Santa Inocência - Santa Paciência


          Há vezes que os ouvidos se condoem de ouvir injúrias, as quais deveriam jamais ser pronunciadas, proferidas ou até mesmo pensadas pelas mentes insanas e desprovidas de razão que as proliferam. Algumas compreensões populares, enraizadas no senso comum, instigam em nosso âmago não um anseio, mas uma ânsia desgostosa de expelir alguns tóxicos mortíferos.
      Sempre somos motivados a compreender melhor a vida. Constantemente participamos de processos de conscientização da real compreensão da vida. Mesmo assim há quem prefira permanecer na ignomínia da idiotice. Na infame distorção da razão.
Não sei por que ainda suporto algumas “babaquices”? Não entendo por que resisto a decompor essas insanas mentes?
      A indignação perceptivelmente expressa nas formulações anteriores tem uma causa justa. Não é possível aguentar que ainda se compreenda a infância como o período da “inocência”.
         Assistindo e desfrutando do “DVD ao vivo” de uma linda e encantadora artista da música regional e brasileira, flagrei uma colocação torpe: “Eu era criança e inocente”, dizia a bela cantante.
Criança e inocente?  Desde quando a infância está relacionada intimamente com a inocência? Teimam em imaginar que as crianças ou o período infante seja puro, sem mácula ou mancha. A situação de ignorante é confundida com a de inocente.
   Somos seres ignorantes, mas não inocentes. Quando compreendemos ignorância como o ato de “ignorar”, isto é, não ter ciência, logo compreendemos que a infância não é o tempo da inocência, mas da ignorância quanto a algumas realidades ou verdades universais da vida como, por exemplo, a vivência sexual do indivíduo.
       Desde o nosso nascimento participamos da realidade universal de todo ser humano. Somos pecadores desde a nossa concepção. Participamos automaticamente da queda universal do ser humano. Somos tristemente herdeiros do pecado original, no qual não há um justo sequer. Todos somos culpados e condenáveis, pois temos a essência do pecado enraizada em nossa carne humana.
      É bem verdade que não somos motivados a permanecer nesta desgraça, mas somos atraídos para a graça propriamente dita. Através da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo nossa essência má, injusta, desordeira e pecadora é justificada e, conjuntamente, somos motivados a viver uma vida diferente, a saber, santificada pela ação bondosa de Deus.
      Assim, somos retirados da lama do pecado e conduzidos a uma nova vida, uma nova postura e uma nova realidade, por intermédio da ação graciosa de Deus em Jesus Cristo. O nosso Batismo é sinal visível dessa nova realidade. Somos falhos e pecadores desde o nascimento, mas instigados a abandonar essa realidade a cada novo amanhecer.
       Diante disto e bom perceber que nunca fomos inocentes e nunca seremos. Somos pessoas que ignoram, ou seja, não sabem ou não compreendem algumas particularidades da vida. Nem mesmo como infantes somos inocentes. Para quem tristemente propaga o contrário só nos basta ter uma “santa paciência”, pois estes ainda acham que vivem na “santa inocência”.

Marcelo Peter

Missão Criança

O vídeo abaixo mostra, em imagens, o projeto "MISSÃO CRIANÇA". Este é um trabalho desenvolvido na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Acompanha as crianças desde o Batismo até a entrada no Ensino Confirmatório.

Compartilhamos o vídeo produzido pelo Pastor Nestor, que desenvolve o trabalho no Sínodo Noroeste Riograndense.




Marcelo Peter

TRINDADE: DEUS é "trivolt"

(Ao final da mensagem há prédica de Romanos 8. 12-17 para download)

TRINDADE: Deus é “trivolt”

        Neste domingo a tradição litúrgica da Igreja celebra a Festa da Trindade. Na convicção da fé, confessamos que Deus é um só – não existem mais deuses – contudo Deus se mostra (apresenta, atua) em três formas: Deus é, ao mesmo tempo, Pai e Filho e Espírito Santo.
        Este é o desafio litúrgico para as celebrações deste domingo: explicar o que é a Trindade; como ela funciona e o que ela tem haver conosco. De acordo com o Lecionário, este ano os textos de Isaías 6. 1-8, Salmo 29, Evangelho de João 3. 1-17 e, o texto da prédica, Romanos 8. 12-17 têm a função de colaborar para que entendamos este mistério da fé.
        Existem diversas formas de tentar explicar, mas (até hoje) nenhuma delas conseguiu realmente desvendar e elucidar, à nossa vã compreensão, o simples e complicado sistema trinitário. Os primeiros cristãos, dos quatro primeiros séculos, através do “Credo Romano” (ou Apostólico), e através do “Credo Niceno”, tentaram correlacionar e/ou definir as três formas de Deus agir (Trindade). Mas, foi através do “Credo Atanasiano” que a correlação, unidade e identidade da Trindade ganhou corpo.
        Ao longo da história várias teorias surgiram. Uma delas afirmava que o Pai, o Filho e o Espírito significavam três eras diferentes: o Antigo Testamento testemunhava a era do Pai, o Novo Testamento testemunhava a era do Filho e atualmente vivíamos na era do Espírito. Esta ideia foi fortemente negada, pois não tem base bíblica que a sustente.
        Poderíamos citar vários exemplos, em diversos momentos históricos, onde tentou-se explicar, interpretar e até defraudar a fé na Trindade. A melhor das explicações que já ouvi diz que a Trindade é a “comunidade perfeita”. Afirma que as três pessoas têm funções definidas e agem objetivamente. Elas dialogam entre si e se compreendem de forma plena. Em tempos de individualismos e exclusivismos egoístas esta forma de ver a Trindade pode ser útil.
        É difícil de explicar! É complicado para entender! Certa vez, um amigo (sempre é um amigo ou primo) me falou que a Trindade é o casamento perfeito (casamento entre três?). Não importa! Ele tentou explicar a unidade e personalidade da Trindade. E, quem dera as famílias se inspirassem no exemplo de diálogo e unidade que a Trindade possui. Caso assim fosse, a vida familiar poderia ser mais saudável e prazerosa.
        Eu, no trabalho com jovens, já tentei explicar com várias metáforas. Já comparei a Trindade com a água que pode ser líquida, sólida ou gasosa e não deixa de ser água; na época dos aparelhos “mini-system”, expliquei que o aperelho reproduz CD, Fita K7 e Rádio. Porém, a fita caiu em desuso e o MP3 acabou com a brincadeira; outras vezes falei dos três ângulos do triangulo; dos três tipos de cores no balde com água; e até do SOL com núcleo, raios e calor (energia), mas sempre percebo “furos” e impossibilidades na compreensão deste tema da fé.
        Sempre vai ser assim. É um mistério da fé. Pelo menos enquanto vivermos na esperança da ressurreição e da vida eterna. Quem sabe, depois saberemos e entenderemos tudo (1 Co 12.13). Mas, enquanto isto, vamos tentando compreender a Trindade. Por isso, estes dias pensei: “quer saber, Deus é TRIVOLT. Ele funciona em três voltagens diferentes, sem dar curto circuito ou estragar o aparelho. Nossa, Deus é super moderno mesmo!

Clique na imagem ao lado e baixe a prédica de Rm 8. 12-17 para o culto da Trindade:



Marcelo Peter