O AVIÃO QUE SUMIU E OS PASSARINHOS QUE NÃO OBSERVAMOS

Acabei de ouvir o noticiário matutino da CBN Notícias no qual Arnaldo Jabor fez sua crônica radiofônica do dia. O famoso cronista começa falando do assunto do momento: o sumiço do avião.

Como ou quando o avião, deliberadamente ou não, teve sua rota alterada, isso eu não sei. Mas, o assunto me fez refletir um pouco acerca dos “alados” que trafegam em nossas vias aéreas. Além dos aviões, comecei a pensar também nos passarinhos. E, me fiz uma pergunta: o que eu gostaria de ser, um AVIÃO OU PASSARINHO?

Jesus Cristo, em Mateus 6.26, afirma: “Observai as aves do céu”. Mesmo que metaforicamente, observe e questione: o que você quer ser, um avião ou um passarinho?

O avião é estrondoso, grande e tem presença. É importante. Possui turbinas e motores. O avião chega e aparece. Chama atenção, atrai olhares, causa impacto (às vezes impacto até demais – sumindo de rota). Às vezes somos como o avião. Ora por vontade, ora a contragosto. De todos os modos, muitos desses aspectos se assemelham a atitudes que tomamos ao largo dos dias.

O grande problema é que nem sempre encontramos aeroporto que suporte o nosso estilo avião de ser. E, com toda certeza, muitas pessoas queridas, das quais gostamos, não conseguem conviver em meio ao irritante e estrondoso barulho de nossas turbinas.

Tudo bem que o avião é importante e cause admiração, mas não conheço muitas pessoas que queiram morar ao lado de um aeroporto e conviver com seu barulho diário. Por mais que o avião seja útil e necessário, quem nele entra, em algum momento, dele também quererá sair.

Passarinhos, por sua vez, nem sempre são notados. São frágeis, pequenos, simples, mas quando cantam são ouvidos pelos amantes da natureza.

Numa tarde de calor, no auge da primavera, é tão bom e tão agradável sentar sob uma árvore e ouvir as lindas melodias daqueles pequenos voadores, quando pousados nos galhos. Nas manhãs, quando o sol vem raiar, os passarinhos cintilam pelo ar saudando mais um novo dia que Deus nos presenteia. Após dias chuvosos, com o abrir de novos céus, seu alegre canto restaura o brilho, encantando a vida e proporcionando um renovo no ar.

Passarinhos, quando voam, parecem bailar no céu azul. E, para aqueles que entendem e se deixam levar pelo baile e pela música dos passarinhos, tudo é uma “boa-nova” de Deus. Do Deus da vida, da natureza (como bela criação), da realidade de graça infinita.

Simplesmente por isso, por isso tudo, desejemos ser passarinhos e não mais aviões. Que Deus nos ajude a ser como um passarinho: simples-amigável, pequeno-humilde, voador-sonhador, cantor-evangelizador. Simplesmente um passarinho!

Talvez um sabiá, um bem-te-vi, um quero-quero, um pardal, uma andorinha ou qualquer outro da rica criação de Deus. Peçamos ao Deus da vida, Aquele que se revela também na criação, nos seus passarinhos, que Ele ajude para sejamos passarinhos que cantam, encantam, dançam e alegram a vida.


Pastor Marcelo