Pessoas, profissões e imperfeições na Bíblia


         Existe uma grande diferença na forma como lidamos com os objetos (coisas) e as pessoas. Pelo menos deveria haver. Por exemplo, uma taça de vinho tem um valor, uma utilidade, enquanto é apropriada para uso. Quando quebra ou trinca perde seu valor. Não serve para mais nada. Torna-se lixo. Logicamente irá ser descartada por conta de sua imperfeição, inutilidade e falta de função própria. Irá para o lixo; será reciclada; tornar-se-á, quem sabe, outro objeto.
        As pessoas, por sua vez, não podem e não devem ser descartadas, jogadas no lixo e empurradas para a sarjeta como se não tivessem valor ou qualidade. Infelizmente a lógica consumista e capitalista do mundo posmoderno, transferiu para os relacionamentos sociais e profissionais o critério utilizado com os objetos e as coisas. As pessoas são tratadas não como seres humanos, como indivíduos pertencentes a uma comunidade, mas como “coisas”, “objetos” e “instrumentos” que servem ou não servem; têm funcionalidade ou não; produzem ou não.
        Neste sistema “bruto, rústico e sistemático”, a valorização que Deus nos confere (justificação – Mateus 20, Romanos 3, Efésios 2) perde totalmente seu sentido. Deus nos valoriza apesar das nossas falhas e dificuldades. Logicamente, Ele não quer que continuemos vivendo nas falhas, erros e decisões equivocadas (pecados). Ele deseja profundamente que nos deixemos ser transformados pela vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, através da graça do Batismo.
        A lógica da aceitação e valorização incondicional que vem de Deus (salvação) está em direto conflito e embate com a lógica do sistema econômico e político, que valoriza as pessoas apenas por suas capacidades e potencial produtivo.
        Dando uma rápida visualizada no testemunho das Sagradas Escrituras, exemplificando, perceberemos que é possível estar inserido na sociedade, no mercado de trabalho e na vida política sem, necessariamente, usar o critério do “presta” ou “não presta”. Porque, se fosse assim, muitos ícones da Bíblia não prestariam. Os seres humanos, filhos de Deus, têm valor, apesar de suas imperfeições e dificuldades pessoais. Mesmo em meio às falhas ou erros, Deus valoriza as pessoas.
        Vamos brincar um pouco com alguns paradigmas da Bíblia:
NOÉ: poderemos considerá-lo o primeiro “engenheiro” da história. Ele construiu a grande Arca (Gn 6). Um grande profissional. Mas, Noé era alcoólico. Tinha uma doença incurável e fatal (Gn 9);
ABRAÃO: é o responsável por organizar seu povo em clãs (pequenos grupos). Quem sabe, foi o primeiro “administrador” (Gn 12). Não tinha descentes, mas mesmo na velhice, Deus lhe deu um filho. Ele, para não se responsabilizar e não sofrer as consequências de disputas políticas, mentiu sobre seu estado civil e colocou sua esposa em situação complicada frente a outros homens (Gn 20);
ISAQUE: deveria suceder Abraão, seu pai, na tarefa de conduzir o clã (Gn 24), mas era medroso e covarde. Não tinha atitude e opinião própria (Gn 26);
JACÓ: filho de Isaque, tinha um irmão gêmeo, Esaú. Para ocupar o cargo familiar (direito de primogenitura) jogou sujo. Mentiu e enganou seu pai na velhice, ou seja, não merecia aquilo que recebeu (Gn 27);
MOISÉS: o grande líder do povo hebreu; o libertador dos escravos do Egito. Quem sabe tenha cursado “Comunicação Social com ênfase em Marketing”. Pois bem, este grande comunicador e conciliador era gago (Êx 4.10);
GIDEÃO: foi considerado um grande juiz para as tribos israelitas (Jz 6). Mas, durante toda sua vida e atuação sempre teve dúvidas sobre sua capacidade pessoal para a função que ocupava (Jz 6.15);
DAVI: até hoje é lembrado como o grande Rei de Israel. Não há rei que possa ser comparado a Davi. Nem mesmo Salomão (filho) pôde superar este grande governador. No entanto, ele cometeu dois grandes crimes: adultério e assassinato (2Sm 11);
JEREMIAS e TIMÓTEO: o primeiro foi profeta, o segundo foi colaborador de Paulo em suas viagens missionárias. Os dois sentiam-se incompetentes por serem jovens demais. Achavam que não serviam para o trabalho que lhes era designado (Jr 1, 1Tm 4.12);
JONAS: em sua atuação podemos considerá-lo um “professor”. Recebeu a tarefa de “educar” e instruir as pessoas de Nínive. Mas, Jonas era irresponsável. Não cumpria fielmente com suas obrigações (Jn 1);
JOÃO BATISTA: foi responsável por anunciar a chegada do Messias. Sua tarefa consistia em ser porta-voz da mensagem do Reino. Este grande profeta era um cara estranho. Vestia-se de forma estranha; comia coisas estranhas... era todo estranho (Mt 3);
PEDRO: o líder dos discípulos, deveria manter a unidade do grupo, estava incumbido de orientar e conduzir as decisões no grupo... Pedro negou seu mestre três vezes (Mt 26);
MARTA: uma mulher de um povoado por onde Jesus passou. Essa mulher, nos dias de hoje seria considerada hiperativa (Lc 10);
PAULO: o grande apóstolo. Responsável pela fundação e condução da vida de diversas comunidades. Orientador teológico da vida cristã. Antes de atuar em prol das comunidades foi conivente com um assassinato (At 7). Para completar, Paulo tinha uma deficiência física: ao longo dos anos foi perdendo a visão (Gl 4).
        Poderíamos elencar e brincar com outros tantos textos e exemplos bíblicos. Em todos eles percebemos pessoas falhas, imperfeitas, cheias de dificuldades – as mais diversas – e vemos também a atuação de Deus, valorizando e transformando a vida dessas pessoas. A partir disto, não podemos aceitar a lógica que exclui e humilha as pessoas por conta de suas imperfeições, incapacidades ou dificuldades pessoais. Temos valor não pela coisas que fazemos, mas pelo que Cristo fez por nós.
        Deus não aceita o erro. Ele aceita a pessoa que errou, e a transforma por sua imensa graça. Deus não olha nossas capacidades, incapacidades, habilidades ou imperfeições. Deus vê, em cada uma de nós, uma semente do seu amor que precisa germinar, tornar-se uma planta e florescer para a vida em abundância (Jo 10.10). Não somos objetos. “Somos plantas, ramos da videira em flor, carentes do cuidado de um bom agricultor. Deus nos alimenta para bem crescer. É a fonte necessária pra viver.” (HPD 431)

Marcelo Peter
(Reflexão realizada no Colégio Evangélico Rui Barbosa - CERB)

“Eu quero ‘chu’... eu quero ‘va’... eu quero chu chu va va...”

       Até perdi as contas de quantos dias passamos sem chuvas aqui na região noroeste do Rio Grande. O clima seco e o ar empoeirado há dias dificultam a respiração. No colégio percebemos que os alunos estão com tosse, alergias despontando e princípios de gripe alarmando pais e mães. Eu mesmo, em meio a minha rinite alérgica, estou aguentando o clima “feio” na base do “xarope”, porque o pulmão já não aguenta mais.
        Nas duas últimas noites nem conseguia dormir bem. Diversas vezes acordei por conta das dificuldades respiratórias. Os dois últimos dias foram complicadíssimos. Estava quase que insuportável trabalhar, estudar, respirar...

        Inspirado no hit “serta-nojo universitário” do momento, parodiávamos de forma unânime: “Eu quero ‘chu’... eu quero ‘va’... eu quero chu chu va va...”
        Para minha surpresa e alegria, nesta manha, por volta das seis horas da matina, fui acordado com o doce, agradável e gratificante som das gotas de chuva no telhado. Minha janela, de material metálico, ressoava a mais bela melodia que poderia querer ouvir. Como estou gripado, com dificuldades na respiração, não me arrisquei a “dançar na chuva”. Porém, durante o banho matinal, preparando-me para dar aula, sentindo o suave cheiro da terra molhada, dançava e cantarolava no chuveiro.
        Hoje pela manhã, no CERB (Colégio Evangélico Rui Barbosa) reiniciamos nossas meditações matinais, tanto com Ensino Fundamental, quanto com o Ensino Médio. No horário da noite faremos o mesmo com o Curso Técnico. Nesse momento de meditação e celebração foi maravilhoso e gratificante louvar e bendizer a Deus pela chuva. Como estamos carentes das águas celestes!
        Agora são 13h e 45min. Já não chove mais. O sol manifesta-se luminoso no céu. Agradecemos também pelos raios de sol que ajudam a germinar nossas lavouras, aquecem nossos corpos e irradiam vida. Contudo, clamamos e pedimos ao bondoso Deus por chuvas. Rogamos em oração por mais gotas benditas para regar a nossa vida, molhar nossas hortas e lavouras, e umidificar nosso ambiente. Amém!

Marcelo Peter

ÁUDIOS MP3 das Leituras para a Prova de Conclusão (Bíblica)


Continuando as leituras para o Exame de Conclusão de Curso na Faculdades EST, fiz resumos das leituras designadas para a Prova Bíblica. Como forma de estudo pessoal do conteúdo gravei os conteúdos em ÁUDIO MP3.



Compartilho as gravações feitas. Clique no título do texto, antes da referência bibliográfica e ouça os conteúdos

AUTORIDADE DA BÍBLIA - BRAKEMEIER, Gottfried. A autoridade da Bíblia. São Leopoldo : Sinodal/CEBI, 2003. p. 27-90. (livro integral)

SOTERIOLOGIA - BRAKEMEIER, Gottfried. O ser humano em busca de identidade. São Leopoldo: Sinodal, 2002. p. 79-106.

ECLESIOLOGIA - ROLLOFF, Jürgen. A igreja no Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 2005, p. 94-144.

ÉTICA - SCHRAGE, Wolfgang. Ética do Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 1994, p. 169-222

REINADO DE DEUS - NOLAN, Albert. Jesus antes do cristianismo, São Paulo, Paulinas, 1988, p. 71-132

ANTIGO TESTAMENTO (visão geral) - SCHMIDT, W.H. Introdução ao Antigo Testamento. São Leopoldo, Sinodal/IEPG, 1994 (vários capítulos).

LITERATURA EXÍLICA - SCHWANTES, Milton. Sofrimento e esperança no exílio. Cap. 4 (Literatura exílica na Babilônia), p. 73-113

HERMENÊUTICA DA LIBERTAÇÃO - RICHARD, Pablo. Leitura popular da Bíblia na América Latina. (Hermenêutica da Libertação) RIBLA 1, 1988, p. 8-24.

                                                                                                        Marcelo Peter

Professor, para ter valor, precisa saber nadar?



Não sei se já perceberam, mas o ser humano, constantemente, precisa se justificar de alguma forma, para ser valorizado e reconhecido. Sempre e novamente a pessoa humana é compelida a mostrar seu valor, sua importância e suas capacidades produtivas. 

Observando o processo de interação na sociedade, percebe-se claramente que, todos os dias, somos coagidos e obrigados pela sociedade global a que nos justifiquemos como pessoas que produzem e fazem as coisas acontecerem. No convívio humano, ninguém é reconhecido naturalmente. Para ter reconhecimento pessoal, para ter um lugar ao sol, precisamos conquistar, a duras penas, nosso espaço.

Isso não é diferente na arte de ensinar. Na vocação de professor (educador) somos cobrados cotidianamente a dar resultados efetivos. Acontece este fenômeno porque vivemos num ambiente global, que cobra incisivamente resultados. Neste espaço vivencial da “posmodernidade”, erroneamente, somos valorizados e definidos pela nossa capacidade produtiva. Quanto mais produzimos, tanto mais somos valorizados. Quando deixamos de produzir, ou nos tornamos menos eficientes, vamos - gradativa ou instantaneamente - perdendo nosso lugar de destaque.

Observando de modo racional e lógico, é necessário que sejamos cobrados. É extremamente importante que nos retirem de nossa “zona de conforto” e nos lancem ao convívio intenso da vida para que produzamos, criemos e fomentemos novas formas de atuação profissional e pessoal. Como diz o ditado popular, “quando a água bate na bunda é que o sujeito aprende a nadar”. No entanto, é preciso tomar cuidado. Por acaso vocês já viram como reage uma pessoa quando está desesperada, em alto-mar, na iminência de se afogar? Justamente nisto reside o problema das cobranças por produção e supervalorização.

No atual momento histórico, estamos sendo coagidos a pensar que somente seremos importantes se mostrarmos resultados, em todos os níveis e a todo o momento. Na atual conjuntura, nos instigam a pensar que somente seremos valorizados por nossa capacidade produtiva. Mas, o que acontece quando nos sentimos sem valor, sem capacidade, sem perspectiva de vida, sem possibilidades criativas? Em muitos momentos, em nossa vida profissional e pessoal, parece que não conseguimos nadar e chegar a um porto seguro. Em diversos momentos de nossa vida, sentimos que nadamos contra a maré. 

Não foi somente uma ou duas vezes que, em escolas diferentes, já ouvimos ou vimos professores desmotivados com suas aulas, seus salários ou seus alunos. Muitas eram as cobranças e poucos eram os resultados. Como reagir? Adianta nadar? Vale apena ficar se cansando neste rio caudaloso? Não seria melhor desistir e deixar a correnteza nos levar para onde quiser? Quem sabe o caos e falta de perspectiva seja a melhor das alternativas para nossa vida. Vamos parar de tentar! Vamos desistir e deixar o corpo cair corredeira abaixo, até chegar ao fim do leito do rio da vida.

Neste momento, quando chegamos ao limiar de crise existencial, quando estamos desesperançosos com a vida atual ou futura, olhamos para a Palavra de Deus na Bíblia e lemos: “Concluímos, pois, que o ser humano é justificado pela fé, independente das obras da lei.” (Romanos 3.28).

Recorrendo à Palavra de Deus percebemos que, SIM, precisamos ser cobrados em nossas atividades. Como professores, estamos comprometidos com uma causa - a Educação – e não podemos esmorecer. Nossa tarefa é árdua, mas promove transformação de mentalidades e proporciona novas perspectivas sociais. Sim, ser professor é uma batalha diária de nadar incansavelmente contra a maré; contra a maré da ignorância. E, esperamos ver o resultado na beleza do diferencial que proporcionamos ao convívio humano.

Mas, apesar de tudo isto, é imprescindível que não pensemos e nem deixemos pensar que somente somos pessoas de valor e de importância por causa dos resultados de nossa atuação. Somos gente, somos pessoas, somo indivíduos, somos comunidade que quer e precisa viver bem. Não podemos nadar somente para produzir (obrigação), precisamos nadar para curtir as braçadas na água (prazer).

Professor que sabe nadar tem valor. Mas, o nosso valor, nos ensina a Bíblia, não é fruto de nosso esforço pessoal, de nossas conquistas e vitórias. Nosso valor é graça e dádiva de Deus. Nossos amigos, familiares, colegas de trabalho e alunos devem ver-nos como irmãos na fé em Cristo. Nosso valor real foi dado por Deus, em Jesus Cristo, porque “Concluimos, pois, que o ser humano é justificado (valorizado) pela fé, independente das obras da lei (produção pessoal).

Marcelo Peter
(reflexão para Reunião Pedagógica no CERB)

O Dia das Mães no Colégio Evangélico Rui Barbosa – CERB


No último sábado, dia 12 de maio, o Colégio Evangélico Rui Barbosa (CERB) de Giruá, da Rede Sinodal de Educação da IECLB, esteve envolvido em uma atividade em homenagem às mães. O Colégio organizou um chá para celebrar e festejar a importância e o valor das mães. O evento aconteceu no Centro Evangélico da Comunidade Evangélica da Paz, da Paróquia de Giruá.
Professores, pais e alunos estiveram envolvidos e motivados em um lindo encontro onde pudemos compreender que ser mãe é um presente de Deus. É uma dádiva que merece e precisa ser valorizada. Diversas atrações e apresentações foram organizadas para que as mães pudessem celebrar seu dia. Todos os alunos, desde o Maternal ao Ensino Médio estiveram envolvidos.

Sabemos que, na atual conjuntura social, a maioria das mães tem inúmeras tarefas e atividades. Ao lado do papel de mãe ela precisa trabalhar e estudar, e ainda tem o cuidado com o lar da família. Por isso, a partir das aulas de Ensino Religioso, organizamos uma encenação teatral que pudesse refletir o quanto as mães se dedicam em prol da vida familiar em todos os seus aspectos. Assim, buscamos homenageá-las. Complementando a apresentação teatral, alunos do Ensino Médio cantaram a música popular “Mãe”, que fez emocionar diversas mães que prestigiaram o evento. (assista ao vídeo)
O Colégio Evangélico Rui Barbosa deseja que todas as mães saibam do valor que elas têm. Na bíblia o amor de uma mãe é usado como exemplo para falar do amor de Deus por nós (Is 66.13). Assim, que reconheçamos o valor, a importância e a dádiva que são nossas mães.

Marcelo Peter


Confira reportagem original clicando na imagem abaixo:
 

ÁUDIOS MP3 das leituras para as Provas de Conclusão (Histórico-Sistemática)


A partir das leituras para o Exame de Conclusão de Curso na Faculdades EST, fiz resumos das leituras designadas. Como forma de estudo pessoal do conteúdo, gravei os conteúdos em ÁUDIO MP3.

Compartilho as gravações feitas. Clique no título do texto, antes da referência bibliográfica e ouça os conteúdos
*    LITERATURA SOBRE “ÉTICA”

O PRINCÍPIO ÉTICO = FORELL, George W. O Princípio Ético, In: Fé Ativa no Amor. São Leopoldo: Sinodal, 1977. P. 66-109.
ÉTICA CRISTÃ = MUELLER, Enio R. Teologia Cristã em poucas palavras. São Paulo: Teológica; São Leopoldo: EST, 2005, p.79-110.

ÉTICA COMUNITÁRIA = DUSSEL, Enrique. Ética Comunitária. Petrópolis: Vozes, 1986. P. 115-125 e p.240-253. (25p.)


*    LITERATURA SOBRE “MINISTÉRIO”

MINISTÉRIO LUTERANO = DREHER, Luis. H. Algumas ideias sobre teologia do ministério. Especificidades luteranas na convergência ecumênica com a Igreja Católico-Romana, In: Os Ministérios - Seminário Bilateral Misto Católico Romano – Evangélico Luterano. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2002, p. 37-69.

CHAMADO E ORDENAÇÃO PASTORAL = DREHER, Martin N. Igreja, ministério, chamado e ordenação: estudos a partir de Lutero. São Leopoldo: Sinodal; Porto Alegre: Concórdia, 2011.

O MINISTÉRIO DA IGREJA = Reino – Igreja - Humanidade. In: Igreja e Mundo – unidade da Igreja e renovação da comunidade humana. São Paulo: ASTEC/CESE,1993. P. 35-55. (Revista Simpósio – caderno especial Nº4)


*    LITERATURA SOBRE “TEOLOGIA SISTEMÁTICA”

TEOLOGIA CRISTÃ = MUELLER, Enio Ronald. Teologia Cristã em poucas palavras. São Paulo: Teológica; São Leopoldo: EST, 2005. P. 43-77.

VIVER PELA FÉ = BAYER, Oswald. Viver pela fé. São Leopoldo: Sinodal/IEPG, 1997. P. 40-51.

A DINÂMICA DA FÉ = TILLICH, Paul. A Dinâmica da Fé. São Leopoldo: Sinodal, 1974, P. 5-7; 15-9; 24-30.

O ESTUDO TEOLÓGICO = BAESKE, Albérico. Como se Estuda e Vive Teologia Conforme Lutero. In: HOCH, Lothar C. (ed.). Formação Teológica em Terra Brasileira. São Leopoldo: Sinodal, 1986. p. 74-96.

TEOLOGIA NA IECLB = BRAKEMEIER, Gottfried. O Mandato Teológico da IECLB. In: HOCH, Lothar C. (ed.). Formação Teológica em Terra Brasileira. São Leopoldo: Sinodal, 1986.


*    LITERATURA SOBRE “HISTÓRIA ECLESIÁSTICA”

IGREJA NO IMPÉRIO ROMANO = DREHER, Martin N. A Igreja no Império Romano. São Leopoldo, Sinodal, 1993. P. 59-78; 90-93.

IGREJA NO MUNDO MEDIEVAL = DREHER, Martin N. A Igreja no Mundo Medieval. São Leopoldo, Sinodal, 1993. P. 37-48; 100-116.

LUTERO = LINDBERG, Carter. As Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal/IEPG, 2001. P. 74-113.

IGREJA LATINOAMERICANA NO CONTEXTO MUNDIAL = DREHER, Martin N. A Igreja Latino-Americana no Contexto Mundial. São Leopoldo: Sinodal, 1999. P. 14-16; 87-94; 95-98; 120-27; 129-34; 148-57; 177-82; 219-232.

IGREJA NO BRASIL = HOONAERT, Eduardo. A Igreja no Brasil. In: DUSSEL, Enrique (Org.) História Liberationis-500 anos de história da igreja na América Latina. São Paulo: Paulinas, 1992, p. 297-316.

Marcelo Peter

De que vive a fé verdadeira?


De que vive a fé verdadeira?


          O reformador da igreja cristã, Martim Lutero, a partir do testemunho bíblico, expressa que a fé vem de ouvir a pregação da Palavra de Deus. Para Lutero a fé é uma obra divina em nós, na qual Deus mesmo nos mata, enquanto ‘velho Adão’ que somos, fazendo de nós uma nova criatura. A Palavra cria a fé justificadora.
          A Palavra de Deus cria e renova. A Palavra de Deus é efetiva. De acordo com Genesis 1 seu falar cria! Em conformidade com Romanos 4.17, seu falar devolve a vida. Por isso Ele, por seu falar, pode matar o ‘velho Adão’ e criar uma nova criatura.
          A pessoa justificada em fé e graça deve ter o olhar direcionado exclusivamente para Cristo. A santificação acontece em consonância com a justificação. O ser humano não pode tomar o pulso da fé e agir sem os olhos fixos em Cristo (Mateus 14.22-33). Caso faça isto, o ser humano fica enredado em seus atos e abstrai-se da promessa de Deus.
          O Apóstolo Paulo escreveu em Romanos 10.17: “A fé vem pela pregação, e a pregação, pela Palavra de Cristo.” Em síntese: a fé vem pelo ouvir. A fé vem na promessa na qual o próprio Jesus Cristo, e com Ele o Reino de Deus, se revela a mim, e em meio à comunidade me traz de volta ao meu lar, fazendo de mim um novo ser.
          O Artigo 5º da Confissão de Augsburgo – base confessional luterana – expressa isto ao dizer que o ‘serviço’ da Palavra foi instituído para que recebamos a fé justificadora.
          A “Palavra” é a forma de comunicação por excelência. Mas a “Palavra” pode ser expressa de diversas formas. Gestos e atos são palavras. Pensamento, palavra dita e ação são expressões da “Palavra”. Palavra e ação estão tão interligadas que não podem ser separadas.  Lutero lê, ouve e entende a Bíblia como um testemunho de uma palavra viva. Para ele a Bíblia ouvida, usada e pregada é “viva vox evangelii”.
          Para Lutero a oralidade da Palavra é importante. Na oralidade da Palavra está expresso seu caráter público. O Evangelho deve ecoar em todo o mundo para demonstrar a fé na promessa de salvação em Cristo Jesus.
          A autoridade da Bíblia, da Palavra, reside no critério de promover a Cristo. Toda a escritura promove a Cristo. O que prega e promove a cristo tem sentido apostólico e tem autoridade. Em Romanos 3.21 lemos que a Escritura tem a intenção de promover a Cristo. Em 1 Coríntios 2.2 o Apóstolo Paulo demonstra que ele não quer saber outra coisa que não seja Cristo.  Assim, chegamos a um denominador: Cristo é o único critério de autoridade para a Bíblia. Por conseguinte, igualmente para a Palavra escrita ou oral.
          O Evangelho anuncia, aponta e traz o Reino de Deus. Pela Palavra de Deus somos inseridos em seu Reino. A Palavra é muito importante. Ela tem a força da “promessa”.
          Todo o Antigo e o Novo Testamento estão permeados dessa promessa (Is 43.1; Lc 2.11). Para Lutero, Jesus Cristo, como Palavra justificadora de Deus, vem a nós de maneira clara na promessa contida na Absolvição, no Batismo e na Santa Ceia. Nos ‘meios da graça’ (Palavra) Deus diz, através de Cristo: “Eu sou por vocês”. Na ‘promessa’ Deus se revela em comunhão conosco. Deus cumpre o que promete; Deus se ‘com-promete’ com ser humano, de modo que este confie e creia Nele.
          Assim vive a fé verdadeira!

(Baseado em: BAYER, Oswald. Viver pela fé. São Leopoldo: Sinodal/IEPG, 1997. P. 40-51.)

Marcelo Peter