O Dia dos Mortos?

Você está vivo? Claro que sim! Então por que falar em morte justamente com você?

Você pode até não concordar, mas a morte faz parte desta vida. A morte é uma das situações que mais abalam nossa vida. Qualquer um, diante da morte, percebe-se frente a uma grande incerteza. A morte gera perguntas e com elas buscamos respostas.

Nós, brasileiros, ainda não aprendemos a lidar com a morte. Normalmente nos conformamos em deixar a morte para o fim da vida. Falar em morte é tabu. Mesmo quando nos arriscamos a falar em morte, entramos em conversas abstratas.

Algumas correntes filosóficas (seitas) tentam controlar as mentes e os corações com a lógica fajuta e incoerente do “neo-platonismo”, onde se faz uma separação infantil e idiota entre corpo, alma e espírito.

Nós, seres humanos, somos ao mesmo tempo Comunidade e Indivíduo. Como Comunidade, integramos um grupo que se entende unido e firme na mesma fé e convicção de que Cristo Jesus é nosso Senhor e Salvador. Como indivíduos desta comunidade, temos particularidades e expressões de identidade. Na nossa identidade cristã pessoal somos INDIVÍDUOS, isto é, não somos divisíveis. Somos INDIVISÍVEIS!

Não temos corpo, alma e espírito, como se fossem ingredientes de uma receita de bolo. Não temos esses três elementos. Somos esses elementos indivisivelmente. Somos integralmente corpo, alma e espírito. Quando morremos, morremos integralmente. Nada fica. Nada permanece vagando ou perdido (terra à terra, cinza à cinza e pó ao pó).

A morte é o mesmo que dormir. Morrer é entrar em estado de sono profundo. Somos todos inseridos num estado de sono do qual somente Cristo pode nos acordar. No sono da morte, somente Cristo é o nosso despertador.

Por isso é tão importante viver e morrer com Cristo. Se com Cristo vivemos, com Cristo também morreremos e com Ele seremos ressuscitados do sono da morte para o “despertar” da vida eterna em seu Reino de mil anos de paz.

Mas, pra ser mesmo sincero, nós gostamos de fugir da morte. Parece que quanto mais afastamos a morte da realidade vida, tanto mais conseguimos fingir que a morte não existe. No entanto, para nós que somos Cristãos de Confessionalidade Luterana a morte é existente desde o nosso nascimento. A morte já inicia no Batismo.

Toda pessoa cristã de confissão luterana é batizada em nome de Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. No Batismo morremos para o pecado e renascemos para a nova vida em Cristo Jesus. Martim Lutero, através das Escrituras, nos testemunhou que o Batismo é realizado uma vez na vida. Não obstante, sua ação se estende por toda a vida, em cada um de nossos dias. Por isso não dizemos que “fomos” batizados, mas que “somos” batizados.

O Batismo nos fala da morte e da vida. O batismo nos insere na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Assim, desde o princípio de nossa nova vida em Cristo, quando morremos pela água do Batismo e somos renascidos desta mesma água, temos que aprender a lidar, falar e refletir sobre a realidade da morte.

De tal maneira, a morte é realidade presente. Precisamos aprender a falar da morte. Necessitamos compreender o que é morrer. Mas, não podemos fazer isto como meros especuladores. Não podemos analisar esta realidade nua e crua da vida sem os olhos da fé.

Somos cristãos, pertencemos a uma comunidade de fé, somos integrantes da Igreja de Cristo. De tal maneira, nossa percepção, reflexão e análise sobre o tema ‘morte’ deve sempre ser visualizada desde o horizonte da Ressurreição iniciada em Cristo Jesus na manhã da Páscoa.

Para compreender melhor essa esperança e essa fé, leia em sua Bíblia o que o Apóstolo Paulo escreveu em Romanos 8. 31-39.

Sem esse olhar amoroso e cuidadoso somos apenas tolos que vivem sem fé e sem esperança e nossa vida é inútil. Entendendo a morte à luz da fé e da certeza na Ressurreição e na vida eterna somos consolados, confortados e fortalecidos pelo próprio Deus, que é Senhor sobre a vida e a morte. Amém!

Marcelo Peter