Permanecei em mim para não ter um evangelho de "segunda mão" (João 15. 1-17)

Você já comprou alguma coisa de “segunda mão”? E aí, como foi sua experiência?

Eu vou confessar: a minha primeira bicicleta, quando era criança, eu comprei de “segunda mão”. Eu vendia jornais na cidade onde eu nasci e juntei dinheiro por muitos meses até conseguir um determinado valor para comprar a minha tão sonhada bicicleta. Só que, vendendo jornais, eu não conseguia juntar “tanto” dinheiro assim. Por isso, tive que comprar uma bicicleta de “segunda mão”.
         
Mas, não entenda mal. Não foi um negócio ruim. Muito pelo contrário. Durante muitos anos eu pude usufruir da minha bicicleta de “segunda mão”.
         
Quando estávamos na faculdade, eu e meus amigos, não tínhamos condições financeiras de comprar móveis e utensílios para a nossa república de estudantes. Sabe o que a gente fazia? Íamos aos bairros da cidade e comprávamos móveis usados, ou seja, de “segunda mão”. E moramos anos e anos com camas, roupeiros, mesas, fogão e tanto outros itens domésticos de “segunda mão”. Meu primeiro computador, no terceiro ano da faculdade, foi de “segunda mão”.
         
A gente pode adquirir o que a gente quiser de “segunda mão”. Tem muita coisa que vale a pena a gente adquirir assim. Em algumas cidades, lojas de móveis usados (briccs), de roupas usadas (bazares), de livros usados (sebos) e ainda tantas outras são uma ótima alternativa. Agora, uma coisa não é possível, nem aceitável, que tenhamos de “segunda mão”: O Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
         
Tem muita gente, por aí afora, muitos bons cristãos, que somente conhecem um evangelho de “segunda mão". Tudo o que eles sabem sobre Jesus e sua mensagem provém simplesmente da tradição popular, de “estorinhas” que ouvem no rádio ou veem nos filmes (principalmente na época da semana santa ou do natal). Tem muita gente que vive sua fé sem ter um contato pessoal com as "palavras de Jesus". Deste modo, elas têm um evangelho de “segunda mão”.
         
Para que não vivamos a fé cristã de “segunda mão”, mas, ao contrário, tenhamos uma fé em “Primeira Mão” é necessário, fundamental e imprescindível que vivamos em comunidade, participemos da vida celebrativa de nossa Igreja, e que tenhamos contato direto com a Palavra de Deus. Não é possível ser cristão sem esses elementos. A vida comunitária da fé é elemento essencial para a pessoa cristã. Desta maneira no mantemos unidos e firmes com nosso Senhor e Salvador, Cristo Jesus.
         
É sobre isso que nos fala o evangelho de João no capítulo 15. Ali, Jesus revela a seus discípulos seu desejo mais profundo: "Permanecei em mim". Conforme as palavras de Jesus, se não permanecermos unidos a Ele, não conseguiremos sobreviver (existir, ser).
         
As palavras do evangelho afirmam: "assim como o ramo que não fica unido à videira não pode dar fruto, vocês também não poderão dar fruto, se não ficarem unidos a mim". Nós não podemos e não conseguimos fazer nada sem este contato direto com Jesus.
         
Aí é que está o segredo, a chave, para entendermos o porquê de não podermos viver a fé cristã com um evangelho de “segunda mão”. Isso não é, de modo algum, aceitável. Por meio das celebrações, da comunhão e estudo da Palavra de Deus entramos em contato direto com a mensagem de vida, fé e esperança de nosso Senhor e Salvador.
         
Na Palavra de Deus encontramos a base para firmar nossa vida em um solo fértil e frutífero. Por meio da vida em comunidade podemos conhecer e ter contato direto com Jesus Cristo.
         
Quem permanece unido com Cristo, permanece em seu amor. Este tem um Evangelho em primeira mão. Quem vive somente com o evangelho de “segunda mão”, este não consegue experimentar o amor de Deus concreto e perceptível através da comunhão fraterna.
         
Lembremos: bens materiais de “segunda mão”, por que não! Evangelho? Só em primeira mão!

Marcelo Peter
Pastor da IECLB em Rondônia

Sínodo da Amazônia