O FIM ESTÁ PRÓXIMO?: sobre os ataques terroristas na França, as barragens em Mariana, “este mundo” e os textos bíblicos do lecionário dominical

Já estava tudo preparado, tanto a liturgia, quanto a prédica para o culto comunitário do final de semana. Em tal rodada de cultos celebraria cinco vezes a mesma liturgia e faria a mesma mensagem em cultos com Assembleias de Comunidade. Mas, na noite de sexta-feira, percebi que a mensagem precisava mudar.

O primeiro culto celebramos como havia organizado. Fui para o interior e celebrei com a Comunidade Cristo Redentor, na Linha P. 26, a comunidade mais distante da Paróquia. Nessa comunidade, em culto, refletimos sobre o texto de Hebreus 10. 11-25 que contrasta a antiga oferta sacrificial, que precisava ser constantemente repetida, e a oferta sacrificial de Cristo em nosso favor que é a aliança feita uma vez somente e válida para todo o sempre. Para tanto devemos permanecer fieis e congregantes na vida comunitária, visto que tanto mais se aproxima o Dia do Senhor (Hb 10.25).

Juntos, igualmente, lemos o Evangelho de Marcos 13. 1-13 no qual Jesus faz seu sermão profético acerca do fim deste tempo, o fim deste “mundo”. Em tal texto, Jesus alerta para que seus discípulos e discípulas não sejam enganados e ludibriados com falsos sinais. Guerras, mortes, tragédias, fome e peste não são o sinal do fim. Pelo contrário, testemunham simplesmente o princípio das dores. Segundo o Evangelho, para que chegue o fim “é necessário que primeiro o Evangelho seja pregado a todas as nações.” (Mc 13.10).
Tanto a Epístola aos Hebreus, quando o Evangelho de Marcos apontam que é fundamental viver a fé em Comunidade. Permanecer nas bases que alicerçam nossa esperança por uma realidade mais justa e fraterna. Por isso Jesus afirma: “aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo.” (Mc 13.13b)

Com base nestes dois textos bíblicos, tendo em vista que os cinco (5) cultos que celebramos este final de semana são com Assembleias de Comunidade, a mensagem central do texto direciona os membros das comunidades a permanecer fieis no testemunho da fé, vivendo em comunidade e colocando seus dons (capacidades, habilidades e atitudes) em prol da proclamação do evangelho. Exercer cargos e funções na comunidade é um modo de prestar este testemunho de proclamação do evangelho.

Esta mensagem continua central e, com a graça de Deus, permanecerá nos ouvidos, mentes e corações das pessoas presentes nos cultos. Isso esperamos e que assim Deus nos conduza em paz e amor. Porém, um elemento precisa ser incrementado. Vamos voltar ao relato com o qual iniciei o texto:

Celebrei o primeiro culto da maneira como narrei anteriormente. Depois disto, ao retornar à cidade, sendo mais de 23 horas, fui comprar um lanche no centro. Enquanto esperava ficar pronto meu jantar, fiquei atordoado ao ver o boletim de notícias na rede televisiva. Naquela noite, na França, vários atentados (creio que nove) foram responsáveis por mais de 128 mortes, 250 feridos e toda uma comoção social. O mundo voltou os olhar para o terror contra a vida humana.

Ainda assustado, comecei a pesquisar pelo smartphone (G1, Folha, Uol, etc) mais informações acerca do triste e lamentável evento. Foi então que uma senhora se aproximou, olhou para a tela da TV, fitou-me com espanto e afirmou, com segurança: “Em nome de Jesus, realmente, está perto do fim.”

Meditando nas passagens bíblicas que estão previstas no lecionário dominical para esta semana, e conhecendo um pouco do testemunho evangélico, sou obrigado a discordar. Não! Não está perto do fim. Pelo contrário. Está muito longe do fim!

Caso estivesse perto do fim do mundo, então não teríamos mais guerras, nem atentados, nem crises, nem pestes, nem desastres, nem coisa alguma que nos faça viver com tanto horror diante da vida. Algo que precisamos compreender é que Deus não deseja fazer com o que o mundo sofra para que Cristo esteja entre nós.

Conforme o testemunho bíblico estes não são sinais do “fim do mundo”, mas do “princípio das dores”. Recordemos que o “fim do mundo” significa o “Reinado de Deus em Cristo”. Jesus e o mundo são duas potências antagônicas.

Jesus Cristo disse que seu Reino não é deste mundo (Jo 18.36). Para Jesus o planeta não precisa desaparecer. Ele não vai destruir a terra. Após o Dilúvio Deus fez uma aliança com a humanidade, afirmando que jamais iria novamente mandar tal destruição (Gn 9.9-17). O que, sim, precisa desaparecer é o “mundo”, isto é, esta realidade maldosa, pecaminosa, violenta, cruel e desumana na qual estamos inseridos e com a qual nos contaminamos constantemente por meio do pecado que avilta nossa dignidade.

Jesus afirmou que nós estamos neste mundo (nesta triste realidade), mas nós não somos deste mundo, não pertencemos a esta realidade. Jesus nos resgatou para uma nova realidade de vida (Jo 15.18-19). Para tanto precisamos afiançar nossa labuta diária contra o pecado, afirmando-nos na graça misericordiosa do Todo-Poderoso, pois só Ele pode nos redimir. Por isso Jesus nos assegurou: “No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (Jo 16.33).

Com base nisto, olho para a triste realidade dos atentados terroristas ocorridos na França; igualmente, volto meu olhar para a desoladora situação das pessoas que vivem no entorno das barragens de Mariana, em Minas Gerais, vítimas da imprudência e da má gestão com o meio ambiente. Também abro os olhos para as pessoas que sofrem violência e desrespeito diariamente em vários âmbitos do Brasil e do mundo. Assim, percebo que, realmente, não estamos perto do “fim do mundo”. Pelo contrário, o mundo está poderoso e dominador. Nós estamos deixando o mundo nos dominar, quando na verdade deveríamos deixar que Cristo e seu Reinado exercessem a Glória, a força e o poder (Rm 11.36).

Parece que ainda não aprendemos que é necessário que o mundo perca o poder e Jesus possa reinar. Foi João Batista quem afirmou: “Convém que Ele cresça e que eu diminua.” (Jo 3.30). Paulo nos ensinou que para o mundo deixe de nos dominar, a vida e tudo sejam de Deus é necessário que eu não mais tenhamos poder, mas sim Cristo (Gl 2.20).

Como isso vai acontecer? Deixando Marcos 13.10 ser implementado em nossa realidade: “é necessário que primeiro o Evangelho seja pregado a todas as nações.” E, para isto ser uma realidade não podemos abdicar da vida comunitária da fé, como nos orienta o autor da Carta aos Hebreus, ao afirmar “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais vedes que o Dia se aproxima (Hb 10.25).

Inspirados pelo Evangelho de Cristo, indignados com a dura e cruel realidade que presenciamos, “Não vos conformeis com este ‘mundo’, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2).

Marcelo Peter

Pastor em Alta Floresta-RO
Sínodo da Amazônia-IECLB

Igreja da Palavra que come e bebe o Corpo e Sangue de Cristo

Comentário Bíblico para o 12º Domingo após Pentecostes (Ano B)

Os Textos bíblicos previstos no Lecionário Comum Revisado da IECLB para o 12º Domingo do Tempo Após Pentecostes convidam as comunidades a refletir liturgicamente que Deus veio ao mundo e se ofertou a nós em seu filho Jesus Cristo.

Deus quer nos acompanhar em toda a nossa caminhada de vida e fé. Ele é o pão vivo que desceu do céu para nos saciar, alimentar e sanar as nossas carências. Cabe a nós, simplesmente, dizer ao Senhor da vida, ao Pão da Vida: “Queremos ser alimentados com a esperança que vem Ti, oh Senhor nosso Deus.”

Estão previstas as seguintes perícopes litúrgicas:
1ª LEITURA: Provérbios 9.1-6
SALTÉRIO: Salmo 34. 9-14
2ª LEITURA: Efésios 5.15-20
EVANGELHO: João 6. 51-58

A PRIMEIRA LEITURA (Provérbios 9.1-6) conta uma estória (fábula) de um banquete organizado por uma dama, a “senhora sabedoria” para os “simples” que precisam vencer a insensatez.
O texto leva a entender que está sendo feita uma propaganda da “sabedoria” com a finalidade de levar os “simples” a fazer uma escolha que lhes garantirá vida e felicidade.

O texto apresenta a “sabedoria” como uma dama fina, da alta sociedade, que construiu uma “casa” (v. 1) com “sete colunas”. O Nº 7, no universo cultural judaico, é o número da perfeição. A “casa” da “sabedoria” é, portanto, uma “casa” onde se pode encontrar a perfeição.

Na sua “casa”, a “sabedoria” organiza um “banquete”. Prepara comida e vinho (v. 2); ela envia as empregadas para fazer o convite por toda a cidade para que os “simples” participem do banquete festivo (v. 3).

Podemos cogitar que a “casa” da “dona sabedoria” é a escola dos “sábios” de Israel na qual se ensinava a “sabedoria”. A “comida” e o “vinho”, possivelmente, podemos compreender como o conhecimento sapiencial ensinado pelos sábios para que os discípulos pudessem ter realização nos seus feitos diários. Os “simples” são as pessoas que têm sempre o coração aberto a Deus e às suas propostas.

Conforme a proposta do texto, não devemos ser insensatos, mas seguir o caminho da vida com prudência. Não devemos nos conformar com as realidades que nos são impostas, mas buscar transformar o meio em que vivemos. O convite para a verdadeira sabedoria está feito. O banquete foi preparado. Nós temos a possibilidade de partilhar dessa mesa. Comer deste pão e beber deste vinho!

Deus nos oferece opções de vida. Podemos optar pela sabedoria de viver uma vida plena, realizada, feliz; porém podemos também escolher o contrário. Não somos marionetes nas mãos de Deus. Todavia, cabe lembrar que nossas escolhas têm consequências. A Escritura nos chama e convida a escolhermos com sabedoria, abrindo o coração para os dons de Deus.

O SALTÉRIO (Salmo 34. 9-14) traz o cerne dos ensinamentos já apresentados na 1ª Primeira Leitura, através de uma linguagem poética, bela e tão lúdica quanto a parábola antes lida. Caso o texto seja apresentado para a comunidade na NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje), esta versão facilita ainda mais, pois já vem interpretando as frases para o contexto atual.

A SEGUNDA LEITURA (Efésios 5.15-20) é um excelente complemento neste bloco dominical. Enquanto que Provérbios nos convida a escolher a Sabedoria e o Salmo nos chama a não fazer coisas más; o apóstolo Paulo, neste trecho da epístola, nos recorda que devemos permanecer na opção que fizemos por Cristo Jesus, o nosso Senhor.

Paulo relembra que devemos ser prudentes e sábios. Não devemos ser néscios e insensatos. Vivemos num tempo onde podemos nos confundir completamente e esquecer a verdadeira razão de nossa fé. Por isso, precisamos, continuamente, compreender qual é a vontade de nosso Senhor.

Assim como em Provérbios é feita uma proposta para que os “simples” façam uma escolha entre a “sabedoria” e a “insensatez”. Aqui o apóstolo Paulo tem como pano de fundo aquela conhecida história da “velha pessoa” sem Cristo e da “nova pessoa” com Cristo. Já que fizemos uma escolha em favor do Evangelho, devemos permanecer firmes nessa decisão. Os cristãos assumiram um compromisso e precisam ser coerentes com essa decisão de fé.

O EVANGELHO (João 6. 51-58), ponto central da Liturgia da Palavra nos narra Jesus reafirmando ser Ele o “pão da vida” que é dado em nosso favor. Todos nós, em fé, somos convidados a receber esse pão da vida e da salvação.

Para receber o “pão da vida”, nós, discípulos e discípulas, precisamos fazer uma escolha pessoal em favor da vida verdadeiramente cristã. Todos fomos batizados por graça e recebemos de presente a fé. Participamos da vida em Comunidade onde somos instruídos nos ensinamentos básicos da sabedoria divina. Recebemos a instrução na fé e o conhecimento da Palavra de Deus para dar testemunho em Palavra e ação. É sobre isso que estamos conversando pelos caminhos da IECLB.

Nesse sentido, como membros ativos e participativos da Igreja somos constantemente convidados a “comer a carne” e a “beber o sangue” de Jesus, isto é, a aderir à sua pessoa, a assimilar o seu projeto, a interiorizar a sua proposta. Ao participar da Santa Ceia do Senhor, o Culto Eucarístico Luterano, estamos dando testemunho desta adesão. O Sacramento da Comunhão do Altar é o momento privilegiado onde participamos do banquete do “sim” para Deus. É na Comunhão do Corpo e Sangue de Cristo que estamos testemunhando nossa adesão constante ao projeto do Reinado de Deus neste mundo entre os “simples”.

Quem participa de uma comunidade, quem fez a decisão pela verdade do Evangelho, quem quer viver a sabedoria do Evangelho (que muitas vezes parece loucura para o mundo) precisa entender uma coisa: Um dos efeitos de participar do banquete da Comunhão do Corpo e Sangue de Cristo, isto é, da Santa Ceia, da Eucaristia, (“comer a carne” e “beber o sangue” de Jesus) é ficar em união íntima, em comunhão de vida com Jesus.

Aproveitando o Tema do Ano de 2015, nós somos como os discípulos de Emaús que caminhamos lado a lado com Jesus e precisamos aprender a interiorizar a proposta do Reinado de Deus neste mundo. Cristão e Cristã é quem vive sua vida com Jesus – em união com Cristo.

Somos a Igreja da Palavra que come e bebe o corpo e sangue de Cristo. Precisamos comungar o projeto do Reinado de Deus. Ele é o nosso pão vivo. Ele é o nosso sustento diário. É neste caminho que se chega a essa vida plena e definitiva que Jesus veio nos propor. Vamos caminhar, conversar e ter comunhão com Jesus!

Pastor Marcelo Peter
Alta Floresta – Rondônia
Sínodo da Amazônia - IECLB

Água, luz e asfalto NÃO. Taxa de Coleta de Lixo SIM?

Era uma vez uma cidade muito, muito, mas muito distante. Lá longe, no início do mundo, num lugar bonito e belo chamado Rondônia. Essa cidade muito, muito, mas muito distante, tem um nome grande: “Alta Floresta d’Oeste”.

Essa tal cidade, Alta Floresta, em Rondônia, ela fica bem na fronteira com a Bolívia. Se viajarmos uns quantos quilômetros estrada e mata adentro chegaremos a um lugar paradisíaco chamado Porto Rolim, famoso entre os aficionados pela pescaria.

A cidade de Alta floresta, em si, não é muito grande, mas o município é enorme. Tem uma área de mais de 7 km². Nesse território tão vasto vivem mais ou menos 25 mil habitantes.

O município é bem novo. Tem menos de 30 anos. Ainda está na flor da idade. Se olharmos por este ângulo, deveríamos encontrar menos problemas e mais soluções. Menos dilemas e mais oportunidades. Porém, infelizmente não é isso o que vemos, sentimos e experimentamos na bela, encantadora e charmosa Alta Floresta d’Oeste, em Rondônia, na pura fronteira com a Bolívia.

Alta Floresta é uma cidade privilegiada, pois na maior parte do ano tem um tempo chuvoso, o que favorece a agricultura e a pecuária. E, além disso, possui o Rio Branco que banha o município. Pensando assim, dá pra imaginar: “água não falta”.

Bom seria se fosse assim! Durante o mês de julho e este início do mês de agosto as famílias de Alta Floresta têm sofrido imensamente com a falta de distribuição de água. Todos os dias falta água na cidade. Todos os dias é uma desculpa diferente.

Há famílias que têm poços artesianos. Porém, a grande não os tem. Então, para cozinhar, lavar e fazer o básico de um lar falta água.  Alguns lares estão sem água há mais de uma semana.

Ok. Mas, tem outro detalhe, nesse tal Rio Branco, a prefeitura municipal concedeu autorização para uma empresa privada construir oito (8) PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas). Sendo assim, pela lógica, você vai dizer: “água potável não tem, mas pelo menos tem luz elétrica de qualidade!”.

Engana-se meu amigo! Essas PCHs produzem eletricidade, mas não para o município. Toda a eletricidade produzida em nossos rios é direcionada para outros municípios e regiões. Aqui, nós sofremos com a constante falta de luz. É comum ter quedas no fornecimento de eletricidade a qualquer momento do dia ou da noite.

Eu mesmo já tive que comprar vários itens eletrônicos novos por conta dos blackouts sofridos. Quantas vezes mandei o computador e suas peças para manutenção por conta das “quedas de luz”. Numa certa feita ficamos quase 18 horas sem eletricidade na cidade. Quem trabalha assim?

Mudando de rota, mas continuando na estrada, vamos falar do asfalto. Quer dizer, não vamos falar do asfalto, porque não tem mais asfalto para chegar até a cidade de Alta Floresta. É nisto que se resume a precariedade da rodovia. A maioria dos acidentes acontece não por imprudência, mas pelas más condições da rodovia que dá acesso ao município. Não digo que existam buracos no asfalto. O asfalto é um grande buraco que se estende por longos quilômetros.

Não bastando esses pequenos e comensuráveis problemas. Coisinhas simples que não irritam nem um pouco a população, vejam a novidade do momento: COBRANÇA DE TAXA DE COLETA DE LIXO.

Agora a Prefeitura Municipal, que não tem conseguido resolver os problemas básicos da população, não satisfeita, uniu-se ao poder legislativo para arrecadar mais tributos do contribuinte.

Em Primeiro Lugar, sou contra a cobrança da Taxa de Coleta de Lixo por ser um serviço que deve ser oferecido pela municipalidade devido aos diversos tributos que já pagamos;

Em Segundo Lugar, sou contra a cobrança, pois a já efetuamos pagamento do IPTU, onde consta uma variedade de taxas, nas quais estão inclusos tributos que nem deveríamos pagar.

Em Terceiro Lugar, sou contra o valor abusivo cobrado nesta taxa. Penso no trabalhador comum que ganha um salário mínimo, pagando a cota abusiva que está sendo emitida. Como este cidadão vai alimentar a sua família?

Em Quarto Lugar, quando analisamos a implementação desta cobrança em outras localidades brasileiras, percebemos uma total aversão à mesma e um movimento social em contra da cobrança.

No Rio de Janeiro, tentaram cobrar pela Limpeza dos espaços públicos e pela coleta de lixo. Foi considerado inconstitucional a cobrança individual da tarifa.[1]

Ainda há outros exemplos espalhados pelo Brasil afora que podem ajudar a elucidar a situação. Enfim, querem cobrar algumas taxas? Então, resolvam os problemas básicos da população primeiro, porque assim não pode, assim não dá!

Se você enquanto cidadão e cidadã quer somar forças para questionar essas decisões tomadas pelo Poder Executivo e Legislativo sem o nosso consentimento, então compareça na Secretaria na Paróquia Nossa Senhora da Penha (Igreja Católica) em Alta Floresta e coloque a sua assinatura no “ABAIXO-ASSINADO” em questionamento pela cobrança da “Taxa de Coleta de Lixo”.

Marcelo Peter
Cidadão de Alta Floresta - Rondônia




[1] BRASIL. Supremo Tribunal Federal, Primeira Turma. Tributário. Agravo de Instrumento nº 245539 / RJ. Município de Rio de Janeiro e Raul Cid Loureiro. Relator: Min. Ilmar Galvão. 14 dez. 1999. Disponível em:. Acesso em: 11 agos. 2015.

Homenagem de Bodas de Ouro para VALDEMAR e NELI BREUNIG

Senhor Valdemar e Dona Neli,

Como eu não posso estar presente aí, em Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, com vocês, porque estou a mais de 3 mil km de distância, então eu aproveito os meios de comunicação para transmitir o meu abraço e os meus mais sinceros votos de ricas bênçãos de Deus nestes 50 anos de vida matrimonial.

Finalmente, Bodas de Ouro.



Veja, uma vez, um amigo meu, que é pastor, disse: “gasta-se poucos minutos para celebrar-se um casamento, porém demora-se meio século para se realizar um casamento de ouro...  E isto é a mais pura verdade.

Nesse sentido, conhecendo vocês dois, tendo sido vizinho, amigo e pastor, posso afirmar: há 50 anos vocês se uniram pelos laços matrimoniais e durante todo este longo tempo compartilharam juntos alegrias, tristezas, tanta coisa...

Amar, pra vocês dois, é viver com determinação aquilo que Cristo deseja para a vida de vocês. Por isso, todas as pessoas que amam vocês dois e tem carinho por vocês, todas elas reconhecem que vocês são um casal de ouro; vocês são um casal que vale mais do que ouro. O amor de vocês vale ouro.

No convite para as Bodas de Ouro vocês escreveram o versículo bíblico de 1ª Pedro 4.10, que diz: “Servi uns aos outros, cada qual conforme o dom que recebeu como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.” E vocês ainda completaram dizendo que estão agradecidos ao Senhor nosso Deus que conduziu vocês até aqui.

Pois bem, inspirado neste versículo bíblico, nas palavras de vocês e no testemunho de fé que vocês sempre deram, a partir de hoje, vocês estão prontinhos para começar outros cinquenta anos... vivendo com muita alegria esta nova etapa da vida.

Desejo a vocês a maior felicidade do mundo!!! Parabéns por estes 50 anos juntos... Parabéns por este casamento de ouro e que Deus continue abençoando vocês!

Marcelo Peter
Pastor da IECLB
Sínodo da Amazônia

Permanecei em mim para não ter um evangelho de "segunda mão" (João 15. 1-17)

Você já comprou alguma coisa de “segunda mão”? E aí, como foi sua experiência?

Eu vou confessar: a minha primeira bicicleta, quando era criança, eu comprei de “segunda mão”. Eu vendia jornais na cidade onde eu nasci e juntei dinheiro por muitos meses até conseguir um determinado valor para comprar a minha tão sonhada bicicleta. Só que, vendendo jornais, eu não conseguia juntar “tanto” dinheiro assim. Por isso, tive que comprar uma bicicleta de “segunda mão”.
         
Mas, não entenda mal. Não foi um negócio ruim. Muito pelo contrário. Durante muitos anos eu pude usufruir da minha bicicleta de “segunda mão”.
         
Quando estávamos na faculdade, eu e meus amigos, não tínhamos condições financeiras de comprar móveis e utensílios para a nossa república de estudantes. Sabe o que a gente fazia? Íamos aos bairros da cidade e comprávamos móveis usados, ou seja, de “segunda mão”. E moramos anos e anos com camas, roupeiros, mesas, fogão e tanto outros itens domésticos de “segunda mão”. Meu primeiro computador, no terceiro ano da faculdade, foi de “segunda mão”.
         
A gente pode adquirir o que a gente quiser de “segunda mão”. Tem muita coisa que vale a pena a gente adquirir assim. Em algumas cidades, lojas de móveis usados (briccs), de roupas usadas (bazares), de livros usados (sebos) e ainda tantas outras são uma ótima alternativa. Agora, uma coisa não é possível, nem aceitável, que tenhamos de “segunda mão”: O Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
         
Tem muita gente, por aí afora, muitos bons cristãos, que somente conhecem um evangelho de “segunda mão". Tudo o que eles sabem sobre Jesus e sua mensagem provém simplesmente da tradição popular, de “estorinhas” que ouvem no rádio ou veem nos filmes (principalmente na época da semana santa ou do natal). Tem muita gente que vive sua fé sem ter um contato pessoal com as "palavras de Jesus". Deste modo, elas têm um evangelho de “segunda mão”.
         
Para que não vivamos a fé cristã de “segunda mão”, mas, ao contrário, tenhamos uma fé em “Primeira Mão” é necessário, fundamental e imprescindível que vivamos em comunidade, participemos da vida celebrativa de nossa Igreja, e que tenhamos contato direto com a Palavra de Deus. Não é possível ser cristão sem esses elementos. A vida comunitária da fé é elemento essencial para a pessoa cristã. Desta maneira no mantemos unidos e firmes com nosso Senhor e Salvador, Cristo Jesus.
         
É sobre isso que nos fala o evangelho de João no capítulo 15. Ali, Jesus revela a seus discípulos seu desejo mais profundo: "Permanecei em mim". Conforme as palavras de Jesus, se não permanecermos unidos a Ele, não conseguiremos sobreviver (existir, ser).
         
As palavras do evangelho afirmam: "assim como o ramo que não fica unido à videira não pode dar fruto, vocês também não poderão dar fruto, se não ficarem unidos a mim". Nós não podemos e não conseguimos fazer nada sem este contato direto com Jesus.
         
Aí é que está o segredo, a chave, para entendermos o porquê de não podermos viver a fé cristã com um evangelho de “segunda mão”. Isso não é, de modo algum, aceitável. Por meio das celebrações, da comunhão e estudo da Palavra de Deus entramos em contato direto com a mensagem de vida, fé e esperança de nosso Senhor e Salvador.
         
Na Palavra de Deus encontramos a base para firmar nossa vida em um solo fértil e frutífero. Por meio da vida em comunidade podemos conhecer e ter contato direto com Jesus Cristo.
         
Quem permanece unido com Cristo, permanece em seu amor. Este tem um Evangelho em primeira mão. Quem vive somente com o evangelho de “segunda mão”, este não consegue experimentar o amor de Deus concreto e perceptível através da comunhão fraterna.
         
Lembremos: bens materiais de “segunda mão”, por que não! Evangelho? Só em primeira mão!

Marcelo Peter
Pastor da IECLB em Rondônia

Sínodo da Amazônia

IN EXILIUM (exspectantes resurrectionem)

IN EXILIUM (exspectantes resurrectionem)

O lamento que agora sobrevém
Não destoa da dor que se arremete
Antes o temor pairava
Agora a incerteza reina.

Clamar e anunciar lamento?
Condoer e lamuriar tormento?
Existirá ainda vislumbre?
Poder-se-á viver algo novo?

Assim pranteia o coração decadente
Em seu pavor, ressoa:
A dor de outrora.
Bem como de agora.

Mas não pranteará eternamente.
Eterno será!
Não o pranto.
Porém, sim, o júbilo.



Marcelo Peter

(um poema sobre a Paixão e a esperança da ressurreição)

EU PRECISO DAR A MINHA OFERTA!

Hoje meu dia de atividades pastorais começou bem cedo. Foram cultos, visitas, encontros de jovens e as longas viagens entre uma comunidade e outra. Já eram quase 20hs quando retornei pra minha cidade sede.

Minha última tarefa do dia seria simplesmente reabastecer o carro da Paróquia e voltar pra minha casa pra descansar. Foi aí, quando eu pensei que nada mais poderia acontecer, que me surpreendi com uma situação muito interessante:

Cheguei ao posto de combustível, encontrei o frentista Miguel, que já me conhece bem. Ele já sabia o que eu queria: - “Completa o tanque com gasolina comum, olha a água e verifica o óleo, por favor!”

Enquanto ele abastecia a gente jogava conversa fora. Até aí, tudo normal. Como sempre acontece! Na hora de ir para o caixa é aconteceu algo diferente.

O Miguel estava imprimindo o cupom fiscal, enquanto eu lhe pagava o combustível e chega um senhor, pedindo: - “Troca uma nota de 50 reais por quatro de 10 e duas de 5 pra mim, por favor.”

- “Desculpe, mas eu não tenho muito trocado aqui no caixa.” Disse o Miguel. Aquele senhor tentou insistir novamente que precisava trocar o dinheiro, mas Miguel mostrou: - “Só tenho essa nota de cinco e o restante não dá pra trocar para o senhor.”

O senhor então resolveu mudar de argumento: - “Faz o seguinte, me empresta esses 5 reais que eu deixo minha nota de 50 reais aqui e depois eu pego de volta.”

Eu olhei aquela cena e esse argumento me chamou muito a atenção. Não aguentei e perguntei: - “Mas, porque o senhor quer tanto uma nota de 5 reais a ponto de deixar a sua de 50 reais aqui, como garantia?”

O senhor foi categórico: - “Eu estou indo pra Igreja e preciso dar a minha oferta!”

Abri a minha carteira e vi que eu tinha duas notas de 20 reais e também duas de 5 reais. Troquei o dinheiro para aquele senhor e fiquei ali parado. Enquanto ele guardava seu dinheiro na sua carteira, eu o observava com mais atenção.

Ele deve ter por volta de uns 70 anos. Como falava muito alto e olhava com atenção pra minha boca, percebi que possivelmente ele não ouve muito bem. Continuei observando e percebi que ele pegou uma velha bicicleta e saiu montado nela. Junto com ele seguia um magro e feio cachorro. E assim foi aquele senhor que “precisava dar a sua oferta”.

Depois de um longo dia de pregações e atividades pastorais o Evangelho me ensinou mais uma lição. Foi ao final do dia, quando tudo já estava feito, que eu entendi o amor e a dedicação pela causa do Evangelho.

Quantas vezes, você ou eu nem pensamos em dar a oferta no culto? Quantas foram as vezes que a oferta foi anunciada no culto e a gente procurou, cautelosamente, uma “notinha” de 2 reais ou “umas moedinhas”.

Aquele senhor, que não sei o nome, que não sei de qual Igreja é, ele fez diferente. Ele foi para a Igreja motivado a dar sua oferta. Ele se preparou para dar de coração seus 5 reais.

Acho que precisamos reaprender um pouco mais com os velhos senhores que andam de bicicleta. Acredito que precisamos reaprender a doar nossa vida em favor do Evangelho!

Pastor Marcelo Peter
Alta Floresta – Rondônia
Sínodo da Amazônia

A LITURGIA E AS CORES: sua função e significado dentro do celebração do culto

Muitas pessoas perguntam e questionam o porquê de usar determinadas cores na mesa do altar, no púlpito e em outros espaços litúrgicos. Por que verde, roxo, vermelho? Por que nesta ou naquela época do ano?


O uso das cores litúrgicas pode ajudar-nos a compreender o que estamos celebrando.


BRANCO: é o resultado de  todas as cores juntas, simboliza a pureza, paz, alegria, júbilo. Sendo assim é usada no Natal e na Epifania, durante todo o tempo pascal. Usa-se em todas as festas de Cristo. Na Bíblia encontramos textos que nos ajudam a refletir essa interpretação: Mc 16,5; Ap 19, 14 e Mt 17,2.

VERMELHO: nos traz à imaginação o fogo e o sangue. Sendo assim, seu simbolismo adapta-se ao sentido do amor ardente: uma paixão tão profunda que leva a doação da própria vida. É a melhor aproximação simbólica dos tormentos do Cristo sofredor. É usada do Domingo de Ramos, em Pentecostes, na Confirmação, em Casamentos e outras festas da igreja. Na Bíblia podemos interpretar algumas passagens, tais como: Mateus 27.27-29 e Apocalipse 19. 11-13. 

VERDE: é a cor da vegetação mais viva, e daí advêm a essa cor diversos simbolismos e aproximações metafóricas: é a cor do equilíbrio ecológico, da serenidade, e sobretudo simboliza a esperança. O verde é a cor do Tempo Comum. Simboliza os frutos que o mistério pascal de Cristo deve produzir nos corações Das pessoas. Na Bíblia podemos ler que o verderefere-se ao ambiente perfeito do Jardim do Éden: Gênesis 1. 11-12, Salmo 52.8.

ROXO: É a junção do azul e do vermelho. Indica discrição, contrição, penitência, e às vezes adquire uma conotação de dor e tristeza. Sendo assim é a cor que distingue as celebrações do tempo do Advento e Quaresma e da semana santa. Também é utilizada nas celebrações penitenciais, no Aconselhamento Pastoral, nas visitas hospitalares. Na Bíblia na encontramos referências para a cor roxa, mas para seu paralelo, o “púrpura” (Daniel 5. 29) e o “azul” (Números 15. 38-41).

PRETO: É a negação da cor, evoca espontaneamente a escuridão, falta de luz; é tipicamente a cor do luto e da tristeza. Usado com frequência na Sexta-Feira da Paixão, Finados e em sepultamentos. Na Bíblia podemos interpretar a partir de Ester 4. 3; Lamentações 4.8 e Jeremias 14. 2-5.



















Pastor Marcelo Peter