, pois na maior parte do ano tem um tempo chuvoso, o que favorece a agricultura e a pecuária. E, além disso, possui o Rio Branco que banha o município. Pensando assim, dá pra imaginar: “água não falta”.

Bom seria se fosse assim! Durante o mês de julho e este início do mês de agosto as famílias de Alta Floresta têm sofrido imensamente com a falta de distribuição de água. Todos os dias falta água na cidade. Todos os dias é uma desculpa diferente.

Há famílias que têm poços artesianos. Porém, a grande não os tem. Então, para cozinhar, lavar e fazer o básico de um lar falta água.  Alguns lares estão sem água há mais de uma semana.

Ok. Mas, tem outro detalhe, nesse tal Rio Branco, a prefeitura municipal concedeu autorização para uma empresa privada construir oito (8) PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas). Sendo assim, pela lógica, você vai dizer: “água potável não tem, mas pelo menos tem luz elétrica de qualidade!”.

Engana-se meu amigo! Essas PCHs produzem eletricidade, mas não para o município. Toda a eletricidade produzida em nossos rios é direcionada para outros municípios e regiões. Aqui, nós sofremos com a constante falta de luz. É comum ter quedas no fornecimento de eletricidade a qualquer momento do dia ou da noite.

Eu mesmo já tive que comprar vários itens eletrônicos novos por conta dos blackouts sofridos. Quantas vezes mandei o computador e suas peças para manutenção por conta das “quedas de luz”. Numa certa feita ficamos quase 18 horas sem eletricidade na cidade. Quem trabalha assim?

Mudando de rota, mas continuando na estrada, vamos falar do asfalto. Quer dizer, não vamos falar do asfalto, porque não tem mais asfalto para chegar até a cidade de Alta Floresta. É nisto que se resume a precariedade da rodovia. A maioria dos acidentes acontece não por imprudência, mas pelas más condições da rodovia que dá acesso ao município. Não digo que existam buracos no asfalto. O asfalto é um grande buraco que se estende por longos quilômetros.

Não bastando esses pequenos e comensuráveis problemas. Coisinhas simples que não irritam nem um pouco a população, vejam a novidade do momento: COBRANÇA DE TAXA DE COLETA DE LIXO.

Agora a Prefeitura Municipal, que não tem conseguido resolver os problemas básicos da população, não satisfeita, uniu-se ao poder legislativo para arrecadar mais tributos do contribuinte.

Em Primeiro Lugar, sou contra a cobrança da Taxa de Coleta de Lixo por ser um serviço que deve ser oferecido pela municipalidade devido aos diversos tributos que já pagamos;

Em Segundo Lugar, sou contra a cobrança, pois a já efetuamos pagamento do IPTU, onde consta uma variedade de taxas, nas quais estão inclusos tributos que nem deveríamos pagar.

Em Terceiro Lugar, sou contra o valor abusivo cobrado nesta taxa. Penso no trabalhador comum que ganha um salário mínimo, pagando a cota abusiva que está sendo emitida. Como este cidadão vai alimentar a sua família?

Em Quarto Lugar, quando analisamos a implementação desta cobrança em outras localidades brasileiras, percebemos uma total aversão à mesma e um movimento social em contra da cobrança.

No Rio de Janeiro, tentaram cobrar pela Limpeza dos espaços públicos e pela coleta de lixo. Foi considerado inconstitucional a cobrança individual da tarifa.[1]

Ainda há outros exemplos espalhados pelo Brasil afora que podem ajudar a elucidar a situação. Enfim, querem cobrar algumas taxas? Então, resolvam os problemas básicos da população primeiro, porque assim não pode, assim não dá!

Se você enquanto cidadão e cidadã quer somar forças para questionar essas decisões tomadas pelo Poder Executivo e Legislativo sem o nosso consentimento, então compareça na Secretaria na Paróquia Nossa Senhora da Penha (Igreja Católica) em Alta Floresta e coloque a sua assinatura no “ABAIXO-ASSINADO” em questionamento pela cobrança da “Taxa de Coleta de Lixo”.

Marcelo Peter
Cidadão de Alta Floresta - Rondônia




[1] BRASIL. Supremo Tribunal Federal, Primeira Turma. Tributário. Agravo de Instrumento nº 245539 / RJ. Município de Rio de Janeiro e Raul Cid Loureiro. Relator: Min. Ilmar Galvão. 14 dez. 1999. Disponível em:. Acesso em: 11 agos. 2015.