Mensagens da Reforma Luterana

Outubro é o mês da Reforma Luterana. Nós estamos celebrando e vivendo este tempo bendito neste ano da graça do Senhor. Convido você a meditar conosco através de alguns temas importantes para a vida de fé do povo luterano. Aqui você vai encontrar seis (6) programas de rádio com mensagens especiais para o tempo da Reforma:

Programa 1: OS LUTERANOS E A LIBERDADE (Discorre acerca de um tos temas centrais e fundamentais da Reforma Eclesiástica liderada por Lutero e seus companheiros. A mensagem é interpretada para a realidade de nossas Comunidades).

Programa 2OS LUTERANOS E AS ELEIÇÕES (Em outubro de 2014 o Brasil passou pelo processo eleitoral para os poderes legislativo e executivo em níveis estaduais e federal. A IECLB também teve seu processo eleitoral através do Concílio Geral em Rio Claro/SP. O tema do programa está interligado ao compromisso social e político da pessoa cristã. Este tema foi enfatizado por Lutero no transcorrer da Reforma).

Programa 3OS LUTERANOS E A CRIANÇAS (Como explicar o Evangelho, a Salvação e o Reino de Deus para uma Criança? Lutero, ao educar seus filhos na fé em Cristo, nos ensina como pregar o Evangelho às nossas pequeninas crianças).

Programa 4OS LUTERANOS E AS MULHERES (A partir da Reforma Luterana as mulheres passaram a ter um papel diferente na vida da Igreja. Elas começaram a ser valorizadas e receberam o devido protagonismo que lhes é peculiar. Lutero, testemunha, na vida matrimonial e eclesiástica, qual o valor e o respeito devido ás mulheres de ontem, hoje e amanhã).

Programa 5OS LUTERANOS, O PECADO E A SALVAÇÃO (Falar de Pecado e Salvação para alguns pode parecer conversa ultrapassada. Para outros assunto pouco relevante. Lutero e a Igreja Luterana nos mostram como este assunto está intimamente interligado com a nossa vida também na atualidade).

Programa 6: REFORMA LUTERANA - 497 ANOS DE REFORMA E 190 ANOS DE IECLB (Na semana da Reforma Luterana um programa radiofônico especial com mensagem e interpretações musicais em homenagem á Reforma da Igreja Cristã).

Pastor Marcelo Peter

Corrupção, nepotismo, desvio de verba e uma CPI no “Jardim do Éden”

O ser humano nunca está contente e satisfeito com aquilo que tem; com o que lhe é confiado ou com suas tarefas, responsabilidades e atribuições. Sempre a pessoa humana é orgulhosa e avilta por caminhos que a levem a ter mais, possuir mais ou conseguir algo que faça encher-lhe mais o ego (o bolso).

Desde o Jardim do Éden nós vemos isso. Quando lemos os três primeiros capítulos da Bíblia – Genesis 1 a 3 – percebemos isto:

Deus criou a humanidade em perfeitas condições. Fez tudo de maneira organizada e maravilhosa. Deixou tudo pleno e equilibrado para que o primeiro casal pudesse viver bem e cumprir com seus deveres sem muita dificuldade.

O Criador do universo deu muitas regalias para o primeiro casal. Eles tinham muitas vantagens e benefícios no Jardim do Éden. Não tinham muitas preocupações, bastava simplesmente zelar pelo bom andamento da vida no Paraíso. Eles (Adão e Eva) deveriam cuidar da terra, crescer e multiplicar-se (habitar a terra). Gente, que tarefa fácil!

Unh, é claro, não podemos esquecer que Deus deixou uma informação bem objetiva: no Jardim do Éden havia duas árvores especiais. Uma era a Árvore da Vida. Desta o casal poderia e deveria comer tranquilamente, pois ela fazia com que eles vivessem para sempre. Ahhhh! Imortalidade, o desejo e anseio de toda a humanidade.

Agora, da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal jamais deveriam provar. A regra era clara e o comportamento ético do casal estava literalmente estabelecido.

Mas, a corrupção e o desvio de verba já começaram ali. Bastou uma simples conversa com a cobra pra começar a política de interesses e toda essa corja de atitudes. A Cobra, creio eu, é o primeiro político de carreira, pois já no Genesis ela conseguiu dois votos.

Eva não resistiu à oferta da cobra. Ela pensou nos benefícios que teria, nas vantagens que poderia tirar, nos ganhos pessoais. Ela não hesitou. A mulher participou da primeira corrupção da história.

E Adão, o homem? Ele é menos culpado? Não, de maneira alguma. Aqui temos o primeiro caso de nepotismo. Eva quis as mesmas vantagens para seu marido. Ela lhe deu o fruto da árvore. Aqui temos um caso gravíssimo de desvio de verba no Jardim do Éden.

A situação não iria ficar fácil. Deus veio e foi montada uma CPI para fazer um inquérito do que havia acontecido. A cobra, real responsável pela corrupção não foi chamada para depor. Possivelmente o primeiro casal deve ter encontrado algum recurso ou liminar que tenha justificado sua ausência no plenário.

Bom, começou o julgamento dos casos de fraude encontrados na administração do Jardim do Éden. O primeiro a depor foi Adão. Como de costume ele não sabia de nada, não conhecia nada e não assumiu a culpa. Quando foi perguntado de maneira direta, ele culpou a mulher Eva.

Então Eva foi chamada para depor. Ela tentou usar os mesmos argumentos do marido, mas viu que não teria como se safar, pois a Comissão (CPI) não estava preocupada com seus interesses pessoais. Desta maneira ela não pensou duas vezes: culpou a cobra.

Finalmente a cobra foi chamada para depor. Mas, a essas alturas as provas de incriminação eram tantas que nem foi preciso fazer uma delongada audiência. Essa CPI não terminou em pizza. Os três envolvidos nos crimes políticos foram condenados e sentenciados. Bom, o resto da história nós já sabemos!

Agora, será que na nossa política brasileira a gente precisa continuar repetindo os mesmos erros de Adão, Eva e a Cobra? Não!!! Precisamos continuar vendo o Brasil crescer. Precisamos continuar lutando por uma política realmente justa e coerente?

Marcelo Peter
Graduado em Teologia pela “Faculdades EST”

Pastor Luterano (IECLB) em Alta Floresta - Rondônia

Em época de Eleição: Como vencer qualquer debate mesmo sem ter a razão.

Estamos vivenciando o final do pleito eleitoral de 2014. O segundo turno das eleições presidenciais estão a todo o vapor. E o que mais tem chamado atenção são os debates entre a Presidente Dilma Roussef e o Senador Aécio Neves. Os dois candidatos ao Planalto, nos debates, trocam farpas e deletreiam acusações mútuas. A hostilidade entre ambos chega a ser assustadora.

Em alguns momentos dos debates, sinceramente, parece que identifico uma teoria do filósofo Arthur Schopenhauer. Ele escreveu o livro “A Arte de ter Razão”. Nesta obra o autor lista 38 estratagemas (ações planejadas) para vencer qualquer debate mesmo se não tiver a razão. Uma das estratégias é “enfurecer o oponente”. Parece-me que o Senador Aécio é fã desta em especial.

A base das sugestões de Schopenhauer é que o debatedor use das mais variadas táticas de trapaça, incluindo a mentira e a calúnia. Sinto que estas também se mostram muito presentes nestes debates entre a Presidente Dilma e o Tucano Aécio.

Mas, eu quero que você, lendo este texto, possa identificar e tirar a próprias conclusões, pois ainda veremos, nesta semana, último debate dos presidenciáveis.

Nas linhas abaixo procuro resumir essas “estratagemas” de Schopenhauer para que você tenha uma substancial compreensão do que venho observando nos debates:

IMPORTANTE: a intenção não é convencer o oponente, mas convencer o público de que você está em vantagem!

“38 estratagemas que podem ser usados para vencer uma discussão mesmo sem ter a razão”
1)        Exagere o aquilo que o seu oponente está defendendo;
2)        Refute seu oponente com colocações que façam ele confundir a argumentação. Ex.: ele está falando de Economia e você responde sobre mobilidade urbana;
3)        Responda seu oponente ignorando o assunto que ele abordou e faça uma refutação com argumentação bem ampla;
4)        Faça perguntas ocultando a sua conclusão até o último momento da questão;
5)        Use as crenças do seu oponente contra ele;
6)        Deixe as questões confusas usando as palavras do seu oponente fora de contexto;
7)        Procure fazer muitas perguntas ao mesmo tempo;
8)        Deixe o seu oponente furioso;
9)        Use as respostas do seu oponente para contradizê-lo.
10)      Se o seu oponente responde a todas as questões com oposição, faça perguntas até que ele seja obrigado a concordar. Isso mostrará que você fez ele mudar de opinião.
11)      Caso o seu oponente concorde com algo que você falou, não conclua o assunto. Em uma questão futura retorne ao tema e diga que anteriormente o próprio oponente concordou com sua posição;
12)      Se o oponente partir para o campo das ideias, use conceitos e metáforas aleatórias para confundir as colocações do mesmo.
13)     Para que seu oponente concorde com você apresente variadas posições, de modo que ele não possa negar todas as possibilidades e cair em contradição (com certeza ele vai se contradizer);
14)     Tente enganar o seu oponente com informações que não existem na forma como você está expondo;
15)     Se você tem um tema difícil de ser provado, procure desviar dele a todo momento;
16)     Considere as proposições de seu oponente como inconsistentes e não verdadeiras;
17)     Se seu oponente te encurralar em algum tema que você não tem como negar responda dizendo o mesmo que ele expôs, mas com expressões e significados diferentes dos dele.
18)     Se o seu oponente está num tema que facilmente o levará a contradição, escancaradamente, evite-a trazendo subtemas paralelos;
19)     Caso seu oponente queira que você exponha argumentos práticos e você não tem o que dizer, dê a volta e faça-o ter que expor os exemplos na réplica. Na tréplica você simplesmente concorda com ele e repete os argumentos com propriedade;
20)     Se seu oponente concordar com suas colocações, conclua o pensamento com tranquilidade;
21)     Quando seu oponente usar um argumento superficial, refute-a e rebata com um contra-argumento tão superficial quanto;
22)     Se o seu oponente pedir que você admita alguma coisa a partir da qual o ponto em discussão pode ser concluído, recuse-se a fazê-lo;
23)     Contradizer o oponente faz com que ele fique irritado e exagere nas declarações. Abuse desse artificio.
24)     Use falsos silogismos (argumentação lógica perfeita). Ao correlaciona-las você faz com que seu oponente responda com uma lógica irreal;
25)     Se o seu oponente generalizar. Demonstre o erro dele fazendo o contrário;
26)     Sempre utilize os argumentos do oponente contra ele;
27)     Se o seu oponente ficar indignado em vista de um argumento seu, continue utilizando-o. Isso vai enfurecer seu adversário;
28)     Ridicularize seu oponente demonstrando que ele não tem autoridade no assunto abordado;
29)     Caso seu oponente comece a vencer as discussões, use de ironia e crie uma argumentação divertida para confundir;
30)     Se você conhece os ideais do seu oponente apele para autoridades ou autores que ele respeita. No caso da religião isso funciona ao usar argumentos da própria religiosidade do oponente;
31)     Se você que não tem como responder a uma determinada questão, seja irônico e argumente que a questão é tão incabível que nem merece ser respondida da maneira como o oponente deseja;
32)     Uma maneira de se livrar facilmente de uma declaração de seu oponente é criar um ar de categoria odiosa. Ex.: isso é racismo, superstição, machismo...;
33)     Admita que o que o seu oponente disse é verdade, mas conclua que na prática não funciona desse jeito;
34)     Se você questionar seu oponente com uma pergunta direta e seu oponente a contornar com outra pergunta ou tentando mudar de assunto, parabéns, você chegou ao ponto fraco dele. Insista na questão com uma formulação diferente;
35)     Ao invés de se preocupar com o intelecto de seu oponente, procure entender os motivos que o fazem agir de uma maneira ou de outra;
36)     Confunda seu oponente com falas e proposições eloquentes e falsamente eruditas;
37)     Caso seu oponente esteja correto, mas apresente argumentação falha, aproveite a proposição dele e utilize exemplos mais sólidos;
38)     Caso ainda não tenha vencido, vá para o ataque pessoal. Use e abuse da agressividade e grosseria nas colocações. Partindo para o ataque pessoal e abandonando o assunto você provoca profundamente seu oponente e o faz perder o foco.

Não recomendo usar essas técnicas. Cabe lembrar que Arthur Schopenhauer entrou para a história sendo conhecido como “O Filósofo Ranzinza”. E, ninguém quer ser conhecido assim.

Mas, venhamos e convenhamos, não é isso que vemos nesses debates?

Marcelo Peter
Graduado em Teologia pela “Faculdades EST”
Pastor Luterano (IECLB) em Alta Floresta - Rondônia