MENSAGENS PARA O TEMPO DO ADVENTO

MENSAGENS RADIOFÔNICAS PARA O ADVENTO 

"Advento é tempo de novidade"
"Esperança e Vida Nova no Advento"
"Como surgiu a Coroa de Advento?"
"Advento - aprendendo a ser  confiáveis"


Pastor Marcelo Peter
Sínodo da Amazônia - IECLB
Alta Floresta-RO

O ÔNIBUS do Sínodo da Amazônia

Cada um dos 18 Sínodos que formam a IECLB têm, em si, suas particularidades, riquezas e características bem específicas. Porém, o Sínodo da Amazônia tem algumas características tão particulares e específicas que o distingue entre outros Sínodos da IECLB. É justamente nisto que está nossa riqueza, beleza, mas também nosso desafio missionário e evangelístico.
Percebemos que podemos fazer a seguinte alegoria para falar de nossa realidade sinodal (eclesial) aqui no norte do Brasil. O nosso Sínodo é como um ônibus. A gente está na estrada, no caminho, em viagem... em movimento.
Nosso Sínodo é formado por membros de Comunidades que estão sempre migrando. Nossos desafios estão sempre se transformando, porque o ônibus dos membros está sempre em movimento. A cada estação, em cada parada, o ônibus é o mesmo, mas a composição dos passageiros se mostra diferente. Isso é rico, mas é desafiador.
Assim também acontece com os ministros e as ministras de nosso Sínodo. A cada ano, os bancos do nosso ônibus ministerial está diferente. Somente em 2014 esse ônibus já mudou de maneira considerável. Para 2015 já sabemos que vai mudar mais ainda.
Neste ônibus, às vezes todas as poltronas estão ocupadas; de vez em quando surge uma vaga. O ônibus faz uma parada, alguns descem. Em outra parada, outros sobem. No meio do caminho uns trocam de lugar dentro do próprio ônibus. 
Esta é nossa realidade: os membros das Comunidades e Paróquias estão em constante movimento. Os Ministros e as Ministras também. Isso é ser Igreja! Estamos em movimento e precisamos aprender a nos mover nessas estradas, linhas e rodovias da vida eclesiástica. 
Que Deus, o nosso guia, esteja conosco, por isso oramos junto com o salmista: “Ó Senhor Deus, ensina-me a fazer a Tua vontade e guia-me por um caminho seguro.” (Sl 27.11a)

P. Marcelo Peter
Alta Floresta-RO
Sínodo da Amazônia


Mensagens da Reforma Luterana

Outubro é o mês da Reforma Luterana. Nós estamos celebrando e vivendo este tempo bendito neste ano da graça do Senhor. Convido você a meditar conosco através de alguns temas importantes para a vida de fé do povo luterano. Aqui você vai encontrar seis (6) programas de rádio com mensagens especiais para o tempo da Reforma:

Programa 1: OS LUTERANOS E A LIBERDADE (Discorre acerca de um tos temas centrais e fundamentais da Reforma Eclesiástica liderada por Lutero e seus companheiros. A mensagem é interpretada para a realidade de nossas Comunidades).

Programa 2OS LUTERANOS E AS ELEIÇÕES (Em outubro de 2014 o Brasil passou pelo processo eleitoral para os poderes legislativo e executivo em níveis estaduais e federal. A IECLB também teve seu processo eleitoral através do Concílio Geral em Rio Claro/SP. O tema do programa está interligado ao compromisso social e político da pessoa cristã. Este tema foi enfatizado por Lutero no transcorrer da Reforma).

Programa 3OS LUTERANOS E A CRIANÇAS (Como explicar o Evangelho, a Salvação e o Reino de Deus para uma Criança? Lutero, ao educar seus filhos na fé em Cristo, nos ensina como pregar o Evangelho às nossas pequeninas crianças).

Programa 4OS LUTERANOS E AS MULHERES (A partir da Reforma Luterana as mulheres passaram a ter um papel diferente na vida da Igreja. Elas começaram a ser valorizadas e receberam o devido protagonismo que lhes é peculiar. Lutero, testemunha, na vida matrimonial e eclesiástica, qual o valor e o respeito devido ás mulheres de ontem, hoje e amanhã).

Programa 5OS LUTERANOS, O PECADO E A SALVAÇÃO (Falar de Pecado e Salvação para alguns pode parecer conversa ultrapassada. Para outros assunto pouco relevante. Lutero e a Igreja Luterana nos mostram como este assunto está intimamente interligado com a nossa vida também na atualidade).

Programa 6: REFORMA LUTERANA - 497 ANOS DE REFORMA E 190 ANOS DE IECLB (Na semana da Reforma Luterana um programa radiofônico especial com mensagem e interpretações musicais em homenagem á Reforma da Igreja Cristã).

Pastor Marcelo Peter

Corrupção, nepotismo, desvio de verba e uma CPI no “Jardim do Éden”

O ser humano nunca está contente e satisfeito com aquilo que tem; com o que lhe é confiado ou com suas tarefas, responsabilidades e atribuições. Sempre a pessoa humana é orgulhosa e avilta por caminhos que a levem a ter mais, possuir mais ou conseguir algo que faça encher-lhe mais o ego (o bolso).

Desde o Jardim do Éden nós vemos isso. Quando lemos os três primeiros capítulos da Bíblia – Genesis 1 a 3 – percebemos isto:

Deus criou a humanidade em perfeitas condições. Fez tudo de maneira organizada e maravilhosa. Deixou tudo pleno e equilibrado para que o primeiro casal pudesse viver bem e cumprir com seus deveres sem muita dificuldade.

O Criador do universo deu muitas regalias para o primeiro casal. Eles tinham muitas vantagens e benefícios no Jardim do Éden. Não tinham muitas preocupações, bastava simplesmente zelar pelo bom andamento da vida no Paraíso. Eles (Adão e Eva) deveriam cuidar da terra, crescer e multiplicar-se (habitar a terra). Gente, que tarefa fácil!

Unh, é claro, não podemos esquecer que Deus deixou uma informação bem objetiva: no Jardim do Éden havia duas árvores especiais. Uma era a Árvore da Vida. Desta o casal poderia e deveria comer tranquilamente, pois ela fazia com que eles vivessem para sempre. Ahhhh! Imortalidade, o desejo e anseio de toda a humanidade.

Agora, da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal jamais deveriam provar. A regra era clara e o comportamento ético do casal estava literalmente estabelecido.

Mas, a corrupção e o desvio de verba já começaram ali. Bastou uma simples conversa com a cobra pra começar a política de interesses e toda essa corja de atitudes. A Cobra, creio eu, é o primeiro político de carreira, pois já no Genesis ela conseguiu dois votos.

Eva não resistiu à oferta da cobra. Ela pensou nos benefícios que teria, nas vantagens que poderia tirar, nos ganhos pessoais. Ela não hesitou. A mulher participou da primeira corrupção da história.

E Adão, o homem? Ele é menos culpado? Não, de maneira alguma. Aqui temos o primeiro caso de nepotismo. Eva quis as mesmas vantagens para seu marido. Ela lhe deu o fruto da árvore. Aqui temos um caso gravíssimo de desvio de verba no Jardim do Éden.

A situação não iria ficar fácil. Deus veio e foi montada uma CPI para fazer um inquérito do que havia acontecido. A cobra, real responsável pela corrupção não foi chamada para depor. Possivelmente o primeiro casal deve ter encontrado algum recurso ou liminar que tenha justificado sua ausência no plenário.

Bom, começou o julgamento dos casos de fraude encontrados na administração do Jardim do Éden. O primeiro a depor foi Adão. Como de costume ele não sabia de nada, não conhecia nada e não assumiu a culpa. Quando foi perguntado de maneira direta, ele culpou a mulher Eva.

Então Eva foi chamada para depor. Ela tentou usar os mesmos argumentos do marido, mas viu que não teria como se safar, pois a Comissão (CPI) não estava preocupada com seus interesses pessoais. Desta maneira ela não pensou duas vezes: culpou a cobra.

Finalmente a cobra foi chamada para depor. Mas, a essas alturas as provas de incriminação eram tantas que nem foi preciso fazer uma delongada audiência. Essa CPI não terminou em pizza. Os três envolvidos nos crimes políticos foram condenados e sentenciados. Bom, o resto da história nós já sabemos!

Agora, será que na nossa política brasileira a gente precisa continuar repetindo os mesmos erros de Adão, Eva e a Cobra? Não!!! Precisamos continuar vendo o Brasil crescer. Precisamos continuar lutando por uma política realmente justa e coerente?

Marcelo Peter
Graduado em Teologia pela “Faculdades EST”

Pastor Luterano (IECLB) em Alta Floresta - Rondônia

Em época de Eleição: Como vencer qualquer debate mesmo sem ter a razão.

Estamos vivenciando o final do pleito eleitoral de 2014. O segundo turno das eleições presidenciais estão a todo o vapor. E o que mais tem chamado atenção são os debates entre a Presidente Dilma Roussef e o Senador Aécio Neves. Os dois candidatos ao Planalto, nos debates, trocam farpas e deletreiam acusações mútuas. A hostilidade entre ambos chega a ser assustadora.

Em alguns momentos dos debates, sinceramente, parece que identifico uma teoria do filósofo Arthur Schopenhauer. Ele escreveu o livro “A Arte de ter Razão”. Nesta obra o autor lista 38 estratagemas (ações planejadas) para vencer qualquer debate mesmo se não tiver a razão. Uma das estratégias é “enfurecer o oponente”. Parece-me que o Senador Aécio é fã desta em especial.

A base das sugestões de Schopenhauer é que o debatedor use das mais variadas táticas de trapaça, incluindo a mentira e a calúnia. Sinto que estas também se mostram muito presentes nestes debates entre a Presidente Dilma e o Tucano Aécio.

Mas, eu quero que você, lendo este texto, possa identificar e tirar a próprias conclusões, pois ainda veremos, nesta semana, último debate dos presidenciáveis.

Nas linhas abaixo procuro resumir essas “estratagemas” de Schopenhauer para que você tenha uma substancial compreensão do que venho observando nos debates:

IMPORTANTE: a intenção não é convencer o oponente, mas convencer o público de que você está em vantagem!

“38 estratagemas que podem ser usados para vencer uma discussão mesmo sem ter a razão”
1)        Exagere o aquilo que o seu oponente está defendendo;
2)        Refute seu oponente com colocações que façam ele confundir a argumentação. Ex.: ele está falando de Economia e você responde sobre mobilidade urbana;
3)        Responda seu oponente ignorando o assunto que ele abordou e faça uma refutação com argumentação bem ampla;
4)        Faça perguntas ocultando a sua conclusão até o último momento da questão;
5)        Use as crenças do seu oponente contra ele;
6)        Deixe as questões confusas usando as palavras do seu oponente fora de contexto;
7)        Procure fazer muitas perguntas ao mesmo tempo;
8)        Deixe o seu oponente furioso;
9)        Use as respostas do seu oponente para contradizê-lo.
10)      Se o seu oponente responde a todas as questões com oposição, faça perguntas até que ele seja obrigado a concordar. Isso mostrará que você fez ele mudar de opinião.
11)      Caso o seu oponente concorde com algo que você falou, não conclua o assunto. Em uma questão futura retorne ao tema e diga que anteriormente o próprio oponente concordou com sua posição;
12)      Se o oponente partir para o campo das ideias, use conceitos e metáforas aleatórias para confundir as colocações do mesmo.
13)     Para que seu oponente concorde com você apresente variadas posições, de modo que ele não possa negar todas as possibilidades e cair em contradição (com certeza ele vai se contradizer);
14)     Tente enganar o seu oponente com informações que não existem na forma como você está expondo;
15)     Se você tem um tema difícil de ser provado, procure desviar dele a todo momento;
16)     Considere as proposições de seu oponente como inconsistentes e não verdadeiras;
17)     Se seu oponente te encurralar em algum tema que você não tem como negar responda dizendo o mesmo que ele expôs, mas com expressões e significados diferentes dos dele.
18)     Se o seu oponente está num tema que facilmente o levará a contradição, escancaradamente, evite-a trazendo subtemas paralelos;
19)     Caso seu oponente queira que você exponha argumentos práticos e você não tem o que dizer, dê a volta e faça-o ter que expor os exemplos na réplica. Na tréplica você simplesmente concorda com ele e repete os argumentos com propriedade;
20)     Se seu oponente concordar com suas colocações, conclua o pensamento com tranquilidade;
21)     Quando seu oponente usar um argumento superficial, refute-a e rebata com um contra-argumento tão superficial quanto;
22)     Se o seu oponente pedir que você admita alguma coisa a partir da qual o ponto em discussão pode ser concluído, recuse-se a fazê-lo;
23)     Contradizer o oponente faz com que ele fique irritado e exagere nas declarações. Abuse desse artificio.
24)     Use falsos silogismos (argumentação lógica perfeita). Ao correlaciona-las você faz com que seu oponente responda com uma lógica irreal;
25)     Se o seu oponente generalizar. Demonstre o erro dele fazendo o contrário;
26)     Sempre utilize os argumentos do oponente contra ele;
27)     Se o seu oponente ficar indignado em vista de um argumento seu, continue utilizando-o. Isso vai enfurecer seu adversário;
28)     Ridicularize seu oponente demonstrando que ele não tem autoridade no assunto abordado;
29)     Caso seu oponente comece a vencer as discussões, use de ironia e crie uma argumentação divertida para confundir;
30)     Se você conhece os ideais do seu oponente apele para autoridades ou autores que ele respeita. No caso da religião isso funciona ao usar argumentos da própria religiosidade do oponente;
31)     Se você que não tem como responder a uma determinada questão, seja irônico e argumente que a questão é tão incabível que nem merece ser respondida da maneira como o oponente deseja;
32)     Uma maneira de se livrar facilmente de uma declaração de seu oponente é criar um ar de categoria odiosa. Ex.: isso é racismo, superstição, machismo...;
33)     Admita que o que o seu oponente disse é verdade, mas conclua que na prática não funciona desse jeito;
34)     Se você questionar seu oponente com uma pergunta direta e seu oponente a contornar com outra pergunta ou tentando mudar de assunto, parabéns, você chegou ao ponto fraco dele. Insista na questão com uma formulação diferente;
35)     Ao invés de se preocupar com o intelecto de seu oponente, procure entender os motivos que o fazem agir de uma maneira ou de outra;
36)     Confunda seu oponente com falas e proposições eloquentes e falsamente eruditas;
37)     Caso seu oponente esteja correto, mas apresente argumentação falha, aproveite a proposição dele e utilize exemplos mais sólidos;
38)     Caso ainda não tenha vencido, vá para o ataque pessoal. Use e abuse da agressividade e grosseria nas colocações. Partindo para o ataque pessoal e abandonando o assunto você provoca profundamente seu oponente e o faz perder o foco.

Não recomendo usar essas técnicas. Cabe lembrar que Arthur Schopenhauer entrou para a história sendo conhecido como “O Filósofo Ranzinza”. E, ninguém quer ser conhecido assim.

Mas, venhamos e convenhamos, não é isso que vemos nesses debates?

Marcelo Peter
Graduado em Teologia pela “Faculdades EST”
Pastor Luterano (IECLB) em Alta Floresta - Rondônia

ROSA DE LUTERO - dobradura - como fazer?

Vamos celebrar o jubileu da Reforma Luterana.
Rumo aos 500 anos!!!
Veja neste simples vídeo como fazer a Rosa de Lutero em Dobraduras e Recortes.



Marcelo Peter
Pastor Luterano da IECLB

LUTERO EXPLICOU O SIGNIFICADO DE SEU BRASÃO (Rosa de Lutero)
1 - No centro do emblema, está uma pequena cruz preta. A cruz lembra como Deus vem ao nosso encontro, com o seu amor, através de Jesus Cristo. A cruz nos lembra que a fé no Crucificado nos salva. Pois, ö justo viverá por fé” (Rm 1.17), fé no crucificado.

2 - A cruz preta é rodeada por um coração vermelho. Significa que toda a minha vida fica envolvida pela fé: a minha mente, os meus sentimentos, e a minha vontade. Significa que Cristo agiu na minha vida através da Cruz, e continua agindo. Crendo, recebo uma nova mentalidade a respeito de  mim  mesma e a respeito do relacionamento com todas as pessoas. Crendo, a minha vida recebe um novo sentido, a serviço de Cristo, em favor das pessoas pobres, aflitas e necessitadas.

3 - A rosa branca assinala que a fé nos dá alegria, consolo e paz. A cor branca representa o reino dos céus (de Deus) . O coração vermelho (a nossa vida) descansa sobre uma rosa branca (a pureza). Isso significa que, quando a cruz de Cristo tem lugar em nossa vida, ocorre uma transformação que traz a verdadeira paz e alegria. Todas as promessas de Cristo são representadas por essa rosa branca.

4 - Fundo azul. Azul é a cor do céu, e o fundo sobre o qual estão colocados a cruz, o coração e a rosa branca. Isso nos lembra que assim como Cristo veio ao nosso encontro, Deus também está conosco. Ele está conosco dia após dia. Podemos, pois, viver com a para Deus, como sinais do seu Reino, já aqui e agora. Mas, é também esperança no futuro, pois o azul lembra a eternidade.

5 - Anel dourado. O  ouro é o metal mais precioso. Assim, esse anel representa as dádivas que cada cristão recebe através da cruz e ressurreição de Jesus. A vida que recebemos através de Jesus, para a fé e para o amor, é mais valiosa do que todas as outras coisas preciosas do mundo. O círculo ou anel não tem começo nem fim. Isso nos lembra que, no caminho da cruz, a serviço de Cristo, encontramos a felicidade que não tem fim.

Jeito político e a política que tem jeito

O professor de filosofia Luiz Felipe Pondé dá umas boas tiradas neste tempo de eleições. Vale a pena ver o vídeo completo da entrevista no programa “Canal Livre.

O professor, citando famosos pensadores do século XX, afirma:

“Hoje em dia você precisa ficar o tempo todo pedindo permissão para pensar.”

“Uma das principais características dos povos democráticos é você se ofender facilmente quando outro fala.”

“A democracia é a “menos pior” de todas as formas de governo. Mas, o problema é que as pessoas que tomam as decisões estão sendo movidas por interesses mesquinhos.”


Assista o debate. A gente sempre aprende um pouco mais sobre o jeito político e a política que SIM tem jeito!

Aventuras Pastorais em uma Paróquia de Rondônia

Era para ser uma celebração de Bodas de Prata. Coisa simples e tranquila para qualquer pastor. Mas, este é um caso diferente: Depois de ficar o dia inteiro em uma das pontas da Paróquia no Encontro Paroquial de Mulheres, cheguei a casa, tomei meu banho, arrumei as coisas (violão, livro de liturgia, talar,...) e fui para o destino: a casa do casal Deolindo e Roseli!



Saindo de casa, isso já era de noite (bem escuro), caiu um toró d’água. Graças a Deus que choveu. Estávamos precisando! Porém, esse vai ser o detalhe fundamental da história: a chuva!

Com a chuva e a serração que surgiu ficou mais difícil encontrar o lugar onde eu deveria celebrar as Bodas. Esta aconteceria no interior e na casa do casal. Eu não sabia muito bem onde era. Tinha vagas informações. Fui chegando e pedindo informação de porteira em porteira.

Numa dessas porteiras, entradas e estradas (carreadores) o carro atolou. Na verdade atolar é um termo sutil. Ele grudou num monte de barro e não saía de jeito algum.

Saí em busca de ajuda. Ao chegar à casa mais próxima aconteceu o primeiro evento: o cachorro se soltou da corrente e veio corredo em minha direção, latindo e com ar de feroz. Com tanto medo, soltei um berro que o cachorro recuou.

Dois garotinhos me atenderam. Pedi se eles sabiam onde era a propriedade do casal Deolindo e Roseli, com quem eu iria celebrar as Bodas. Eles disseram, é logo ali (mas esse logo ali...)

Eles pegaram uma lanterna e foram me levar. Atravessei umas 6 ou 7 cercas. Entrei em pasto, saí de pasto, entrei em pasto. Isso tudo com camisa social, calça social e sapato social.

Quando pensei que já estava chegando um dos meninos disse: cuidado que a vaca que deu bezerro está vindo e está brava. Eles pularam a cerca do curral e eu, no desespero, consegui escalar mais de dois metros de cerca de madeira. Pulei para o outro lado do curral e dei de cara com uma cerca de arame farpado. (não sei se você ainda se recorda, mas – como já falei – isso foi de noite, no escuro, com uma lanterninha na mão.)

Continuamos o trajeto pasto adentro para chegar à casa dos noivos. Quando eu pensei que nada mais poderia acontecer, um dos garotos grita: cuidado com a represa! Quando vi já estava com os pés molhados quase entrando na represa de peixes.

Assim, finalmente cheguei à propriedade do casal onde fui prontamente atendido. Logo conseguiram um trator. Aí fui eu novamente, rumo ao mesmo lugar de onde havia saído para, de TRATOR, desatolar o carro e conseguir chegar ao lugar certo para as bodas (Andei de trator pela primeira vez na minha vida, hoje!).
A celebração aconteceu, ainda que com um considerável tempo de atraso. Os meus sapatos, esses eu posso jogar fora, porque o solado rasgou de fora-a-fora. Entrou barro em cada parte deles. E assim se resume a noite de hoje. Ao final, deu tudo certo.

Agora, o que mais vai me marcar nesta noite não será o atolamento do carro, nem o cachorro que quase me atacou, muito menos a vaca brava ou a represa na qual eu quase caí. O que vai me marcar na noite de hoje são outros detalhes.

O que fica comigo é a simplicidade e o carinho das pessoas aqui de Rondônia.

Esses dois garotinhos (Zé e Tiago) que me ajudaram na travessia, não tiveram medo de andar comigo no escuro e na chuva para me ajudar a chegar ao meu destino. Deixaram o conforto do seu lar para me apoiar num momento de dificuldade. Eles nem me conheciam, mas não hesitaram em me ajudar.

O povo que estava preparado para a festa não hesitou em me dar apoio. Estavam todos arrumados para a festa, limpos e perfumados. Porém, não se preocuparam por ter que pisar no barro comigo para tirar o carro do atoleiro. Subiram comigo no trator e fomos baixo uma forte chuva para fazer o socorro.

Cada dia mais esse povo querido, simples, singelo e fraterno aqui de Rondônia está me ensinando a ser e viver Igreja de Jesus Cristo. Louvado seja Deus!

Pastor Marcelo Peter
Paróquia Luterana Caminho da Fé

Alta Floresta - Rondônia

PARA ONDE NOS CONDUZIRÃO AS ELEIÇÕES?

FIM DA POLARIZAÇÃO PT–PSDB – TAMBÉM DAS “ALIANÇAS ESPÚRIAS”?
OU: A PESQUISA E O DEBATE.
OU AINDA: PARA ONDE NOS CONDUZIRÃO AS ELEIÇÕES?

A primeira pesquisa eleitoral após a oficialização da candidatura presidencial de Marina, registrou sua ascensão meteórica (se é que meteoro sobe...), mais que triplicando a perspectiva de votação de Eduardo Campos antes de sua trágica morte. Obviamente, Marina, que já tinha uma “reserva eleitoral” de 2010, foi ainda fortemente beneficiada pela comoção da tragédia ocorrida e pela intensa exposição midiática que então colheu. Mas há mais fatores que contribuíram para elevar Marina à crista da onda. Há sobretudo indícios claros de que boa parcela do eleitorado brasileiro está cansada da polarização PT–PSDB e, portanto, ansiosa por uma alternativa. Eduardo Campos não tinha conseguido atrair de fato essa parcela (fora de estruturas partidárias), pois a impressão dominante era a de que seguia pelos mesmos trilhos, na tentativa de abrir espaços para ele.

MARINA, certo ou errado, tem a aura de ser diferente. Beneficia-se de ter uma origem e trajetória em muitos aspectos semelhante à de Lula: foi pobre, sofreu muito e teve que lutar para sobreviver e superar as desvantagens de sua condição. A pauta ecológica que herdou de Chico Mendes e assumiu lhe dá uma face simpática. Saiu do governo Lula, de quem era ministra, deixando a impressão de que não lhe era dado o espaço devido e ela não estava disposta a contemporizar e renunciar a seus princípios. Ademais, preserva a imagem de ter sido e ser imune à corrupção que tão profundamente impregna o cenário político em suas mais diversas colorações.

Assim, na primeira pesquisa, imediatamente após a morte de Eduardo Campos, atraiu para si uma boa parcela de quem estava indeciso ou disposto a votar em branco ou nulo. Ou seja, boa parcela de quem está “contra tudo que está aí” (inclusive muitos jovens), que o PSOL em vão tentou atrair para seu minúsculo rebanho, aderiu de bom grado a ela. Nesse primeiro momento, Dilma e Aécio ainda preservaram a intenção de voto de quem até então tendia a neles votar. Porém, ficando evidente que Marina estava se tornando uma alternativa viável, na segunda pesquisa do DATAFOLHA uma parcela de eleitores em potencial de todos os demais candidatos/a se deixou seduzir pela perspectiva da “terceira via” e se bandeou para Marina.

Nesse cenário, pelo menos por ora, Marina pode surfar tranquila na crista da onda. Pode, inclusive, se dar ao luxo de bajular tucanos e petistas (não todos, é claro, apenas os “melhores”), como fez no debate de ontem na Band, reconhecer as “conquistas” de seus governos, mas, longe de qualquer confrontação maior, prometer “unir” o país.

O primeiro a estar contra as cordas e necessitado de lutar desesperadamente para não ir à lona é AÉCIO. Não pode pôr de lado a agenda neoliberal que ele, seu partido e seus aliados tão decididamente assumiram já no passado, seja porque é sua convicção, seja porque coincide com a agenda do “mercado” e da “grande mídia”, de cujo apoio dependem, e precisam continuar atacando a política, segundo eles “fracassada”, de Dilma e do PT (o PMDB e outros aliados do governo são convenientemente poupados, na esperança de tê-los como aliados mais à frente). Nisso, porém, correm grande risco, pois os votos que porventura viessem a sacar de Dilma teriam grande probabilidade de migrarem não a ele, Aécio, mas à Marina, empurrando-o então mais ainda ao “fundo” do terceiro lugar, posição humilhante. A perdurar ou até mesmo aumentar a distância que Marina dele livra, Aécio fatalmente terá que se distanciar mais claramente dela, mas não o poderá fazer de forma contundente, pois caso viesse a conseguir ultrapassá-la chegando ao segundo turno, o que agora não parece muito provável, precisará dela (e do PSB e aliados) num enfrentamento com Dilma. Ou seja: o cenário requer de Aécio um equilibrismo extraordinário, em que a probabilidade maior é a de lá pelas tantas cair.

De outra parte, ironicamente, Dilma não pode ficar tranquila com a eventualidade que a candidatura de Aécio venha a despencar. A pesquisa até revelou um aumento do número de quem considera seu governo como bom ou ótimo e sua gestão como igualmente boa ou ótima, mas simultaneamente uma redução do número de pessoas dispostas a reelegê-la! Assim, o “sonho” petista de ver a nau tucana soçobrar pode se tornar um pesadelo para a própria nau. Ao que tudo indica, a esta altura seria para Dilma mil vezes preferível ter que enfrentar num segundo turno a Aécio, para o que poderia contar com a divisão dos votos dados a Marina, provavelmente lhe garantindo a vitória num segundo turno, do que enfrentar Marina, para quem provavelmente confluirá uma nítida maioria dos votos dados a Aécio. Depois de Aécio, poderá ser ela, num segundo turno, a ver-se contra as cordas e lutando para não ir à lona. Também ela deverá continuar se diferenciando de Aécio e comparando os governos de Lula e dela própria com os governos anteriores de FHC e do PSDB, comparação que lhe é substancialmente favorável em muitas áreas. (Embora Aécio, à diferença de Serra em 2010, venha defendendo intensamente o governo FHC, pois não pode renunciar a São Paulo, nem ele se atreva a acusar o legado de Lula, preferindo dizer que o governo Dilma teria posto a perder os avanços anteriormente registrados e levado a economia brasileira a um estado, segundo ele, caótico.) Mas também Dilma não poderá exagerar na dose da crítica, pois a confrontação aberta com Aécio poderia reforçar a candidatura de Marina, como “alternativa”. De outra parte, deverá distanciar-se também de Marina, pois o enfrentamento com Aécio lhe seria mais favorável, mas tampouco poderá fazê-lo duramente, pois poderia correr o risco de, em sendo exitosa em sua crítica, empurrar o eleitorado de Marina em massa para o lado de Aécio num eventual segundo turno com ele.

Ou seja: ao que tudo indica, Marina pode continuar surfando com bastante tranquilidade enquanto a onda lhe for favorável. Quão forte e duradoura é ela? Eis a questão xis. Marina não será acossada com força nem de um lado nem de outro, pelo menos no primeiro turno, pelas razões acima expostas. E ela poderá se apresentar com determinação como a alternativa pela qual o eleitorado anseia, sem polemizar demais com seus adversários. Poderá se dar até mesmo ao luxo de elogiar as conquistas “positivas” dos governos anteriores (a estabilidade da moeda com FHC e as conquistas sociais de Lula e, inclusive, até certo ponto, de Dilma). Em verdade, a facilidade com que muitos votos de indecisos, brancos e nulos aderiram à candidata Marina revelaram que sua insatisfação com “Dilma e o PT” pouco têm a ver com suas propostas políticas e conquistas sociais, que eles em verdade não desejam perder, mas muito com sua “crise ética” e suas “alianças espúrias”. Assim, também se recusavam a engrossar as fileiras de Aécio, na sensação de que assim fazendo poderiam estar perdendo os avanços sociais e de forma alguma estariam imunes à “crise ética”, entre eles apenas negada na propaganda, mas não na realidade das oposições. Agora, têm a sensação de ter encontrado a alternativa condizente com seus anseios.

Façamos algumas considerações adicionais, porém. É claro, Marina não está de todo imune à dubiedade das alianças, haja vista a própria construção de sua candidatura. Nem mesmo pode se considerar totalmente livre de sofrer questionamentos de natureza ética, haja vista, por exemplo, a questão muito duvidosa da propriedade e do pagamento do jato que acabou vitimando Eduardo Campos. Por ora, porém, ainda prevalece a sensação de que isso não tem nada a ver com ela, apenas com o PSB, do qual ela só é membro por circunstâncias fortuitas.

Marina, pois, também tem seus pontos vulneráveis. Não são poucas as contradições de sua candidatura e propostas: preocupação ecológica x interesses do agronegócio; recusa e crítica a alianças x ingresso no PSB com o qual sua Rede em verdade tinha e tem muito pouca afinidade; associação com grandes interesses do liberalismo “ecológico” (Natura) e do setor financeiro (Itaú). Num segundo turno, a que ela ascendesse, essas questões provavelmente ocuparão maior espaço na campanha (que será menos “paz e amor” do que a do primeiro turno). Ela pode agora se apresentar, como o fez no debate de ontem, como a candidata da “união”, disposta a convocar para participar em seu governo “os melhores” também dos demais partidos, inclusive do PT e do PSDB. Das duas uma: ou ela faz uso oportunista, político-eleitoral, desse argumento para atrair simpatias, principalmente do eleitorado cansado de antagonismos estéreis, mas sabendo que não será assim, ou ela se apresenta como possível futura presidenta do Brasil com muita ingenuidade para a tarefa que a aguarda. Pois a política não passa preponderantemente por “pessoas”, que depois levem seus partidos a cabresto. Ela precisaria construir maioria no Congresso, origem de todas as “alianças espúrias”. E isso se dá com partidos, vários deles bem oportunistas, a começar por aquele que seria o mais cobiçado, o PMDB (que deverá estar no próximo governo, mais uma vez, qualquer que seja o resultado da eleição), mas também por partidos “nanicos”, ansiosos por “negociações”.

Esse cenário só poderá mudar o dia em que tivermos uma verdadeira reforma política, e esta só virá por vontade direta do povo (consulta ou plebiscito); nunca será aprovada por um congresso que em sua maioria em verdade não a quer, pois teria muito a perder. Seria bom que o eleitorado brasileiro, a começar por aquelas pessoas que agora aderiram a Marina, entusiasmadas, tivessem bem presente esse dilema, antes de digitar seu voto na urna eletrônica. Para que depois não se frustrem mais uma vez na próxima esquina...

P. Dr. Walter Altmann[i]






[i] O autor é Professor/Pesquisador Faculdades EST e Moderador do Conselho Mundial de Igrejas. Publicado originalmente em seu perfil público na rede social “Facebook”: https://www.facebook.com/walter.altmann.7?fref=ts

Tráfico Humano: isso existe? E eu com isso?

Neste ano de 2014 a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) está desenvolvendo o tema: “Tráfico Humano”. O lema da Campanha é de Gálatas 5.1: “É para a liberdade que Cristo nos libertou”.

Aqui em Alta Floresta (RO) a Pastoral da Juventude organizou seu retiro de jovens, chamado “pré DNJ” (Dia Nacional da Juventude). Para este evento, realizado no dia 17 de agosto, também os jovens da Igreja Luterana (Paróquia Caminho da Fé). Eu, Pastor Marcelo, fui convidado pela Paróquia Nossa Senhora da Penha para conduzir a palestra do encontro. A reflexão recebeu o título: “Tráfico Humano: isso existe? E eu com isso?” Compartilho com você, através de textos e slides, um pouco da reflexão que fizemos com os jovens da Igreja Católica:

No Brasil existem diferentes formas de tráfico humano. Estas distintas maneiras exploram principalmente mulheres, crianças e adolescentes, no mercado de trabalho, na exploração sexual e na escravização de trabalhadores. O tráfico humano hoje é classificado como um dos crimes organizados mais rentáveis, ao lado do tráfico de drogas e de armas. Entre as principais modalidades de tráfico humano há:

1) Tráfico para exploração no trabalho: nessa categoria inserem-se os trabalhos forçados, escravos, degradantes, entre outros, que não reúnem condições necessárias a que um trabalhador tenha direito e dignidade social. A pessoa exposta a este tipo de tráfico e exploração sofre constrangimento físico, moral e não tem condições de resistir ou abdicar da ocupação que lhe foi submetida. Ainda que receba alguma remuneração, está é baixa; não tem condições de habitação, nem instalações sanitárias e água potável. Estão em risco suas condições de saúde, higiene e segurança. A exploração do trabalho pode gerar condições de verdadeira escravidão. As regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil são as mais afetadas por este tipo de tráfico humano.

2) Tráfico para a exploração sexual: este tipo de tráfico utiliza-se de humanos para a prostituição e geração de material pornográfico. Vale-se do uso da internet, indústria do entretenimento e do turismo. 80% das pessoas atingidas por este tipo de tráfico são mulheres.

3) Tráfico para a extração de órgãos: um dos crimes que mais vem crescendo nos últimos anos. É uma modalidade de tráfico altamente rentável para os traficantes. Envolve um elaborado sistema de coleta, extração, venda e transporte, pois precisa-se de um laboratório para as cirurgias, um médico especializado e um modo viável de transporte do órgão. Este crime explora o desespero de ambos os lados. Tanto do receptor que necessita de um transplante, como do doador, que muitas vezes precisam decidir entre perder um órgão e receber uma renda em momento de crise, ou não fazê-lo e se desesperar ante uma crise econômica que lhe fora imposta pela realidade social.

4) Tráfico de crianças e adolescentes: esta é a modalidade de tráfico que menos informações temos, devido à pouca investigação existente. Sempre existe um agenciador que lucra com a adoção destas crianças. Também ocorre muito o tráfico de crianças e adolescentes para a exploração sexual. Também há crianças traficadas para a exploração do trabalho. Crianças são empregadas nas piores modalidades de trabalho infantil (prostituição, aliciamento, venda de drogas, “pedir esmolas”, entre outras atividades).

A Bíblia tem diversos relatos que nos ajudam a refletir sobre a realidade do tráfico humano, os processos migratórios e o projeto de Deus para seus filhos e filhas:










O tráfico humano é um crime que agride a dignidade humana. Ao limitar a liberdade, fere os princípios do cristianismo. A pessoa humana deve ter seus direitos preservados. A igreja cristã deve lutar em valor da liberdade de todas as pessoas. Por isso a igreja, enquanto agente diaconal, precisa conhecer as principais características do tráfico humano:

A) Crime organizado: existe um sistema sofisticado para que o crime aconteça. Existem fornecedores de documentos falsos, serviços jurídicos, lavagem de dinheiro, transporte, ente outros.

B) As rotas: as principais rotas de tráfico (principalmente para exploração sexual de mulheres, crianças e adolescentes) costuma vir do interior dos Estados para grandes cidades nas quais haja aeroportos ou rodovias para transporte. Também há rotas que se direcionam para as regiões de fronteira internacional. Até 2012 foi constatado que a região brasileira com maior número de rotas para tráfico humano é a região Norte do Brasil.

C) A invisibilidade: o dificulta o enfrentamento destes crimes é a invisibilidade das ações. O crime é silencioso. Poucos são os que podem ou conseguem denunciar. A maioria das vítimas não faz acusação e não denuncia os agentes por falta de consciência da exploração a que foram submetidas, por vergonha de se expor ou por temor de sofrer represálias violentas.

D) O aliciamento e a coação: a principal maneira que os traficantes encontram para traficar humanos é por meio do “aliciamento”. A pessoa é abordada com uma oferta de trabalho irrecusável que melhorará de maneira fantástica a sua vida. Enganada por essas promessas a vítima é conduzida a um lugar distante onde é submetida a práticas contra a sua vontade. Muitos jovens (moças e rapazes) são aliciados pelos recrutadores através de propostas camufladas para ser modelos, jogadores de futebol, babás, enfermeiras, garçonetes, dançarinas, entre outras.

E) O perfil dos aliciadores: normalmente apresentam boa escolaridade; alto poder de convencimento; muitos se apresentam como proprietários de casas de shows, agências de modelos, empresários dos mais distintos ramos.

F) As vítimas: normalmente encontram-se em situação de vulnerabilidade social e/ou econômica. Mulheres empobrecidas; adolescentes e jovens que querem mudar de status social (querem ser alguém na vida); crianças coagidas e raptadas; pessoas ameaças ou que podem colocar a família em risco caso não aceitem a coação dos traficantes.

O Tráfico Humano aproveita-se, de maneira considerável, do processo migratório: a migração é um fenômeno que sempre aconteceu na história da humanidade. A origem das sociedades está interligada com os povos nômades que, quando se estabeleciam, originavam os povoados e, posteriormente, as cidades.

O Brasil conhece bem a realidade da migração. Primeiro a migração para o Brasil (escravos negros, europeus empobrecidos). Depois a migração para fora do país. No século passado os fluxos de migrações de brasileiros ocorria devido à insuficiência econômica brasileira, devido à contrariedades políticas e/ou aspirações de crescimento econômico pessoal.

Surge então a pergunta: como enfrentar o tráfico humano? Ora, é preciso proteger as potenciais vítimas: pessoas que estão em situação de vulnerabilidade; temos que acabar com o tráfico de armas e narcóticos, pois estas são aliadas do tráfico de pessoas, principalmente no uso de rotas e facilitação de movimentação; é preciso promover informação e educação social para que a mentalidade e percepção de possíveis vítimas esteja mais alerta para esta situação social; é preciso denunciar. O tráfico de pessoas é pouco denunciado. As vítimas e/ou pessoas próximas precisam denunciar, pois através destas é que são feitas as investigações e desarticuladas as redes de tráfico; é preciso conscientizar a população brasileira, pois poucas pessoas conhecem essa realidade; necessitamos cobrar do Poder Público atuação e geração de informações mais precisas para a população em geral estar protegida.


Pastor Marcelo Peter[i]


Fotos do Encontro (PRÉ-DNJ)
 Celebração de Abertura do "PRÉ-DNJ" da Pastoral da Juventude
 Celebração de Abertura do "PRÉ-DNJ" da Pastoral da Juventude
 DINÂMICA: os jovens sentindo "na pele" o que é ser traficado!
 JUVENTUDE LUTERANA ÁGAPE - de maneira ecumênica participando do encontro
 Participantes do "Pré DNJ"
 Jovens Luteranos ensinando suas canções para a Juventude Católica
 Juventude Luterana contribuindo na palestra
 TEMA e LEMA da Campanha da Fraternidade 2014










[i] Reflexão embasada a partir de pesquisa em sites de jornalismo; Revistas “Super Interessante” e “Mundo Jovem”; material cedido pela Pastora Rosangela Stange (Coordenadora do Departamento de Gênero, Gerações e Etnias da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil); Mídia DVD Tráfico de pessoas (subsídio da Campanha da Fraternidade, 74min13seg) e Manual da Campanha da Fraternidade, 440 páginas.