Colossenses 3. 12-17 - Prédica Batismal


(Prédica proferida em Tenente Portela-RS, por ocasião do batizado de Laura Eduarda, filha de Nestor e Marlei Schul – 30/12/2012)


      Observem estas duas caixas(*). 

        Há uma nítida e visível diferença entre elas (pra mim ao menos). As duas caixas têm o mesmo tamanho, mas são bem diferentes. A primeira é um simples pacote (um embrulho) destes que a gente encomenda, e os correios nos enviam. A outra é diferente! Tem algo especial. É um pacote de presente. Além de trazer alguma coisa para nós, também transmite carinho, afeição, amor, doação, alegria. As duas caixas nos ajudam a entender o texto bíblico de nossa prédica e auxiliam a interpretarmos o que é o Batismo para nossa vida.


       Conforme meu modo de ver e compreender, esta primeira caixa (embrulho, encomenda) não tem nada haver com o texto de Colossenses, muito menos com o Batismo. Ela é um pacote fechado e “meio sem graça”. Tudo bem que, quando a gente encomenda algo, ela pode trazer boas coisas. Traz aquilo que queríamos, mas precisamos pagar para receber. Se não comprar e pagar a encomenda, não a recebo. Ela não vem gratuitamente. Preciso fazer um enorme esforço e desembolsar alguma quantia em dinheiro para recebê-la.

       A segunda caixa (o presente), por sua vez, tem tudo haver com o texto e com o Batismo. Não recebo um presente porque mereço. Não posso conquistar um presente. É um gesto de carinho que alguém faz porque gosta de mim; porque tem sentimento de afeto e amor. É algo especial pensado exclusivamente para nós. Neste tempo de Natal e Ano Novo, dar e receber presentes são gestos de singela e sincera amizade.

       Assim, quando eu e você fomos batizados em nome do trino Deus, gratuitamente, Deus mesmo veio ao nosso encontro, por intermédio de Jesus Cristo, na ação do Espírito Santo e nos deu o maior de todos os presentes: presenteou-nos a graça da salvação!
       A mensagem do texto de Colossenses nos convida a receber alegremente o presente do Batismo em nossa vida e usufruí-lo (utilizá-lo) a cada dia de nosso viver. Se soubermos aproveitar a dádiva (o presente) que é o Batismo, então, dia-a-dia, estaremos crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e da comunidade (Lc 2.52).
       Diz o texto que devemos nos reconhecer como pessoas que são amadas (justificação) e santificadas por Deus. E assim, nos revestirmos como filhos escolhidos e filhas escolhidas por Deus. Para entender isto temos que voltar no tempo:
       No Jardim do Édem, Adão e Eva foram criados por Deus e receberam uma dignidade e uma valorização que os fazia serem especiais para Deus (Gn 2.7). Infelizmente, eles não valorizaram e não vivenciaram esse amor divino. Caíram em pecado e começaram a cometer maldades. Quando se deram por conta de seus erros, perceberam que estavam nus. Estavam sem dignidade e sem valor. Adão e Eva, envergonhados, costuram folhas de figueira para tentar tapar sua vergonha.
       No Batismo, Deus conserta esse erro humano, nos presenteando uma veste de dignidade e valorização. Ele retira de nós o velho Adão; purifica-nos do pecado e da maldade, presenteando-nos uma veste de perdão e vida nova. Deus nos presenteia. Reveste-nos de sua graça e amor.
       Através do Batismo, revestidos com este presente amoroso de Deus, podemos desenvolver em nossa vida os carinhosos afetos da misericórdia, da bondade, da humildade, da mansidão e da longanimidade:
a)Ter misericórdia é o mesmo que ter compaixão. É importar-se e preocupar-se pelos outros. Ser solidário;
b)Ter bondade significa que além de ter compaixão é preciso agir e ajudar nossos irmãos e irmãs nas suas necessidades;
c) Ter humildade é saber que todos nós somos batizados. Todos recebemos o presente das mãos de Deus. Todos temos valor e dignidade semelhante. Na vida cristã ninguém é mais ou menos. Todos fomos presenteados por Deus;
d)Ter mansidão, segundo Lutero, “é a virtude pela qual alguém não se deixa provocar facilmente para a ira [...]”. Como pessoas batizadas, precisamos aprender isto de Jesus, porque Ele era manso e humilde de coração (Mt 11.29);
e)Ter longanimidade. Somente para dizer tal palavra já preciso ter paciência. Na vida de fé é preciso exercitar a paciência. Somente assim conseguiremos conviver em comunidade. Somente assim conseguiremos viver em paz conosco mesmos. Sobre a longanimidade (paciência) Lutero escreveu assim: “Quando o diabo não pode vencer os que são tentados pela força, ele os vence pela persistência, pois sabe que somos como vasos de barro que não podem suportar frequentes e contínuos golpes [...] Para vencer essa sua persistência é preciso longanimidade [...]”.
       Quando percebemos a importância do presente que Deus deu para cada um de nós, através do Batismo, então conseguimos conviver mais facilmente como irmãos e irmãs na fé. Conforme o texto, conseguimos nos suportar uns aos outros, bem como nos perdoar mutuamente. Quando aproveitamos diariamente o presente do Batismo, o amor de Deus se torna o critério base do nosso agir e a paz, que vem de Deus, conduz as nossas atitudes e os nossos relacionamentos; porque somos integrantes de um mesmo organismo: o corpo de Cristo (a Igreja, a Comunidade).
       Ainda em tempo, é importantíssimo destacar que para saber usufruir do presente que Deus nos dá no Batismo é extremamente necessário viver em Comunidade. É preciso participar da vida da comunidade. Não conheço, sinceramente, ninguém que consiga vivenciar os dons apontados neste texto sem conviver com outras pessoas na comunidade (na igreja).
       O autor do texto bíblico sabe muito bem disto, por isto exorta para que a Palavra de Deus habite ricamente em nós. Devemos nos instruir, nos aconselhar, louvar a Deus e ser gratos de coração. Ora, o texto é bem claro. Está dizendo: você recebeu o presente do Batismo. Vivencie este presente na sua comunidade. Participe dos cultos, vá aos estudos bíblicos, aprenda mais da Bíblia, ore, louve a Deus, cante hinos com muita alegria, seja uma liderança na comunidade, coloque-se a serviço do Evangelho...
       Aqui na paróquia, estamos buscando vivenciar e aproveitar o presente do Batismo. Nossos cultos, Encontros de Família, o Grupo de canto, tantas outras atividades e o Projeto Missão Criança são exemplos disto.
·            Querido Nestor, Marlei, padrinhos e madrinhas: assim como cada um de nós um dia foi presenteado por Deus no Batismo, de igual modo, hoje a pequena Laura Eduarda (a Laurinha) vai ser presenteada por Deus. Ela vai ser batizada e vocês têm a tarefa de instruí-la e orientá-la para valorizar, cuidar, aproveitar e saber usar de forma consciente a dádiva (o presente) do Batismo. Que Deus os abençoe nesta graciosa e sublime tarefa e compromisso! Que a Laurinha possa crescer em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante da comunidade cristã.
·            Estimada Comunidade, irmãos e irmãs, nós a cada dia de nossa vida precisamos recordar do presente divino que é nosso Batismo. Precisamos desenvolver as dádivas que recebemos. Que possamos participar da vida celebrativa da nossa comunidade para vivenciar a graça da salvação.
      E a todos nós, como diz o texto bíblico: em tudo o que fizermos, seja em palavra, seja em ação, façamos em nome do Senhor Jesus, para sua honra e glória, e sejamos agradecidos a Deus, o Pai. Amém!
                                                                                   Marcelo Peter 

Prédica de Ano Novo sobre Mateus 18.1-5

“Lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminhar é a tua palavra Senhor” Sl 119.105.

Estimados irmãos e irmãs em Cristo! Conta uma história que uma criança subiu sobre uma laje e brincando perdeu-se no tempo até escurecer. Estando escuro, ela não sabia mais onde era a saída, a descida da laje. Ela chamou o seu pai.

O seu pai chegou perto e com o reflexo da lua por trás podia ver o filho que estava desesperado por não conseguir mais descer. Mas o filho não via o pai.  O Pai exclamava-Pule meu filho eu estou aqui para te segurar! O filho resistiu, pois ele não via nada lá em baixo, apenas um escuro abismo. Porém, o filho podia ouvir a voz do pai... O pai não desistiu e novamente chamou o filho e disse: Pule meu filho, eu estou de braços abertos para te segurar. Finalmente, o filho cria coragem, pula e caiu nos braços do pai que prontamente o segurou.

O filho disse que receava em pular, pois lá de baixo via apenas o escuro abismo e ouvia a voz do pai. O filho confiou no pai e pulou e caiu em seus braços. O pai disse: Meu filho, tu não podias me ver, mas eu te via e, por isso, pedi que pulasse em meus braços e para o lado que quer que fosse que caísse, eu o seguraria.

Estimada Comunidade! Esta história é de autoria desconhecida e sempre adaptável e é de extrema relevância para nossa reflexão de hoje.

A criança não via o pai, porém ela pula na certeza de que será agarrada e segurada pelos braços do pai. Quantas vezes na nossa vida nós também vivemos dias escuros de nossa existência e temos medo. Quem sabe na perda de um ente querido, na perda de bens matérias, qualquer tipo de perda, no aparecimento de uma enfermidade que por ora temos que conviver ou quem sabe uma enfermidade, com a qual teremos que conviver o resto da vida. Ou ainda se os negócios no trabalho ou empresa não estão indo tão bem...

Nestas e noutras situações, cara comunidade, temos que nos jogar nos braços de Deus, em confiança, assim como fez a criança de nossa história.  A criança confiou e se jogou no escuro nos braços do pai que a podia ver e acolher em seus braços. Confiança é sinônimo de fé, confiança é lançar se aos cuidados e aos braços de Deus na certeza de que ele nos acolhe em nossas aflições e fragilidades.

O Natal passou e mais uma vez pudemos ver a luz do menino Jesus entre o seu povo, O Verbo que se fez gente e morou entre nós. Deus que desce de sua glória para habitar conosco, lembramos e pudemos experimentar o Emanuel, o Deus-Conosco mais uma vez ao longo deste ano. Por isso estamos aqui reunidos em culto para agradecer a Deus pelo ano que passou e oferecer nossos louvor  e nos confiar a Ele no porvir.

O texto de hoje nos fala de Jesus que ensina a seus discípulos que nos devemos “converter” e nos tornar como crianças. Mais uma vez as crianças estão em cena. Os Discípulos perguntam “Quem é o maior no Reino dos Céus?”.

A resposta de Jesus é clara no sentido de que deve haver uma mudança de mentalidade e usa o exemplo da criança. Que os discípulos devem se tornar como uma criança para entrar no Reino dos Céus. Jesus usa esse termo “converter” no versículo 3,e temos de ter como pano de fundo a cultura semítica. Converter no sentido de “voltar”, “retornar”, “rodear” que são usados para dizer o nosso “de novo”. Jesus Diz que temos que “de novo” (novamente) voltar a ser criança. Temos que ter em mente que no meio ambiente de Jesus, as crianças, assim como as mulheres, estavam entre as pessoas menosprezadas e à margem da sociedade. Mas Jesus em contrapartida é quem promete salvação às crianças (Mc 10.14), e além disso ele declara que só o “tornar-se de novo criança” é que pode dar acesso ao Reino de Deus.
Estimados irmãos e irmãs em Cristo!

 O que significa “voltar a ser como uma criança”? Talvez o ponto de comparação fosse a humildade de uma criança (vs.4). Dificilmente, pois na época de Jesus não se acha nenhum exemplo de que as crianças sejam humildes. Ou do ponto de vista de comparação de que as crianças sejam puras. Esta ideia também não é corrente no judaísmo palestinense antigo.

“Voltar a ser como uma criança” tem haver com “REAPRENDER A DIZER ‘ABBA (Pai)”.  Com isso Jesus quer nos dizer o que é penitência. Converter-se, mudar a mentalidade, voltar-se a si mesmo significa reaprender a dizer Pai. Depositar total confiança no Pai Celestial, retornar à casa do Pai. Lucas 15.11-32 é a prova de que esta compreensão é correta. A penitência do filho perdido consiste em que ele achou o caminho de volta para o pai. Penitência é nada mais do que confiar na Graça de Deus!

Estimada Comunidade! Assim como o filho (de nossa história) confiou no pai e pulou nos braços do pai, e assim como o filho pródigo caiu em si e retornou a casa paterna, assim nós diariamente temos que aprender a fazer penitência e a sermos convertidos no sentido bíblico.

Isto é, voltarmos a ser crianças, como aquela que Jesus pega no colo e REAPRENDERMOS a dizer Pai (‘Abba). Aprender a dizer Pai com confiança em meio às tribulações de nossa existência, de nosso trabalho, de nosso dia a dia. Vamos confiar em Deus, assim como uma criança confia nos seus pais. Pois estes dão amor, sustento, cuidam, colocam pra dormir, dão todo o cuidado necessário.

Até aqui nos trouxe Deus, nos orientando, animado e consolando através do seu Espírito Santo. Que para 2013 possamos nos tornar como crianças e a cada dia dos 365 dias Reaprender a dizer PAI, e a nos confiarmos em suas mãos. Quando os dias estiverem cinzentos e o sol não brilhar tão forte, lembremos que Deus está a nos enxergar e estará de braços abertos para nos acolher em quaisquer circunstâncias, basta voltarmos a ser crianças e a cada dia reaprender a dizer Pai e em confiança e esperanças nos entregarmos aos seus cuidados!

Que Deus nos ilumine e nos abençoe!
Um feliz e abençoado 2013! Amém!



AutorMinistro Religioso Candidato Pastoral- Luiz Temóteo Schwanz - Comunidade da Consolação

CAPA – Trabalhando em defesa da Vida


Com o propósito de ser “semente ou fermento”, nasceu o projeto CAPA (Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor), um departamento ou uma ferramenta da IECLB, com intuito de promover, motivar ou estimular iniciativas de desenvolvimento solidário e coletivo junto ao agricultores familiares. A proposta do projeto CAPA nasceu no ano de 1978, a partir de uma preocupação da igreja com os agricultores familiares que estavam sendo dominados pelo sistema de agricultura industrial, não tendo condições de competir, estavam vendendo suas propriedades e procurando nas cidades alternativas de trabalho.

Neste sentido o CAPA sempre buscou trabalhar com populações de pessoas, que de certa forma foram excluídos ou estão a margem do sistema econômico (pequenos agricultores, índios, quilombolas...), para que este setor, junto com outros segmentos sociais, possa avançar na construção de uma sociedade mais justa, solidária e pautada pela ética.

O CAPA núcleo Verê- PR trabalha com agricultores familiares organizados em associações e cooperativas que estão voltados para a produção agroecológica de alimentos. Alimentos estes que são entregues nos projetos institucionais e vendas locais e regionais.

Recentemente as associações APAV (Associação de Produtores Agroecológicos de Verê) e APROVIVE (Associação de Vitivinicultores de Verê) ambas assessoradas pelo CAPA, foram premiadas a nível nacional em um concurso realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento. O objetivo da CONAB era contemplar os 20 melhores filmes que retratassem experiências de associações, cooperativas e entidades beneficiadas pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e pela Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio).
        Jhony Alex Luchmann
Equipe CAPA – Verê

VÍDEO APAV
VÍDEO APROVIVE




Deus seja louvado!


Desde que Rachel Sheherazade escreveu e pronunciou sua crônica (ou opinião) acerca da festividade do carnaval no Brasil, ocasião que lhe proporcionou promoção de âncora num telejornal de abrangência nacional, tenho gostado de suas opiniões sempre bem fundamentadas e críticas.

Agora, nesta ocasião, falando acerca do termo "Deus seja louvado", inscrito nas cédulas de real, vejo que ela foi apropriadamente conservadora. Há vezes em que se faz necessário. Vale a pena ver o vídeo:

Marcelo Peter