Colossenses 3. 12-17 - Prédica Batismal


(Prédica proferida em Tenente Portela-RS, por ocasião do batizado de Laura Eduarda, filha de Nestor e Marlei Schul – 30/12/2012)


      Observem estas duas caixas(*). 

        Há uma nítida e visível diferença entre elas (pra mim ao menos). As duas caixas têm o mesmo tamanho, mas são bem diferentes. A primeira é um simples pacote (um embrulho) destes que a gente encomenda, e os correios nos enviam. A outra é diferente! Tem algo especial. É um pacote de presente. Além de trazer alguma coisa para nós, também transmite carinho, afeição, amor, doação, alegria. As duas caixas nos ajudam a entender o texto bíblico de nossa prédica e auxiliam a interpretarmos o que é o Batismo para nossa vida.


       Conforme meu modo de ver e compreender, esta primeira caixa (embrulho, encomenda) não tem nada haver com o texto de Colossenses, muito menos com o Batismo. Ela é um pacote fechado e “meio sem graça”. Tudo bem que, quando a gente encomenda algo, ela pode trazer boas coisas. Traz aquilo que queríamos, mas precisamos pagar para receber. Se não comprar e pagar a encomenda, não a recebo. Ela não vem gratuitamente. Preciso fazer um enorme esforço e desembolsar alguma quantia em dinheiro para recebê-la.

       A segunda caixa (o presente), por sua vez, tem tudo haver com o texto e com o Batismo. Não recebo um presente porque mereço. Não posso conquistar um presente. É um gesto de carinho que alguém faz porque gosta de mim; porque tem sentimento de afeto e amor. É algo especial pensado exclusivamente para nós. Neste tempo de Natal e Ano Novo, dar e receber presentes são gestos de singela e sincera amizade.

       Assim, quando eu e você fomos batizados em nome do trino Deus, gratuitamente, Deus mesmo veio ao nosso encontro, por intermédio de Jesus Cristo, na ação do Espírito Santo e nos deu o maior de todos os presentes: presenteou-nos a graça da salvação!
       A mensagem do texto de Colossenses nos convida a receber alegremente o presente do Batismo em nossa vida e usufruí-lo (utilizá-lo) a cada dia de nosso viver. Se soubermos aproveitar a dádiva (o presente) que é o Batismo, então, dia-a-dia, estaremos crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e da comunidade (Lc 2.52).
       Diz o texto que devemos nos reconhecer como pessoas que são amadas (justificação) e santificadas por Deus. E assim, nos revestirmos como filhos escolhidos e filhas escolhidas por Deus. Para entender isto temos que voltar no tempo:
       No Jardim do Édem, Adão e Eva foram criados por Deus e receberam uma dignidade e uma valorização que os fazia serem especiais para Deus (Gn 2.7). Infelizmente, eles não valorizaram e não vivenciaram esse amor divino. Caíram em pecado e começaram a cometer maldades. Quando se deram por conta de seus erros, perceberam que estavam nus. Estavam sem dignidade e sem valor. Adão e Eva, envergonhados, costuram folhas de figueira para tentar tapar sua vergonha.
       No Batismo, Deus conserta esse erro humano, nos presenteando uma veste de dignidade e valorização. Ele retira de nós o velho Adão; purifica-nos do pecado e da maldade, presenteando-nos uma veste de perdão e vida nova. Deus nos presenteia. Reveste-nos de sua graça e amor.
       Através do Batismo, revestidos com este presente amoroso de Deus, podemos desenvolver em nossa vida os carinhosos afetos da misericórdia, da bondade, da humildade, da mansidão e da longanimidade:
a)Ter misericórdia é o mesmo que ter compaixão. É importar-se e preocupar-se pelos outros. Ser solidário;
b)Ter bondade significa que além de ter compaixão é preciso agir e ajudar nossos irmãos e irmãs nas suas necessidades;
c) Ter humildade é saber que todos nós somos batizados. Todos recebemos o presente das mãos de Deus. Todos temos valor e dignidade semelhante. Na vida cristã ninguém é mais ou menos. Todos fomos presenteados por Deus;
d)Ter mansidão, segundo Lutero, “é a virtude pela qual alguém não se deixa provocar facilmente para a ira [...]”. Como pessoas batizadas, precisamos aprender isto de Jesus, porque Ele era manso e humilde de coração (Mt 11.29);
e)Ter longanimidade. Somente para dizer tal palavra já preciso ter paciência. Na vida de fé é preciso exercitar a paciência. Somente assim conseguiremos conviver em comunidade. Somente assim conseguiremos viver em paz conosco mesmos. Sobre a longanimidade (paciência) Lutero escreveu assim: “Quando o diabo não pode vencer os que são tentados pela força, ele os vence pela persistência, pois sabe que somos como vasos de barro que não podem suportar frequentes e contínuos golpes [...] Para vencer essa sua persistência é preciso longanimidade [...]”.
       Quando percebemos a importância do presente que Deus deu para cada um de nós, através do Batismo, então conseguimos conviver mais facilmente como irmãos e irmãs na fé. Conforme o texto, conseguimos nos suportar uns aos outros, bem como nos perdoar mutuamente. Quando aproveitamos diariamente o presente do Batismo, o amor de Deus se torna o critério base do nosso agir e a paz, que vem de Deus, conduz as nossas atitudes e os nossos relacionamentos; porque somos integrantes de um mesmo organismo: o corpo de Cristo (a Igreja, a Comunidade).
       Ainda em tempo, é importantíssimo destacar que para saber usufruir do presente que Deus nos dá no Batismo é extremamente necessário viver em Comunidade. É preciso participar da vida da comunidade. Não conheço, sinceramente, ninguém que consiga vivenciar os dons apontados neste texto sem conviver com outras pessoas na comunidade (na igreja).
       O autor do texto bíblico sabe muito bem disto, por isto exorta para que a Palavra de Deus habite ricamente em nós. Devemos nos instruir, nos aconselhar, louvar a Deus e ser gratos de coração. Ora, o texto é bem claro. Está dizendo: você recebeu o presente do Batismo. Vivencie este presente na sua comunidade. Participe dos cultos, vá aos estudos bíblicos, aprenda mais da Bíblia, ore, louve a Deus, cante hinos com muita alegria, seja uma liderança na comunidade, coloque-se a serviço do Evangelho...
       Aqui na paróquia, estamos buscando vivenciar e aproveitar o presente do Batismo. Nossos cultos, Encontros de Família, o Grupo de canto, tantas outras atividades e o Projeto Missão Criança são exemplos disto.
·            Querido Nestor, Marlei, padrinhos e madrinhas: assim como cada um de nós um dia foi presenteado por Deus no Batismo, de igual modo, hoje a pequena Laura Eduarda (a Laurinha) vai ser presenteada por Deus. Ela vai ser batizada e vocês têm a tarefa de instruí-la e orientá-la para valorizar, cuidar, aproveitar e saber usar de forma consciente a dádiva (o presente) do Batismo. Que Deus os abençoe nesta graciosa e sublime tarefa e compromisso! Que a Laurinha possa crescer em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante da comunidade cristã.
·            Estimada Comunidade, irmãos e irmãs, nós a cada dia de nossa vida precisamos recordar do presente divino que é nosso Batismo. Precisamos desenvolver as dádivas que recebemos. Que possamos participar da vida celebrativa da nossa comunidade para vivenciar a graça da salvação.
      E a todos nós, como diz o texto bíblico: em tudo o que fizermos, seja em palavra, seja em ação, façamos em nome do Senhor Jesus, para sua honra e glória, e sejamos agradecidos a Deus, o Pai. Amém!
                                                                                   Marcelo Peter 

Prédica de Ano Novo sobre Mateus 18.1-5

“Lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminhar é a tua palavra Senhor” Sl 119.105.

Estimados irmãos e irmãs em Cristo! Conta uma história que uma criança subiu sobre uma laje e brincando perdeu-se no tempo até escurecer. Estando escuro, ela não sabia mais onde era a saída, a descida da laje. Ela chamou o seu pai.

O seu pai chegou perto e com o reflexo da lua por trás podia ver o filho que estava desesperado por não conseguir mais descer. Mas o filho não via o pai.  O Pai exclamava-Pule meu filho eu estou aqui para te segurar! O filho resistiu, pois ele não via nada lá em baixo, apenas um escuro abismo. Porém, o filho podia ouvir a voz do pai... O pai não desistiu e novamente chamou o filho e disse: Pule meu filho, eu estou de braços abertos para te segurar. Finalmente, o filho cria coragem, pula e caiu nos braços do pai que prontamente o segurou.

O filho disse que receava em pular, pois lá de baixo via apenas o escuro abismo e ouvia a voz do pai. O filho confiou no pai e pulou e caiu em seus braços. O pai disse: Meu filho, tu não podias me ver, mas eu te via e, por isso, pedi que pulasse em meus braços e para o lado que quer que fosse que caísse, eu o seguraria.

Estimada Comunidade! Esta história é de autoria desconhecida e sempre adaptável e é de extrema relevância para nossa reflexão de hoje.

A criança não via o pai, porém ela pula na certeza de que será agarrada e segurada pelos braços do pai. Quantas vezes na nossa vida nós também vivemos dias escuros de nossa existência e temos medo. Quem sabe na perda de um ente querido, na perda de bens matérias, qualquer tipo de perda, no aparecimento de uma enfermidade que por ora temos que conviver ou quem sabe uma enfermidade, com a qual teremos que conviver o resto da vida. Ou ainda se os negócios no trabalho ou empresa não estão indo tão bem...

Nestas e noutras situações, cara comunidade, temos que nos jogar nos braços de Deus, em confiança, assim como fez a criança de nossa história.  A criança confiou e se jogou no escuro nos braços do pai que a podia ver e acolher em seus braços. Confiança é sinônimo de fé, confiança é lançar se aos cuidados e aos braços de Deus na certeza de que ele nos acolhe em nossas aflições e fragilidades.

O Natal passou e mais uma vez pudemos ver a luz do menino Jesus entre o seu povo, O Verbo que se fez gente e morou entre nós. Deus que desce de sua glória para habitar conosco, lembramos e pudemos experimentar o Emanuel, o Deus-Conosco mais uma vez ao longo deste ano. Por isso estamos aqui reunidos em culto para agradecer a Deus pelo ano que passou e oferecer nossos louvor  e nos confiar a Ele no porvir.

O texto de hoje nos fala de Jesus que ensina a seus discípulos que nos devemos “converter” e nos tornar como crianças. Mais uma vez as crianças estão em cena. Os Discípulos perguntam “Quem é o maior no Reino dos Céus?”.

A resposta de Jesus é clara no sentido de que deve haver uma mudança de mentalidade e usa o exemplo da criança. Que os discípulos devem se tornar como uma criança para entrar no Reino dos Céus. Jesus usa esse termo “converter” no versículo 3,e temos de ter como pano de fundo a cultura semítica. Converter no sentido de “voltar”, “retornar”, “rodear” que são usados para dizer o nosso “de novo”. Jesus Diz que temos que “de novo” (novamente) voltar a ser criança. Temos que ter em mente que no meio ambiente de Jesus, as crianças, assim como as mulheres, estavam entre as pessoas menosprezadas e à margem da sociedade. Mas Jesus em contrapartida é quem promete salvação às crianças (Mc 10.14), e além disso ele declara que só o “tornar-se de novo criança” é que pode dar acesso ao Reino de Deus.
Estimados irmãos e irmãs em Cristo!

 O que significa “voltar a ser como uma criança”? Talvez o ponto de comparação fosse a humildade de uma criança (vs.4). Dificilmente, pois na época de Jesus não se acha nenhum exemplo de que as crianças sejam humildes. Ou do ponto de vista de comparação de que as crianças sejam puras. Esta ideia também não é corrente no judaísmo palestinense antigo.

“Voltar a ser como uma criança” tem haver com “REAPRENDER A DIZER ‘ABBA (Pai)”.  Com isso Jesus quer nos dizer o que é penitência. Converter-se, mudar a mentalidade, voltar-se a si mesmo significa reaprender a dizer Pai. Depositar total confiança no Pai Celestial, retornar à casa do Pai. Lucas 15.11-32 é a prova de que esta compreensão é correta. A penitência do filho perdido consiste em que ele achou o caminho de volta para o pai. Penitência é nada mais do que confiar na Graça de Deus!

Estimada Comunidade! Assim como o filho (de nossa história) confiou no pai e pulou nos braços do pai, e assim como o filho pródigo caiu em si e retornou a casa paterna, assim nós diariamente temos que aprender a fazer penitência e a sermos convertidos no sentido bíblico.

Isto é, voltarmos a ser crianças, como aquela que Jesus pega no colo e REAPRENDERMOS a dizer Pai (‘Abba). Aprender a dizer Pai com confiança em meio às tribulações de nossa existência, de nosso trabalho, de nosso dia a dia. Vamos confiar em Deus, assim como uma criança confia nos seus pais. Pois estes dão amor, sustento, cuidam, colocam pra dormir, dão todo o cuidado necessário.

Até aqui nos trouxe Deus, nos orientando, animado e consolando através do seu Espírito Santo. Que para 2013 possamos nos tornar como crianças e a cada dia dos 365 dias Reaprender a dizer PAI, e a nos confiarmos em suas mãos. Quando os dias estiverem cinzentos e o sol não brilhar tão forte, lembremos que Deus está a nos enxergar e estará de braços abertos para nos acolher em quaisquer circunstâncias, basta voltarmos a ser crianças e a cada dia reaprender a dizer Pai e em confiança e esperanças nos entregarmos aos seus cuidados!

Que Deus nos ilumine e nos abençoe!
Um feliz e abençoado 2013! Amém!



AutorMinistro Religioso Candidato Pastoral- Luiz Temóteo Schwanz - Comunidade da Consolação

CAPA – Trabalhando em defesa da Vida


Com o propósito de ser “semente ou fermento”, nasceu o projeto CAPA (Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor), um departamento ou uma ferramenta da IECLB, com intuito de promover, motivar ou estimular iniciativas de desenvolvimento solidário e coletivo junto ao agricultores familiares. A proposta do projeto CAPA nasceu no ano de 1978, a partir de uma preocupação da igreja com os agricultores familiares que estavam sendo dominados pelo sistema de agricultura industrial, não tendo condições de competir, estavam vendendo suas propriedades e procurando nas cidades alternativas de trabalho.

Neste sentido o CAPA sempre buscou trabalhar com populações de pessoas, que de certa forma foram excluídos ou estão a margem do sistema econômico (pequenos agricultores, índios, quilombolas...), para que este setor, junto com outros segmentos sociais, possa avançar na construção de uma sociedade mais justa, solidária e pautada pela ética.

O CAPA núcleo Verê- PR trabalha com agricultores familiares organizados em associações e cooperativas que estão voltados para a produção agroecológica de alimentos. Alimentos estes que são entregues nos projetos institucionais e vendas locais e regionais.

Recentemente as associações APAV (Associação de Produtores Agroecológicos de Verê) e APROVIVE (Associação de Vitivinicultores de Verê) ambas assessoradas pelo CAPA, foram premiadas a nível nacional em um concurso realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento. O objetivo da CONAB era contemplar os 20 melhores filmes que retratassem experiências de associações, cooperativas e entidades beneficiadas pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e pela Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio).
        Jhony Alex Luchmann
Equipe CAPA – Verê

VÍDEO APAV
VÍDEO APROVIVE




Deus seja louvado!


Desde que Rachel Sheherazade escreveu e pronunciou sua crônica (ou opinião) acerca da festividade do carnaval no Brasil, ocasião que lhe proporcionou promoção de âncora num telejornal de abrangência nacional, tenho gostado de suas opiniões sempre bem fundamentadas e críticas.

Agora, nesta ocasião, falando acerca do termo "Deus seja louvado", inscrito nas cédulas de real, vejo que ela foi apropriadamente conservadora. Há vezes em que se faz necessário. Vale a pena ver o vídeo:

Marcelo Peter

Estamos vivendo um tempo. Que tempo estamos vivendo?


Estamos vivendo um tempo em que os livros, os romances, o drama, enfim, a arte da leitura, estão sendo relegados a um segundo plano. Gosto da rede mundial de computadores, a internet, mas ela vem se transformando em simples espaço para “matar o tempo” e não vem sendo espaço para “carpe diem”.

Alguém poderia dizer, mas os livros estão ultrapassados. Pode até ser, mas ainda há quem leia e desfrute o sabor das palavras, frases, orações, linhas, parágrafos, páginas, etc; mesmo que seja um livro em versão digital.

Há, no entanto, um “porém”: estamos lendo cada vez menos em quantidade e em qualidade. Suspeito que os livros lidos atualmente sejam apenas esses “romancezinhos” norte-americanos, enlatados e acéfalos, contando apenas historietas de vampirinhos e bruxinhas que fazem coisas sobrenaturais.

Confesso, já li alguns destes, a exemplo de: “O Círculo Secreto” (The secret circle) e “Crônicas Vampíricas” (The vampire diaries). Tanto o primeiro, quanto o segundo, têm bom enredo e, nas entrelinhas das cenas e episódios, encontram-se lições de filosofia, sociologia e antropologia. Mas, não sei o porquê, parecem brandos e inconsistentes para ajudar uma juventude que necessita questionar-se acerca das inquietudes pertinentes a sua fase de vida.

Nesse sentido, recordei-me de um antigo livro, publicado há mais de 21 anos (1991): “O Mundo de Sofia” (Sofies verden). Li este livro quando eu tinha 15 anos. Ele foi escrito pelo filosofo e teólogo luterano Jostein Gaarder, da Noruega.

Para o momento crucial de dúvidas, questionamentos, inquietudes e latentes perguntas que vivia – naquela fase – ele foi muito importante. Em 2007, novamente li o livro. Já tinha outros olhares, outras perguntas, outros questionamentos. Foi interessante reler aquelas páginas e perceber como as coisas haviam mudado em minha “cabecinha”. No ano de 2009, por acaso, divagando pela internet, descobri uma minissérie do livro, que foi transmitida em quatro capítulos na Noruega. Transformaram esses episódios em filme. Mais uma vez foi possível degustar o conteúdo do romance da filosofia.

Convido você para aproveitar este tempo na internet e assistir, durante 1h30min, um pouco deste (já antigo) romance filosófico. 



Caso goste do que vir, deixo aqui o LINK para você baixar o livro em formato PDF e desfrutar das páginas desta obra.

Havendo prazer nestas duas atividades, interessando-se pela filosofia, ainda lhe convido para aprofundar seus conhecimentos com o livro “CONVITE À FILOSOFIA” de Marilena Chaui. O qual me parece ser o melhor para nós que queremos saber um pouco mais, ainda que em linguagem popular.


Aproveite, desfrute, compartilhe.
Ler faz bem!

Marcelo Peter

O tempo da invenção do mundo








*erros gramaticais propositais

“[...] pra se entender direitinho a história da doidice desse tempo, há de se começar do começo: há bilhões de anos atrás, quando o mundo foi criado. Tudo era uma seca só. Não tinha terra, não tinha céu, não tinha bicho, não tinha gente, não tinha nada! Era só o breu! Aí, Deus foi ficando meio enjoado e decidiu criar o mundo. Pensou assim: Vê que besteira a minha, por que é que há de ficar tudo sem nada, se eu posso inventar o que quiser? E saiu inventando...
       Primeiro Deus inventou... O tempo, que era pra ter tempo de inventar o resto. Em seguida... Em seguida inventou o céu, pra ter onde morar. E como o céu tinha que ficar encima de alguma coisa... Deus inventou... Inventou a terra, pra ficar por debaixo. Aí Deus pensou, “e a Terra vai fica assim? Só com o céu encima... sem nada por baixo, não neh!?”
       Aí ele pegou o inferno e boto debaixo da Terra. No começo, a terra só servia pra isso: pra ficar embaixo do céu e em cima do inferno. Foi quando Deus disse: ó ‘genti’, já que tem a Terra eu tenho que botar gente pra morar lá. E foi assim que ele criou a vida. E no que ele criou a vida já criou a morte junto, pois tudo que é vivo morre.
       Danou-se! (Deus pensou na hora) “Se todo ser vivo tem nariz, boca, orelha e olho, têm que ter uma serventia pra isso tudo”. Os olhos e o nariz já tinham: os olhos pra olhar o céu e o nariz pra respirar e parar de respirar pra pôde morre em paz. Mas carecia arranjar uma utilidade pra boca e pras orelha. E, foi por isso que Deus fez o verbo?
       Verbo era como Deus chamava as palavras. E Deus, haja a inventar palavra! Montanha, rio, riacho, elefante, jumento, capim, abacate, sapoti, laranja, cravo... Mas, como pra cada palavra tinha que ter uma coisa, Deus teve que inventar um monte de coisa pra fica uma coisa pra cada palavra: abacati, sapoti, laranja, cravo, capim, elefante, jumento, cabra, montanha, rio, riacho!
       E os homens, acharam pouco e se botaram a inventar mais coisa ainda: prego, parafuso, muro, calhambeque, sorvete... Desde o começo do mundo [...] muita palavra se inventou, muita coisa aconteceu, e muito tempo teve que passar [...]”.

(texto da peça teatral [filme] “A MÁQUINA: o amor é o combustível”. Ato 1, Cena 1. Diálogo de apresentação entre Antônio do Futuro e Discípulo Doido)
Marcelo Peter

Liturgia 24º Domingo após Pentecostes


24º Domingo após Pentecostes
 

LITURGIA DE ENTRADA

Prelúdio

Acolhida

            L.       Estimada Comunidade, irmãos e irmãs, com a graça de Deus, estamos aqui para celebrar e viver a nossa fé. Sejam bem-vindos e bem-vindas para este encontro de louvor e adoração ao Trino Deus. Jesus Cristo Diz: Fiquem vigiando, pois vocês não sabem em que dia vai chegar o seu Senhor.” Palavras Bíblicas de Mateus 24.42; lema bíblico desta semana; e, saudação para este culto. Vamos louvar ao nosso Deus cantando!

Hino
          C. ♪   

Voto Inicial

L.       Celebramos este culto em nome de Deus: Pai e Filho, e Espírito Santo.
C.       O Nosso auxílio está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra.

Confissão de pecados

L.       Irmãos e irmãs, diante de Deus, peçamos-lhe perdão, em nome de Cristo Jesus, nosso Senhor. Vamos abrir os nossos corações e confessar-lhe os nossos pecados. Vamos dizer juntos:   
Todos:         Eu, pobre pessoa pecadora, confesso a Ti, Todo poderoso Deus, meu criador e Salvador, que não somente pequei por pensamentos, palavras, e obras, e, sim, fui concebida e nascida em pecado, de modo que a minha natureza inteira e todo o meu ser são culpados e condenáveis perante a tua justiça. Por isso, abrigo-me à tua insondável misericórdia e procuro o teu perdão dizendo: Ó Deus, tem compaixão de mim, pessoa pecadora! Amém. (Adaptado: Prontuário do Culto Evangélico-Luterano)

Anúncio da graça

            L.       Deus, em sua infinita misericórdia, perdoa-nos todos os nossos pecados.    
            Confiantes, louvemos a Deus por sua imensa bondade com as palavras do salmista:
C.       “Aleluia! Louva, ó minha alma, ao SENHOR.
L.       Louvarei ao SENHOR durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus, enquanto eu viver.
C.       Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação.
L.       Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios.
C.       Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no SENHOR, seu Deus, que fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e mantém para sempre a sua fidelidade.
L.       Que faz justiça aos oprimidos e dá pão aos que têm fome. O SENHOR liberta os encarcerados.
C.       O SENHOR abre os olhos aos cegos, o SENHOR levanta os abatidos, o SENHOR ama os justos.
L.       O SENHOR guarda o peregrino, ampara o órfão e a viúva, porém transtorna o caminho dos ímpios.
          C.       O SENHOR reina para sempre; o teu Deus, ó Sião, reina de geração em geração. Aleluia!” (Salmo 146)

Glória (louvor e adoração)
          L.       Deus disse ao profeta Jeremias: “Dar-lhes-ei coração para que me conheçam que eu sou o Senhor” (Jr 24.7). Em Cristo Jesus conhecemos a Deus, nosso Criador e somos conhecidos por Ele. Glória seja ao Pai e ao Filho e ao     Espírito Santo.
C.       Como era no princípio, agora, e sempre, pelos séculos dos séculos!      Amém.

Hino

          C. ♪ 
Oração do dia
L.       Fala, Senhor, nós queremos ouvir. Pessoas pronunciam palavras, mas Tu és quem as enche de Espírito. Pessoas ensinam a letra, mas és Tu quem abre o entendimento. Não permitas que Tua Palavra se transforme em juízo para nós por a ouvirmos sem a cumprir, por acreditarmos nela sem obedecer-lhe. Fortalece-nos, Senhor, por Teu Espírito Santo. Dá-nos força para que nosso coração se firme e se liberte de preocupação e ansiedade desnecessárias. Senhor, dá-nos sabedoria para aprendamos a buscar-te acima de todas as coisas. Inspiras, agora, quando nos preparamos para ouvir e meditar na Tua santa Palavra. Isto Te pedimos e agradecemos, em nome de Teu filho, Jesus Cristo, que, contigo e com o Espírito Santo, vive e reina, de eternidade a eternidade. (Adaptado: Orações do Povo de Cristo)
C. Amém!

LITURGIA DA PALAVRA

Hino

          C. ♪   

Leitura do Antigo Testamento
          L.       1 Reis 17. 8-16

Proclamação do Evangelho
C. ♪    Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.
          Leitura do Evangelho de Marcos 12. 38-44
C. ♪    Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.

Prédica
(texto base 1 Rs 17. 8-16)

Confissão de fé

Hino
(durante o hino: recolhimento das ofertas)
C. ♪   

LITURGIA DE DESPEDIDA 

Avisos

Hino
C. ♪   

Oração geral da Igreja
L.       Senhor Deus, Tu és toda a nossa riqueza e tudo o que temos vem de Ti. Somente Tu és bom, justo e santo. Tu podes fazer tudo o que convém. Tu Podes dar tudo o que é necessário. Podes preencher toda a nossa vida. Te somos gratos eternamente por Tua grandiosa benevolência, pois nos deste a vida, em Cristo Jesus. Confiamos em Ti e entregamos nossa vida em Tuas mãos. Te somos gratos por essa dádiva, a saber, sermos cuidados por ti.
          C. ♪    Graças, Senhor! Graças, Senhor! Por tua bondade, teu poder, teu amor: Graças, Senhor!
L.       Clamamos a Ti, ó Deus, pedindo por nosso povo, pela nossa pátria e pelas autoridades, para que Te sirvam dignamente. Lembramos, diante de Ti, as pessoas que sentem-se escravizadas e afligidas pelo medo, pela violência, pela escuridão da ignorância, por ameaças, pela fome, pelo desemprego, pelos diversos tipos de drogas, por problemas não resolvidos e também pelas doenças.
          C. ♪    Inclina, Senhor, teu ouvido, escuta o nosso clamor!
L.       Te rogamos, cuida e ampara a tua igreja no mundo inteiro. Que teus filhos e tuas filhas te sirvam com imensa gratidão. De modo especial, suplicamos pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, a nossa IECLB. Dá que, através das comunidades, com Ministros, Ministras e lideranças, possamos proclamar o Teu Evangelho em atos e palavras. Pedimos especialmente por esta comunidade aqui reunida e congregada. Esteja, Santo Deus, com todos os que te clamam:
          C. ♪    Inclina, Senhor, teu ouvido, escuta o nosso clamor!
          L.       Somos Tua comunidade, teu rebanho resgatado. Somos teus servos, por     isso oramos a Ti, tal como Cristo nos ensinou:

Pai-Nosso

Bênção
L.  (Conforme orientação do Liturgo, a Comunidade coloca as mãos no local indicado)
(olhos) – Que Deus toque nossos olhos para possamos enxergar a dádiva da nova vida;
(ouvidos) – Que Deus toque nossos ouvidos para que possamos ouvir Sua Palavra consoladora;
(boca) -  Que Deus toque nossa boca para que possamos proclamar a mensagem da salvação;
(Coração) – Que Deus toque nosso coração para que possamos sentir o seu amor infinito;
(dar as mãos) – Que Deus toque nossas mãos para que possamos viver a comunhão da Tua Igreja.
Assim, te abençoe o Trino Deus: Pai e Filho, e Espírito Santo.
            C.       Amém. (Adaptado: Bênção Venezuelana)

Envio
L.       Deus está conosco todos os dias. Por isso, vamos em paz e sirvamos ao Senhor com alegria.
C.       Demos graças a Deus.

Poslúdio

A MORTE NAS RELIGIÕES


O Dia de Finados já passou. De todos os modos, ainda em tempo, podemos refletir mais um bocado acerca da questão “morte”. Foi isso que eu acabei fazendo ao reler um livro que, ainda em 2007, muito me encantou. Recomecei a folhear as páginas de “O livro das religiões”, escrito por Jostein Gaarder (autor de “O mundo de Sofia”).

No livro são feitas várias definições acerca da religião em nível geral. Em dado momento, o autor, após definir diversos conceitos (dentre eles os conceitos de divindade e mundo), dialoga acerca do conceito de homem (ou ser humano).  Ao conceituar a humanidade no ambiente das religiões, o autor flagra o leitor com uma interessante descrição do significado da “morte” nos diversos ambientes e contextos religiosos. O autor escreve:

       “Assim como as origens do homem requerem uma explicação, a maioria das pessoas se preocupa em saber o que acontecerá com elas quando morrerem.
       As sepulturas dos vikings, nas quais os mortos eram enterrados com armas, ornamentos e comida, mostram que a ideia da vida após a morte não é nova. Os gregos antigos acreditavam no Hades, onde os que partiram passavam a levar uma existência tênue, feita de sombras. O ideal guerreiro da era dos vikings se espelha na crença que tinham no Valhala, onde os heróis lutam suas batalhas e morrem durante o dia, voltando novamente à vida durante a noite. Certas tribos indígenas da América do Norte ainda têm fé na existência dos "eternos campos de caça", com uma profusão de caça de todos os tipos.
       Em várias sociedades, os mortos continuam existindo sob a forma de espíritos ancestrais, em íntima proximidade com os vivos. Eles oferecem aos vivos segurança e proteção, e em troca exigem que se façam sacrifícios em seus túmulos.
       Quando se pergunta o que continua vivo, obtêm-se diversas respostas. Em geral, diz-se que é algo chamado de alma, mas em muitas tribos africanas não existe a divisão corpo e alma. Mesmo no cristianismo, a "vida eterna" não é associada a uma "alma eterna". Menciona-se a "ressurreição do corpo", ou, em outras palavras, a reconstituição da pessoa inteira. E verdade que o cristianismo fala num "corpo espiritual", porém isso serve para enfatizar a ideia de que o homem, após a ressurreição, não se tornará um espírito indefinido.
       As religiões costumam ter ideias diferentes sobre a salvação. Algumas creem que o homem pode ser salvo por um poder divino, ao passo que outras afirmam que ele deve resgatar a si mesmo — e para isso indicam uma variedade de métodos.” (In.: O livro das religiões. p.26-27).

Percebe-seque, por mais que vejamos a morte de maneira distinta, no mundo religioso ela é uma questão ainda imatura, para os que seguem este ou aquele doutrinamento religioso.

Cientes de nossa confissão de fé como cristãos, não podemos nos isolar de refletir e entender o tema morte. Que o façamos não somente no dia 02 de novembro, nem somente no Domingo da Eternidade (Cristo Rei ou Último do Ano Eclesiástico). Que o façamos ao longo de nossa vida!

Marcelo Peter

“... a verdade a respeito dos que já morreram.”


“... a verdade a respeito dos que já morreram.”
            (prédica sobre 1ª Tessalonicenses 4. 13-18)

       “Eu tinha 11 anos. Foi a primeira vez que senti a dor da morte tão próxima. Era dia 02 de maio de 1999, numa manhã ensolarada, logo e bem cedo, que minha mãe, minha irmã e eu recebemos a notícia de que, naquela noite, meu avô havia morrido. Tal como recebemos a notícia, com a mesma rapidez, veio a dor, o choro e o sofrimento. Os olhos de minha mãe lacrimejaram imediatamente. A tristeza tomou conta de seu semblante. A força, que lhe era tão peculiar, desapareceu como num simples toque. Ela desmoronou. Caiu por terra. Minha tia, que veio dar a informação, abraçou-a e procurou consolá-la. Entretanto, parecia não haver consolo. Seu pai estava morto! O baluarte, o exemplo, o modelo de força, garra e firmeza não estava mais vivo. Pude sentir sua dor, seu desespero e sua fraqueza.
       Em meio ao desamparo que se assolou, não me recordo como minha irmã reagiu. Não lembro qual foi sua reação. Quem sabe isso se deva ao fato de que minhas vistas se ofuscaram pela dor e pelo choro. Não podia acreditar que meu avô havia morrido. Não queria aceitar que sua presença viva, atuante e fortificante não existia mais. Relembro que fiquei perdido, sem chão, sem base.
       Imediatamente arrumamos nossas roupas e fomos até a casa de meus avós. Todos já estavam lá. Havia pessoas ao redor da casa; na porta, umas quantas; dentro, muitas outras já estavam. Eu entrei, olhei ao redor e vi meu avô deitado na urna funerária. Cheguei perto... Olhei-o por longo tempo... Sentei ao lado e, de ali, não saí durante todo aquele dia.
       O tempo transcorreu, a noite chegou, o velório estava acontecendo. E, eu, continuei ali. O dia amanheceu e chegou a hora de sepultar. Seguimos o cortejo fúnebre até o cemitério. Eu levei a cruz de madeira, onde estava inscrito o nome de meu avô, sua data natalícia, bem como de sua morte. Na hora da despedida derradeira, não sei como, ainda tinha lágrimas para derramar. Minha mãe e minha avó consolavam-se mutuamente. Todos estavam ali, fazendo suas últimas homenagens. Meu avô foi baixado à sepultura ao som do canto comunitário. Não me recordo qual hino cantaram! O pastor proferiu as famosas palavras ‘terra à terra, cinza à cinza e pó ao pó’.”
       O apóstolo Paulo, na primeira carta aos Tessalonicenses (1 Ts 4. 13-18), escreve para uma comunidade que também conhece, sente e se entristece com a dor da morte. Ele está falando para pessoas que também se sentem desesperadas, sem chão e condoídas com a perda de pessoas amadas. Alguns perderam pais, mães; outros perderam os filhos, a esposa, o marido. Muitos ficaram sem os amigos. O apóstolo escreve para uma comunidade que conhece a dor da morte. Uma comunidade que sentiu o que é despedir-se de pessoas queridas e amadas. Ele escreve para uma comunidade que chora. Uma comunidade que chora e se pergunta o que acontecerá (?). Como ficaremos nós e como ficarão aqueles já morreram?
       Como comunidade, não nos consolamos fingindo que a morte é realidade distante e, até mesmo, irrelevante. Pelo contrário, devemos reconhecer que é, sim, uma realidade presente. Por mais que não queiramos aceitar a morte, precisamos passar por ela. Por incrível que possa parecer, é saudável que possamos remoer a dor da perda. Mas, não somente remoer: é preciso tratá-la na comunhão de fé e curá-la com a esperança da ressurreição em Cristo Jesus.
       Nesse sentido, Paulo auxilia a que entendamos a morte; para que nos confortemos na esperança da ressurreição em Cristo. O apóstolo afirma, categoricamente, que não devemos ser ignorantes sobre a morte. É necessário falar, refletir e meditar acerca deste assunto tão fatídico e doloroso. Ele sabe que é necessário tornar consciente nossa dor, fazer visível nosso amargor. É fundamental poder chorar a perda. Devemos e podemos chorar a amarga dor da morte. Mas, não devemos permanecer somente nisto.
       A comunidade cristã deve consolar-se mutuamente e seguir confiante no caminho do Senhor, pois não somos como os demais que não têm esperança, diz o apóstolo Paulo. Confiamos que Deus está conosco em vida e morte. Quando caímos no sono da morte, a mão bondosa do Deus Eterno nos sustenta, guarda e protege até o dia da ressurreição gloriosa.
       Na morte, não ficamos perdidos. Muito menos abandonados ou vagando. Descansamos nos braços amorosos de Deus. O Credo Apostólico confirma que Deus, em Cristo, desceu ao mundo dos mortos. Deus sempre nos acompanha! Ele é Deus presente na vida e na morte. Deus acompanha e permanece junto, também com aqueles que dormem o sono derradeiro. Nem na morte Deus nos abandonaria... (jamais!).
       O apóstolo não se preocupa em explicar o que acontece com os mortos desde o findar da vida até o dia da ressurreição. Ele não explica o que acontece neste meio tempo. Para ele isto está resolvido: os mortos dormem. Com os que dormem não é preciso preocupar-se. Deus cuida de todos zelosamente!
       Quanto a nós, os que vivemos, vigiemos e oremos! No fim dos tempos Cristo virá e ressuscitará a todos. Primeiro os que nos precederam na morte, os que já dormem, e depois nós, os vivos, seremos ressuscitados, diz a Palavra de Deus. É fundamental crermos que Aquele que ressuscitou a Cristo também nos ressuscitará no dia final, juntamente com nossos queridos, amados e saudosos irmãos e irmãs, os quais já não estão mais entre nós. Dos quais sentimos tanta saudade... Tanta falta!
       É importante falarmos deste assunto. É fundamental exacerbar e verbalizar nossa dor e nossa amargura sobre a perda das pessoas amadas. Fazendo isto, somos comunidade terapêutica que ama, cuida e cura-se mutuamente na fé em Cristo.
       No início de nossa reflexão contei como foi minha primeira experiência de choro, dor, perda, luto... morte. Precisei de fé e esperança para relatar tal fato. Não é simples recordar momentos tão dolorosos. Mas, foi extremamente confortador saber que posso superar minhas dores e seguir em frente na esperança da ressurreição.
       Todos nós devemos tornar consciente nossa experiência com a morte e a perda de pessoas amadas. Devemos tratar essa dor a partir da fé que vem de Cristo e confiar plenamente na ressurreição e na vida eterna.
       Somos convidados pelo próprio Deus a viver cada dia de nossas vidas na certa e plena confiança de que em Cristo temos herança na ressurreição gloriosa. Que Deus nos abençoe, nos guarde e nos proteja para viver essa fé esperançosa!
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Marcelo Peter

LITURGIA DE FINADOS

 CULTO DE FINADOS

LITURGIA DE ENTRADA

Oração silenciosa individual

Prelúdio         

Acolhida

          L.       Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus, o apóstolo Paulo testemunhou que “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas para esta vida, somos os mais infelizes de todos os seres humanos.” Inspirados nestas palavras de 1 Coríntios 15.19, que nos motiva a crer na ressurreição e na vida eterna, sintamo-nos acolhidos e acolhidas neste culto, onde vamos louvar a Deus por sua infinita bondade e misericórdia, no qual clamaremos por nossas necessidades e aflições, bem como meditamos acerca de nossa esperança e fé em Cristo Jesus. Vamos louvar a Deus cantando!

Hino

          C. ♪   Deus enviou seu Filho amado
                    pra me salvar e perdoar,.
                    Na cruz morreu por meus pecados,
                    Mas ressurgiu e vivo com o Pai está.

                    (refrão)
                    Porque Ele vive, posso crer no amanhã.
                    Porque Ele vive, temor não há.
                    Mas eu bem sei (eu  sei) que a minha vida
                    Está nas mãos do meu Jesus, que vivo está.

                    E quando, enfim, chegar a hora
                    Em que a morte enfrentarei,
                    Sem medo, então, terei vitória:
                    Verei à Glória, o meu Jesus que vivo está.

(de pé)

Saudação apostólica

L.       A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito sejam com vocês.
C.      E também com você.

Confissão de pecados

L.       Estimada comunidade, humildemente, peçamos perdão a Deus por nossas falhas e equívocos. Peçamos perdão por nossos pecados e iniquidades. Oremos cantando:
          C. ♪   /:Perdão, Senhor, perdão!:/
L.       Eterno Deus e Pai, neste dia de reflexão e lembranças, reconhecemos o quanto ficamos devendo em amor e solidariedade para quem esteve ao nosso lado e hoje descansa em paz. Por eles nada mais podemos fazer! Nem mesmo pedir-lhes perdão.
Por isso, nos dirigimos a ti, amado Deus, e pedimos que nos perdoe as falhas, bem como as omissões. Seja em relação ao nosso próximo ou no que concerne a esperança e a fé que vem de ti:
          C. ♪   /:Perdão, Senhor, perdão!:/
L.       Senhor, Deus da eternidade, neste dia meditamos sobre a morte e choramos a dor do luto. Refletimos sobre o que seria de nós se fossemos chamados, repentinamente, diante do teu tribunal, assim como somos, com toda a nossa culpa. Confessamos que não poderíamos subsistir perante ti, porque geralmente vivemos como se não houvesse uma responsabilidade para Contigo, bem como um juízo final. Senhor, perdoa-nos por nossa irresponsabilidade para com a fé. Ajuda-nos a não esquivarmo-nos de pensar em nossa própria morte. Por isso clamamos humildemente:
          C. ♪   /:Perdão, Senhor, perdão!:/
L.       Eterno Deus, tem compaixão de nós pecadores, perdoe os nossos pecados e conduze-nos em paz e amor a cada dia de nossa vida. Amém!”

Anúncio da graça

          L.       Assim diz a Palavra de Deus: “Bom é o Senhor para os que esperam por Ele, para a alma que o busca” (Lm 3.25). Deus é bom e nos concede a graça do perdão. Vivamos confiantes nesta promessa divina. Louvemos seu santo nome:

Cântico

          C. ♪   /:Louvemos, todos juntos, o nome do Senhor.:/
(sentar)

Kyrie
          L.       Reunidos em culto, não podemos isolar-nos do mundo que está à nossa volta. Há muita dor, choro, pranto e clamor ao nosso redor. Roguemos a Deus, clamando pelas dores deste mundo:
          C. ♪   Pelas dores deste mundo, ó Senhor, imploramos piedade.
                    A um só tempo geme a criação.
Teus ouvidos se inclinem ao clamor desta gente oprimida.
Apressa-te com tua salvação.
A tua paz, bendita e irmanada co’a justiça,
abrace o mundo inteiro. Tem compaixão!
O teu poder sustente o testemunho do teu povo.
Teu Reino venha a nós! Kyrie eleison!

Gloria in excelsis
          L.       Deus ouve o nosso clamor, atende a nossa súplica. Sua bondade é eterna. Seu amor não tem fim. Ele nos acompanha na vida, na morte e na ressurreição. Cantemos glórias a Deus nas maiores alturas:
          C. ♪   Glória, glória, glória a Deus nas alturas.
Glória, glória, paz entre nós, paz entre nós.
(de pé) 
Oração do dia
L.       Eterno Senhor e Deus, Tu estiveste com teus servos em momentos de alegria ou aflição, de riso ou de choro. Teu povo, Senhor, reconhece que és Deus presente, mesmo em forte amargor. Nem mesmo na morte Te afastas dos teus filhos, ó Senhor.  Ao celebrar, neste dia de finados, a fé em Ti e a esperança na ressurreição e na vida eterna, pedimos, ajude-nos a silenciar e ouvir com devoção a tua Palavra. Afaste, Senhor, tudo que possa impedir, distrair ou prejudicar o nosso ouvir atento. Abre, Eterno Senhor, os nossos ouvidos e o nosso coração para que a tua Palavra seja semeada em esperança, amor e fé, de modo que confiemos plenamente no autor da esperança, Teu filho, Jesus Cristo, que, contigo e com o Espírito Santo, vive e reina, de eternidade a eternidade.
C. Amém!
(sentar)

LITURGIA DA PALAVRA

Hino

          C. ♪   1. Sempre vencerei com a Palavra de Deus.
                    Nunca voltarei, nunca tornarei aos caminhos meus.
                    Pus meu coração no meu Senhor,
                    e conto a todos de Jesus e seu grande amor.

                    2. Sempre ouvirei doce voz de Jesus.
                    Sempre orarei para meu Jesus que morreu na cruz.
                    Usarei as mãos para o Senhor,
                    e dia a dia seguirei o meu salvador.

                    3. Sempre contarei do amor de Jesus.
                    Que ele é o Caminho, a Verdade, Vida e Luz.
                    Me dedicarei e seguirei,
                    e mostrarei que dele sou e ele é meu.

Primeira leitura
          L.       DANIEL 12. 1-3
Leitura do Salmo
          L.       SALMO 118. 5-6; 15-21
Segunda leitura
          L.       1 Tessalonicenses 4. 13-18

(de pé)
Proclamação do Evangelho
C. ♪   Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.
          Leitura do Evangelho de Marcos 5. 21-24; 35-43
C. ♪   Aleluia, aleluia, aleluia, aleluia.
(sentar)

Prédica
(texto base 1ª Ts 4. 13-18)

(de pé)
Confissão de fé
(sentar)

Hino
(durante o hino: recolhimento das ofertas)
C. ♪   Eu só confio no Senhor que não vai falhar,
          Eu só confio no Senhor, sigo a cantar.
          Se o céu chegar a escurecer e o sol toldar,
          Eu só confio no Senhor, que não vai falhar.
          Posso confiar, posso confiar;
          Que um lar no céu Cristo vai me dar
          Se o céu chegar a escurecer e o sol toldar,
          Eu só confio no Senhor, que não vai falhar.

LITURGIA DE DESPEDIDA 

Avisos

Hino
C. ♪   1. Graças dou por esta vida, pelo bem que revelou.
              Graças dou pelo futuro e por tudo que passou.
              Pelas bênçãos derramadas, pela dor, pela aflição;
              Pelas graças reveladas, graças dou pelo perdão.
          2. Graças pelo azul celeste e por nuvens que há também,
                Pelas rosas no caminho e os espinhos que elas têm;
              Pela escuridão da noite, pela estrela que brilhou,
              Pela prece respondida e a esperança que falhou.
          3. Pela cruz e sofrimento, e pela ressurreição;
              Pelo amor que sem medida, pela paz no coração;
              Pela lágrima vertida e o consolo que sem par,
              Pelo dom da eterna vida, sempre graças hei de dar.

(de pé)
Oração geral da Igreja
L.       Eterno Deus, te agradecemos porque nos prometeste que não nos deixarás sozinhos quando formos chamados desta vida. Confiamos em tua promessa: "Eu vivo e vós também vivereis." (Jo 14.19) Estamos certos de que não nos deixarás na morte, Senhor.

Neste dia que voltamos nosso olhar para o luto e a dor; dia em que a saudade renasce em nosso coração por conta da lembrança, oramos e agradecemos a vida, a Salvação e a promessa de vida eterna presentes em Jesus Cristo.

No entanto, não podemos deixar de interceder por todas as pessoas que depositam sua confiança nas filosofias humanas. Ajude, Senhor, para que como comunidade, saibamos nos aproximar e afiançar em seus corações a esperança cristã.

Pedimos-te por todas as pessoas sem consolo, que ainda não conhecem o caminho que conduz à vida eterna. Clamamos por todas as pessoas que sentem falta de um apoio firme em sua desesperança. Pedimos-te igualmente por aqueles que se sentem muito seguros, julgando, erroneamente, não ter necessidade de ti.

E por fim, confiantes em tua insondável misericórdia, queremos orar, intercedendo, por todas as famílias desta comunidade que, no último ano, sentiram a dor da morte, o sofrimento da perda e a angústia do luto. Recordamos das famílias dos seguintes irmãos que estão no sono eterno, em Cristo Jesus: (Lista de Finados).

Senhor, oramos como comunidade comprometida com a verdade e unida em fé... Oramos de mãos dadas, Senhor, a oração que aprendemos de teu Filho...  

Pai-Nosso

Bênção
L.      
          Que o Deus Eterno, o teu amparo, permaneça ao teu lado dia e noite;
          Que o Deus Eterno, a tua esperança, conduza o teu caminhar;
          Que o Deus Eterno, o teu consolo, te olhe com amor e bondade;
          Que o Deus Eterno, a tua vida, renove a tua fé na ressurreição;
          Que o Deus Eterno, o teu protetor, te guarde e te proteja;
          Assim, te abençoe o Trino Deus: Pai, Filho e Espírito Santo.
C.      Amém.

Envio
L.       Confiando que Deus nos acompanha hoje e sempre, vamos em paz e sirvamos ao Senhor com alegria.
C.      Demos graças a Deus.

Poslúdio
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Marcelo Peter